Antes de tudo é preciso dizer que A Ascensão Skywalker é um bom filme. É compreensível toda essa polarização que existe quando um novo filme da saga é lançado. No entanto, é preciso também de um pouco de bom senso para fazer um julgamento mais afastado sobre a obra em questão para que entendamos melhor como as coisas são, mercadologicamente falando, já que tudo isso é uma indústria, e também como as coisas funcionam. 

Por ser o fechamento de uma saga o filme carrega todos os anteriores junto com ele, e por conta disso, ele tem algumas obrigações, papéis predeterminados para tentar cumprir algumas das expectativas que foram criadas em cima dele e de todo esse vasto e rico universo, tanto pelos fãs clássicos, quanto pela nova safra de fãs que nem era nascida quando os primeiros filmes chegaram ao cinema. - Faixa a qual me incluo.

"O Despertar da Força" seguia os moldes exatos do que um filme de Star Wars tinha que ser e por isso agradou a maioria dos fãs. "Os Últimos Jedi" foi além dessa fórmula de sucesso, e inovou, trouxe elementos novos para a saga, e bateu o martelo em algumas decisões. Parecia que a saga precisava disso, um refresco nessa história que já dura mais de 30 anos. Essa inovação, extremamente positiva, gerou revolta. A divisão entre os fãs foi criada. Não houve um meio termo. Era amor ou ódio. Reflexo dos tempos extremistas que estamos vivendo. E isso não é bom para ninguém. 

Com toda a controvérsia criada a partir dos Últimos Jedi, o retorno de J.J. Abrams no fechamento da nonologia ganhava um contorno extremamente obrigatório, e ele foi empossado num papel quase de salvador da galáxia. Complexo. Difícil. Ele tinha a missão de fechar essa história, resolver alguns conflitos dos Últimos Jedi e redefinir algumas decisões que não agradaram os fãs hardcores, não sei bem se podemos chamá-los de fãs...

Com tudo isso, o filme precisa jogar no seguro. Não é o momento de arriscar desagradar novamente os fãs exigentes que querem que o filme nunca apresente coisas novas. J.J Abrams sabe disso. Investe no emocional, no coração de Star Wars e dos fãs. Homenageia a história da saga, os passos trilhados, às vezes por easter eggs, referências, ou jogando na cara mesmo. É um saldo positivo.Como já era esperado, ele ia se acovardar e "consertar" alguns "erros" de Os Últimos Jedi, desfazer algumas decisões, e apesar disso, é um ato compreensível. O filme tinha que ser diplomático. Tinha que se encerrar sem polêmicas, sem extremistas. O caminho era esse. Se prender na simplicidade e elementos clássicos dos gênero e da saga, para entregar uma aventura espacial que ao mesmo tempo diverte, emociona e encerra um ciclo. 

É preciso um pouco de empatia para entender os filmes atualmente. Principalmente grandes filmes, com tom épico e que concluem uma saga. Se em Vingadores: Ultimato a gente tinha esse mesmo tom, aqui em A Ascensão Skywalker a dose foi triplicada, e a razão é muito simples. São mais de 30 anos dessa história. O apego emocional, a ligação quase religiosa é um ponto definidor do quanto gostamos dele. Não é errado. Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades. Star Wars tem esse peso. Ele construiu esse peso e o fardo é grande mesmo, não haverá trégua. Mas se a gente parar de ficar dando relevância somente para o que não gostamos e aprendermos a olhar com mais carinho para o que o filme, seja ela qual for, representa, o caminho pode ser mais bonito, mais pacífico. Star Wars entrega o que prometeu em um ato lindo de referenciar e relembrar toda essa jornada para todo tipo de fã. 

Vá ao cinema. Se emocione, dê gargalhadas e se aventure nessa ópera espacial. E o mais importante de tudo, tire suas próprias conclusões.