O que era Wanda e Visão 

Quando a Marvel anunciou suas série para a Disney Plus em seu painel principal, o nome que mais chamava atenção era o do peculiar casal formado no terceiro filme da trilogia Capitão America. Prestava o publico a entender como um falecido nanoborg e uma pseudo mutante meio surtada iriam ter uma serie só pra eles.

Após EndGame, Visão estava fora do Universo Marvel, devido o fim que se deu a sua Joia. Wanda, uma personagem distintamente poderosa do Universo, não ganhou sua atenção devida que poderia vim a ter por conta de seu histórico e background nas series em quadrinhos. No ultimo filme de Vingadores, Wanda peleja mas, novamente, não ganha o protagonismo que merece com o seu potencial original.

No fim, seu grande amor, foi perdido junto com as ultimas esperanças de salvar o universo dos desejos mesquinhos do Titã. O futuro desses dois personagens insanos no nível de poderio e tão queridos pelo público parecia consideravelmente incertos. Por um momento, Wanda e Visão pareciam ser um capitulo virado das historias da Marvel, assim como fora o irmão de Wanda - sepultado e esquecido.

Com esse cenário que a série surgiu como a primeira original da Marvel para um serviço de streaming. Muitas duvidas rodeavam a capacidade e questão sistemática envolto de se produzir algo após EndGame, depois do show de easteggs, referências e uma finalização digníssima para o Universo, ao mesmo tempo de ser canônico e importante para o entendimento do MCU em seus próximos anos.

A principal duvida: será que vão manter o nível das produções no cinema? E logo mais fomos respondidos com Mandaloriano, original da DisneyPlus que esbanjava uma equipe de ponta, com efeitos magníficos e elenco cinco estrelas. The Mandalorian provou que, sim, a Disney conseguia fazer algo realmente grandioso (e canônico) para o seu serviço de streaming. Isso bastou para que o hype fosse instalado com sucesso nas mentes geeks afora.

À nossa frente: coragem

O que temos a nossa frente é uma série de muita coragem — isso a define: coragem. O corpo técnico da produção demonstrou ter um verdadeiro jogo de cintura, com a possiblidade de até no mesmo episódio ter saltos temporais dentro da narrativa da Marximoff.

É simplesmente esplêndido ver isso na frente de seus olhos em uma série AAA dos Estúdios Marvel. Tudo acompanha, desde as vestimentas com a direção de arte impecável, até a fotografia e colorização que se mostram delicadamente precisas. O fato da série começar preto e branco, já assusta logo de cara, com um visual sem o nosso RGB e com formato 1x1. Daí, desse primeiro momento, novamente gritamos: coragem!

Quando falo em delicadeza nos primeiros episódios digo do jeito extremamente minucioso que a equipe deu o aspecto retrô sem necessariamente agredir o telespectador. Isso não só nos anos 50-60, como também há em todos os outros. Contudo destaco essas décadas pois são de fato uma linha tênue entre agradar e agredir.

Se a equipe técnica de áudio e imagem dão um show, não dá pra falar o mesmo dos roteiristas nas mudanças de década. Isso porque a partir do quinto episódio, Visão começa a perceber, bruscamente, as mudanças instantâneas que Wanda produz na Bolha. Sem muita noção, o humanoide assim como todos do bairro que estão sendo controlados percebem a manipulação de Wanda na realidade da Bolha.

Parece que a partir do quarto episódio o roteirista decidiu que todos os moradores vão perceber que há algo de estranho e isso não casa com a percepção do público que já havia percebido desde o final do segundo e começo  do terceiro episódio. No sexto episódio, tudo parece ligeiramente confuso pois as coisas já não andam mais no conformes de sua progenitora, a ponto de ter horas que os personagens saem de seus papéis e vivem em um limbo daquela situação. Isso mais tarde tenta ser explicado com a aparição de uma vilã clássica, mas não colou bem e não justificou.

Na tentativa de Visão, há um clara confusão dos primórdios do personagem, que na série ganha um papel de bobalhão constante ao seu sem pario poder já demonstrado anteriormente — sendo, quiçá, um dos grandes gênios daquele universo. O personagem parece demorar muito para entender o que está havendo ali, enquanto Wanda tenta a todo custo hipnotizá-lo com a suposta realidade.

Fato é que isso dura até o sétimo episódio, quando bruscamente e sem muitas explicações dois personagens vão para dentro da bolha. Um deles, a Capitã, ganha poderes e super força com efeitos especiais incrivelmente bizarros e indignos da Marvel Studio. Visão que já estava bobo, agora está perdido mais que barata tonta. E por fim, a maior coragem (ruim) da série até agora: a vilã.

Como comentado aqui, é uma dádiva de se bater palmas as habilidades da produção casar perfeitamente o roteiro, gravação e edição. Até um certo momento da série, esses recursos narrativos eram vistos como algo corajoso, inovador e empolgante. Contudo, foi usado incansavelmente tão somente que no sétimo episódio chegou ao seu ápice, demonstrando preguiça e maus-tratos com o roteiro, ao apresentar a vilã da série.

Agnes estava tão disfarçada, mais tão, que me pareceu ser uma saída de última hora para a obra. Logo chega o episódio dos 00’s, a qual presenciamos isso como também a falta total de contato entre os personagens com o público. Nos primeiros episódios, sentia-se incluso naquele mundo a ponto de tudo ter uma lógica (dentro daquela loucura). Porém, a coragem, que tanto era criticada por fazer ausência nas obras Marvel, parece ter sido usada para se buscar saídas preguiçosas para o show, que deixa de exibir ousadia e começa a vomitar saídas mesquinhas para com o público e para com seus amados personagens.

Uma verdadeira família

Wanda exibe um lado da Marvel realmente brilhante que saltou os olhos, principalmente no início, com traços e autorreferências primorosas à cultura pop e o audiovisual em si. Além de que, ver não só heróis, mas também um casal (dos mais poderosos) vivendo vidas normais com suas famílias e cotidiano.

A trama envolve de forma efetiva para que possamos criar um laço amoroso com o casal WV. O que por vezes tira o espectador da trama são algumas questões que não ficam claras e resoluções confusas no roteiro. Agnes não tem seu objetivo nítido, e muito menos seus poderes. Pietro, como uma grande brincadeira da Marvel — de mau gosto, diga-se de passagem —, termina frustrando os fãs que tanto queriam ver X-men e MCU coexistindo sem um eliminar o outro. Visão Branco aparece para trocar socos em um show de ação, porém logo toma seu rumo desconhecido em uma conversa no mínimo interessante como saída (admito), visto que os dois são seres super inteligentes, nada mais justo que diálogo para se obter resoluções. 

No fim da série, em seu último episódio, há um sentimento de espera por algo maior. Uma saída para que Wanda não ficasse sem nada. “Ela virou a Feiticeira Escarlate, faz alguma coisa!” — basicamente isso que passava em nossas cabeças. Mas, não...o final é esse mesmo. Não tem Visão fundido com o Branco para se tornar um só. Não tem criação de linhas de tempo paralelas. Não tem capitã Rambeau dando porrada em todo mundo. Não tem Doutor Estranho. Não tem Mephisto (esse só na cabeça do público mais alucinado).

O que quero dizer é que WandaVision terminou de abrir portas que foram abertas anteriormente em Endgame de que — sim, a Marvel pode ser corajosa e arriscar. E nós vimos isso acontecendo na frente dos nossos olhos com os primeiros episódios, até tudo tentar se “marvelizar”, terminando sem muitas mudanças no Universo Marvel além de uma Feiticeira Escarlate a solta e um Visão albino de 3 bilhões de dólares em peça voando pra Deus sabe onde. Em suma:

Para acompanhar o ritmo do começo, esperávamos algo grandioso para essa conclusão. Desandou.

Contudo, o que WandaVision traz em sua essência — que é o amor dos dois — foi um golpe final de acerto em sua conclusão. Sentimos muito e quase cogitamos em não se despedir da família WV. O tchau de Wanda para seus filhos dói porque talvez seja um adeus de fato. O até mais de Wanda para Visão dói também, porque não se sabe até onde vai esse “até mais”. A Marvel conseguiu nesse aspecto: ela criou um sentimento único do público à uma família de super-heróis.

Obrigado, Marvel. Nossos corações nunca mais tinham ficado tão apertados dessa forma. Em Westview, nós vimos uma verdadeira família existindo. Entendemos agora porque WandaVision.

Obrigado pela família WV, Marvel