Stan trouxe um mundo onde ter mais poderes não significa ser mais forte. Trouxe um mundo onde os heróis são humanos como nós. Heróis tocáveis, alcançáveis; homens e mulheres que estão ao nosso lado dia-a-dia ajudando o mundo a ser um lugar melhor.

Stan trouxe a diversidade e a luta pela igualdade para os quadrinhos. Trouxe a história real para esse universo fantástico. Com os X-Men, defendeu a importância daqueles julgados como "diferentes" se unirem e lutarem pelo bem de todos. Stan escancarou que só se vence o ódio com amor, e que o amor é o poder mais forte que existe no universo, e que ele está presente em cada um de nós. 

Ao optar por trazer seus heróis para Nova York, Brooklyn e outras cidades reais, Stan expressava seu desejo de deixar claro que os heróis eram possíveis. Eles podiam se conectar mais facilmente e passar suas lições para cada um de nós.

Quando Stan criou o Quarteto Fantástico, queria retratar os problemas reais de uma família e como esse amor familiar podia definir diversas de suas ações no mundo. E além disso, queria mostrar um novo lado dos super-poderes. Ao contrário do que era feito na época, os super-poderes não eram tratados como uma benção e sim, como uma maldição, um problema, uma mudança drástica no modo de se viver. 

Stan trouxe traumas e fragilidades reais para seus personagens. Se Tony Stark era dominado pelo seu vício em bebidas e mulheres, Steve Rogers era atormentado por viver em um tempo onde todos aqueles que conhecia, já não viviam mais. Um homem fora de seu mundo.

Os dois grandes ícones da Marvel nos cinemas trazem diferenças e semelhanças que evidenciam o mais essencial e particular do ser humano. Fraquezas. Tony, no início, era um homem arrogante e prepotente que tinha uma visão distorcida do mundo, e que precisou ser atingido por suas próprias criações para se dar conta de que as coisas não estavam certas e amadureceu quando muitos já pensavam ser tarde demais. Steve tinha o coração pregado na bandeira dos Estados Unidos, no governo, nas grandes instituições, e precisou ser traído para perceber que nem todos aqueles que estão do nosso lado querem o nosso bem, e amadureceu com isso. Lições sobre mudanças e amadurecimento. É sobre isso que suas histórias falam. 

No entanto, Stan tinha um herói favorito. Um herói em particular que se assemelhava muito ao ser modo de ser e viver. Peter Parker. Talvez um dos personagens mais próximos do mundo real. Um estudante que assim como todos, tinha problemas para conciliar sua vida pessoal e profissional, mas que ainda assim, não deixava de fazer o seu melhor para ajudar aqueles que precisavam.

Peter tinha um diferencial. Ao contrário dos grandes ícones, como o Quarteto e os Vingadores, o Aranha era o herói da vizinhança, aquele herói e amigo próximo que ia onde aqueles grandes heróis não podiam ir. Era a essência pura do que um herói deve ser.

Agora, como suas obras, Stan Lee se torna imortal. O gênio que nunca esteve sozinho em suas criações se junta ao panteão sagrado daqueles que ajudaram a construir todo esse mundo mágico que atinge e salva bilhões de pessoas desde seus primórdios. Os Quadrinhos sempre tiveram um papel grandioso no que tange narrar a nossa história e inspirar boas ações em busca de um mundo com mais amor.

Então hoje, dia 12 de novembro de 2018, nos despedimos de Stan com um abraço forte e sim, entristecido, mas também agradecido por termos tido a oportunidade e o privilégio de acompanhar toda essa sua jornada na criação de mais do que apenas e meros fãs, mas na criação de uma família. Uma família nerd apaixonada por esse incrível mundo de heróis e vilões e tudo o que ele representa.

Muito obrigado, Stan. Excelsior!!

Descanse em paz.