A trama dramatúrgica se desenvolve no início da década de 1980, em Campinas, interior de São Paulo, na chácara Casa do Sol, onde Hilda Hilst morava e se recolhia para produção de seu trabalho. A escrita de “A Obscena Senhora D” é atravessada por uma paixão pelo primo e amante, Wilson Hilst, vinte anos mais novo, e que marca uma relação mais profunda entre vida e obra da escritora, em que realidade e ficção se misturam num mesmo enredo. A novela narra a história de Hillé, mulher sexagenária que decide viver no vão da escada de sua casa e, após a morte do marido Ehud, mantém seus constantes questionamentos sobre os significados da vida, da morte e dos limites do amor, buscando um diálogo com ele e expondo seus conflitos com um Deus, responsável pelas fragilidades e finitude do corpo e do humano.

O texto compõe-se de fragmentos do romance “A Casa da Senhora H” (inédito), de Juarez Guimarães Dias, e da novela “A Obscena Senhora D”, de Hilda Hilst, além de trechos de entrevistas e cartas.

Eu estava presente na abertura do espetáculo e pude conferir de perto a trama que traz a força de Hilda em toda a sua essência. Com casa cheia, o público esteve diante de uma excelente representação que arrancou gargalhas, reflexões e tensão. 

A iniciativa do diretor e dramaturgo Juarez Guimarães Dias coloca em cena a atriz Luciana Veloso que, curiosamente, há pouco mais de um ano não conhecia a fundo a obra da autora. Guimarães Dias, por sua vez, pode se gabar do fato de ter visitado várias vezes a Casa do Sol, a célebre moradia situada em Campinas que a autora dividiu com seus gatos e cães, e que hoje abriga o Instituto Hilda Hilst. Ele, que chegou a conhecer a escritora, conta que há 15 anos vem se debruçando sobre o legado da “maldita”. “E sempre me surpreendo. É uma obra inesgotável, tem algo de muito poderoso ali”, afirma.  

Foi do encontro entre estes opostos que nasceu o desejo de transpor “A Obscena Senhora D” para os palcos. Luciana revela a potência que vislumbrou nas páginas da obra assim que as percorreu. “Fui realmente atravessada pela história. A cada vez que leio, alguma coisa desperta em mim”, salienta.

“A Obscena Senhora D” trabalha com um dos possíveis alter egos da escritora, a personagem Hillé ou Senhora D (o “D” significa derrelição que, por sua vez, significa estado de abandono, desamparo e solidão). 
Hillé é uma mulher sexagenária, que perdeu o marido e está em conflito com questões essenciais, fazendo indagações sobre a vida, a morte e Deus.

Em cartaz no Sesc Palladium até o dia 08 de julho, "A obscena Senhora H" é uma excelente escolha para aqueles que procuram um ótimo espetáculo.

Sexta e Sábado às 20h00, Domingo às 19h00 - 6 a 8 de Julho - Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046 -Belo Horizonte / Minas Gerais) 

Os ingressos podem ser adquiridos pelo site Ingresso Rápido 

 

Fonte: OTempo, AgendaBH, SescPalladium.