Hoje vamos entender um pouco melhor sobre como essa relação com o terrorismo no nosso mundo real influenciou os super-heróis no Cinema. Seja esse terrorismo como organização religiosa ou ideologia de causar o caos no mundo, essa guerra de valores está presente em todos os lugares, até naqueles em que não imaginamos. Podemos ir mais além, a visão americana sobre esses atentatos é que ditam o tom dessas ameaças constantes reforçando que nós nunca estamos cem por cento seguros. 

Não é difícil pegarmos exemplos fora dos gêneros mais realistas. 

Transformers 3 - O lado oculto da lua (2011) explora o terrorismo ainda mais, trazendo terroristas alienígenas que querem atacar o mundo para trazerem um aparato cósmico de destruir a Terra, enquanto o bravo exército americano atrapalha o plano dos vilões.

A imagem que a mídia - inclua os filmes nessa - passam dos terroristas e da chance de sucesso deles é bem diferente. Eles sempre são retratados como pessoas que não têm nada a perder, o que é basicamente a essência de Esquadrão Suicida, e isso está errado. Terroristas não costumam vir de famílias muito pobres ou sem instrução. Muito pelo contrário. Há estudos que mostram que o engajamento político é a principal causa criadora de terroristas, e para que haja a compreensão mais a fundo desse engajamento politico é necessário educação de grau mais elevado, e por isso, terroristas tendem a sair da classe média. 

Três pilares sustentam o engajamento tático e político de um terrorista. Vingança, renome e reação. 

A vingança é o que a gente mais conhece. O inimigo fez algo tão maligno que justifica o sofrimento das pessoas próximas a causa. Um exemplo disso é o Império Galáctico e o Palpatine (Star Was) que são tão maus que justificam a morte de bilhões de trabalhadores assalariados se formos pensar somente dentro da Estrela da Morte. 

O Renome é o que eles buscam. Criar uma imagem que conquiste simpatizantes, que transmite que são uma força capaz de ferir ou derrotar o inimigo. É a propaganda que depende dos ataques e da mídia em cima deles para chamar a atenção para novos membros, ou no caso... Jedi.

A reação é completamente dependente do inimigo, e é o que os terroristas esperam que aconteça com o ataque.

Se os terroristas tivessem recursos para atacar de fato, poderiam encarar o inimigo de frente, por isso dependem tanto de uma tática. Como eles não têm esses recursos, precisam atacar inocentes e aterrorizar o suficiente para chamar a atenção. Isso, porque ao contrário da HIDRA, fazer algo que afeta muitas pessoas diretamente é mais difícil e mais caro.

O Bin Laden, por exemplo, pensou em um ataque à Nova York porque lá seria visto de perto ou televisionado pelos americanos, e ele esperava duas reações: Ou os americanos sairiam do mundo muçulmano, ou eles invadiriam o Oriente Médio. As duas opções eram interessantes para o terrorista, já que ou o deixariam em paz ou justificariam mais ataques do grupo terrorista, trazendo mais membros para a causa. Ainda assim, a Al-Qaeda foi vista como um exército inimigo e causou bilhões de dólares em prejuízo, e investimentos em segurança que os Estados Unidos precisou colocar em aeroportos, sem contar com ações militares e de fronteira. 

O terror foi imensamente desproporcional e com isso, mais americanos passaram a viajar mais de carro, onde o risco de acidentes fatais é dez vezes maior que as viagens de avião. Em 2006, mesmo sem nenhum novo ataque, mais americanos estavam pelo menos um pouco ou muito preocupados com serem vítimas de terrorismo, do que em 2002, um ano após o ataque. 

E aqui chegamos nos nossos heróis.

O trauma para os americanos foi tão grande que ainda aparecem em filmes como O Homem de Aço (2013), ou Vingadores (2012) quando a própria Nova York é destruída por uma ameaça externa. Os heróis passaram a ser traumatizados também. Tony Stark que nos quadrinhos foi atacado durante a guerra do Vietnã, foi nos cinemas, atacado e sequestrado no Afeganistão, onde seu país tinha ido atrás de retaliação a terroristas. Tony acabou se traumatizando com outro ataque terrorista, a invasão de Nova York em 2012 por alienígenas.

Em Batman VS Superman (2016), Bruce Wayne foi traumatizado e passou por cenas parecidas com a de 11 de setembro por conta das brigas dos kryptonianos. O objetivo tático de Bin Laden deu tão certo que até os heróis da ficção foram aterrorizados por ele.

Fontes: Krueger, Alan B. What makes a terrorist?: Economics and the roots of terrorism: Lionel Robbins Lectures. Princeton University Press, 2007.  Krueger, Alan B. "What makes a homegrown terrorist? Human capital and participation in domestic Islamic terrorist groups in the USA." Economics Letters 101, no. 3 (2008): 293-296. Nerdologia.