É uma aula de história contemporânea com uma pitada de apelo para a barbárie que ocorre no oriente médio. A disparidade que há no que diz respeito aos direitos de homens e mulheres, bem como a submissão feminina da forma mais horrenda. Como as mulheres são tratadas? Quais suas obrigações? Qual seu papel na sociedade? É isso que The Breadwinner quer discutir. E o faz! Da forma mais realista possível para uma animação.

A trama gira em torno de Parvana, uma menina que vive no Afeganistão dominado pelo talibã. Quando seu pai é preso injustamente ela se vê obrigada a travestir-se de homem para não deixar sua família morrer de fome. O roteiro toma o devido cuidado de mostrar como as mulheres são subjugadas naquela sociedade, no entanto, sem mostrar diretamente as agressões que sofrem - na verdade, esse mérito é da direção. Durante todo o longa nos deparamos com homens perversos que batem em quaisquer mulheres só porquê suas burcas não estão colocadas da maneira certa, ou porquê saíram de casa desacompanhadas do marido ou filho. Além de mostrar que os mercadores são constantemente fiscalizados para não vender para mulheres. Há também uma sub-trama que casa perfeitamente com os acontecimentos da vida de Parvane, criando uma espécie de metáfora para encorajar a protagonista a seguir na sua "missão"; algo que enriquece ainda mais o roteiro.

A fotografia da animação é bela e sombria, já que vemos as casas despedaçadas em virtude dos bombardeios da guerra civil, inclusive, há uma cena que mostra as crianças sentadas em cima dos tanques de guerra, o que é muito triste, mesmo que seja uma realidade para o local. A trilha sonora segue as "batidas" típicas das músicas orientais, mas dão um tom para as situações que o filme exibe; ora mais felizes, ora mais melancólicos, ora mais esperançosos. Gostei! E a direção tem o cuidado de não escancarar a violência, já que a classificação é livre, mas não tira o peso que essas cenas precisam para fazer sentido.

Eu gostei demais do filme, principalmente pela mensagem de impacto social, político e religioso. Por mais que não aprofunde questões como o alistamento de jovens para os grupos terroristas, o assunto é abordado, e principalmente nós que estamos mais por dentro do tema, entendemos bem o que eles querem dizer. É um filme importantíssimo, principalmente para o gênero das animações. E eu adoraria vê-lo sendo utilizado nas escolas como mais uma maneira de educar os mais jovens. Valeu demais a indicação ao Oscar.

OBS: Ele está atualmente disponível na Netflix.