Quando Os Incríveis estreou em meados de 2004 logo virou febre mundial. Em primeiro lugar porque era um filme de um novo estúdio de animação que tinha chegado com tudo no mercado ainda nos anos 90, a Pixar; em segundo lugar porque era um filme de super-heróis nada convencional, na verdade, se tratava de uma família comum que por acaso eram heróis, e isso fascinou, pois o que nos é comum não é piegas, e geralmente muito divertido. Então como o longa de animação foi um sucesso a cobrança para uma sequência foi grande. Finalmente, depois de 14 anos, Os Incríveis 2 chegou aos cinemas. E para falar a verdade, não valeu tanto não.

Antes de começar a mencionar os aspectos técnicos do filme, preciso explicar a afirmação acima. O filme por si só faz jus ao seu título e é de fato incrível, mas se colocado diante do tempo em que demorou para ter uma sequência e isolando-o ou até o reduzindo a apenas isso faz com que a experiência obtida até os créditos começarem a subir se torne frustante. Foram 14 anos, um tempo muito grande para produzir uma sequência de um filme tão querido como esse, pois o filme por si é grande e merecia ter uma continuação há muito tempo. Porque demoraram tanto para fazer esse filme? O caso é que o tempo foi o grande vilão dessa história, principalmente para pessoas que como eu eram crianças quando o primeiro estreou e hoje são adultos, se não fosse pela sensação de nostalgia eu não teria gostado tanto quanto gostei.

Mas falando do filme em si e não do contexto, ele consegue se sustentar sozinho. O roteiro de Brad Bird foi extremamente inteligente em fazer isso. Sabendo o que eu mencionei a pouco sobre o tempo de um filme para o outro, ele criou uma trama bem amarradinha, com um roteiro que não tem pontas soltas, tudo tem um motivo para acontecer e uma consequência, de forma que você não necessariamente precisa assistir ao primeiro para entender esse, mesmo que seja o mais lógico. Esse filme é muito independente e expande o universo de heróis, colocando pano na manga para outras sequências ou filmes derivados, talvez até uma franquia. Tem poder/personagens para isso.

O humor é algo bem presente nessa animação, principalmente quando se fala no Zezé e seus novos poderes. É interessante, porque notavelmente ele é o personagem mais poderoso entre todos os outros. Até mais, que o próprio Sr. Incrível. Gelado faz sua participação especialíssima e novos heróis são apresentados. A história percorre a ideia da volta dos super-heróis ao status legal, além de exibir de forma cômica o drama da família Pêra, que é exatamente como todas as outras, só que com alguns poderes a mais. 

Quanto a direção também de Brad Bird, as cenas de ação são lindas. Dá para ver que o trabalho da direção e direção de efeitos visuais foi intenso. Na verdade, ao contrário do que muitos pensam, fazer animação é muito mais difícil do que trabalhar em filmes live-action. O trabalho das equipes de som, direção de arte, efeitos visuais, desenho/ilustração, e do próprio diretor são insanos, principalmente quando se trata de heróis, que teoricamente podem fazer de tudo um pouco. Não é fácil fazer isso funcionar de uma forma limpa, mas a Pixar já está acostumada a fazer animações de altíssimo nível, sendo referência quando o assunto é este, e neste filme não foi diferente. As cores são tão lindas, e os detalhes tão impecáveis que não tem como não gostar.

Não vou negar que chorei quando a trilha louvável de Michael Giaccino começou, esse é um dos filmes da minha infância, e esse homem com certeza sabe como fazer uma trilha com uma linha melódica tão genial como essa tem. Remete poder, habilidades extraordinárias e muita nostalgia.

No mais, o único defeito de Os Incríveis 2 é o tempo que demorou para sair, mas já que agora está disponível, estou empolgada com o universo que pode ser refeito a partir do norte que a Pixar deixou com esse longa. Tem espaço, público, e bons personagens, só espero que não demore mais 14 anos.