Em 2018, a diretora Domee Shi fez sua estreia na Pixar no curta-metragem animado Bao, e nele nós acompanhamos um incrível e emocionante desenvolvimento de uma relação familiar em meio a uma trama fantasiosa.

Após vencer o Oscar em 2019, Domee retornou ao estúdio para assumir seu primeiro longa animado. E aprimorando a ideia de trama familiar fantástica de seu projeto anterior junto a um novo estilo de animação que diversifica a identidade visual já estabelecida pela própria Pixar, nós conhecemos Red — Crescer é uma Fera.

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Red se passa no ano de 2002, e a trama central acompanha a vida de Mailin Lee (Rosalie Chiang), uma jovem que aos 13 anos descobre que as mulheres de sua família são acometidas de um encantamento que as transformam em um gigante panda vermelho quando estão extremamente emocionadas — seja de maneira positiva ou negativa. E junto a essa descoberta, acompanhamos os perrengues de uma adolescente comum e como todo seu amadurecimento se cruza com a magia do panda e traz uma série de desventuras alucinantes e divertidas.

Quando se trata de um filme da Pixar, muitos espectadores esperam por uma história que aborde um dilema emocionante que consiga tirar a maior quantidade de lágrimas possível. E como foi dito no começo dessa crítica, Domee Shi é muito boa em cativar e emocionar com suas tramas, e Red é um projeto que agrega com uma história incrível e que também emociona, mas sem precisar te deixar seu rosto ensopado.

Meilin é uma protagonista extremamente carismática e divertida que de cara conquista o público. E além da sua personalidade, suas relações e seus perrengues são fatores que agregam para que possamos ter uma melhor experiência com o que vamos ver nessas quase duas horas de filme.

Foto de Red: Crescer É uma Fera - Foto 6 - AdoroCinema

E além de uma protagonista extremamente encantadora, os demais personagens que estão em sua volta também apresentam carisma o suficiente para conquistar nossos corações, e também ajudam no desenrolar da trama. 

Desde a vontade de agradar sua mãe até conseguir encontrar sua âncora emocional em suas amizades, cada personagem dentro da história ajuda demais no amadurecimento de Mei-Mei. Até mesmo aqueles que pensamos estar apagados (ou com poucas falas) são perfeitamente bem utilizados quando é preciso, sem deixar a desejar em absolutamente nada.

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Ouso em falar que o roteiro de Red é um dos mais engraçados da história do estúdio até aqui, com momentos em que você gargalha por compadecer com os acontecimentos apresentados na narrativa. E além disso, a trama muitas vezes varia entre o sútil e o cirúrgico quando pretende abordar certos assuntos, principalmente ao tratar sobre adolescência e toda a questão da transição da fase infantil para infantojuvenil. 

E por mais que as aparências enganem, a animação não quer ser mais um projeto recheado de clichês sobre amadurecimento, e ela mesmo mostra que não se enquadra nesse grupo, pois a partir do momento em que ele usa essa ideia e a mescla com o teor fantástico, a história dá um salto de qualidade enorme, e ela também mostra que ela consegue atender os mais variados públicos — usando o lúdico para agradar tanto crianças como adultos que assistem ao filme.

Red: Crescer é uma Fera | Crítica - NerdBunker

E agregado ao roteiro nós temos o belíssimo design apresentando na animação, que como foi citado mais acima, diversifica a identidade visual já estabelecida pela própria Pixar ao longo dos anos.

Esse estilo adotado consegue abraçar tudo o que já foi estabelecido pelo estúdio ao longo dos anos, e ao beber de referências dos traços de obras asiáticas como a do Studio Ghibli, temos um resultado final encantador e que mostra como a Pixar vem se esforçando a mostrar os mais variados estilos em suas produções.

Toda a escolha de cores do cenário são lindas e cheias de vida, e as expressões faciais dos personagens são as mais bonitas que já pude ver em anos assistindo uma produção do estúdio — e o favoritismo para ele na temporada de premiações está firme e forte.

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A trilha sonora do longa também é um ponto alto da trama. Além do excelente trabalho do premiado Ludwig Göransson na trilha original conseguir transmitir um milhão de sentimentos ao longo da trama, também temos a excelente participação dos irmãos Billie Eilish e Finneas O'connell na composição da canção Nobody Like U, do grupo 4 Town (boyband apresentada na história), pois além trazer uma forte nostalgia das faixas dos anos 2000, ela também consegue ficar grudada na sua cabeça por muito tempo — como uma boa música chiclete. É de se esperar que a canção bombe nos aplicativos musicais como We Don't Talk About Bruno após Encanto.

Crítica | Red: Crescer é uma Fera

Red — Crescer é uma Fera é mais um acerto da Pixar quando se fala no casamento entre roteiro e animação, trazendo uma história linda e cativante junto a um traço igualmente magnífico. É uma ótima pedida para quem busca uma diversão em família, trazendo incríveis lições em meio a momentos engraçados e emotivos.

ATENÇÃO: O FILME TEM UMA CENA PÓS-CRÉDITO BASTANTE DIVERTIDA.