Se você quer ter uma experiência nostálgica e reviver algumas coisas da sua infância, seu destino é a sala de cinema mais próxima para curtir a nova aposta da Disney dessas férias, Wifi Ralph: Quebrando a internet, continuação de Detona Ralph (2012).

Ambientado seis anos após os eventos do primeiro filme (literalmente), Ralph e Vanellope descobrem que o Fliperama acabou de possuir conexão wi-fi. Após um incidente com o jogo da corredora, a dupla precisa entrar no vasto e novo mundo da internet para impedir que a casa dela seja destruída.

O roteiro básico de Phil Johnston é muito eficaz para apresentar todos os personagens que vão desenvolver a trama. No entanto, por se tratar de uma continuação, poucos personagens precisam de algum tipo de explanação especial. Embora a trama seja extremamente previsível, o roteiro consegue estabelecer diálogo entre todas as referências que se propôs a fazer, a partir dos trailers e material de divulgação, como os sites e redes sociais, e o maravilhoso mundo da Disney

Nesse caso, mesmo com algumas reviravoltas genéricas, que até fazem cair o nível da animação, as aparições dos personagens de blockbuster atuais e a nostalgia é literalmente o que dá vida ao filme. A ideia de levar os personagens de gamers pra internet é absolutamente sensacional, pois há novas possibilidades a serem exploradas. O que o roteiro tem de maior qualidade sem dúvidas são as inserções das referências. Vemos TODOS os personagens dos quatro estúdios da Disney. Homem de Ferro, Groot, Peter Pan, Ursinho Pooh, Stormtrooper, Os anões; pelo menos os mais importantes de cada estúdio aparece, além é claro do eterno Excelsior Stan Lee, que faz uma aparição mais que especial. 

As princesas são um show de nostalgia à parte. As dubladoras originais foram convidadas para fazer participação especial, e elas estão magníficas e encantadoras como sempre, cada uma na sua própria personalidade. O filme em si é completamente atual. Todos os sites mais famosos tem alguma citação, das redes sociais como Facebook e Instagram a Deep Weeb. Cada uma na sua função e importância dentro da trama. É como se nós fôssemos os personagens que acabaram de mergulhar de fato na internet, e então conhecemos como ela é por dentro. Como surgem os anúncios insuportáveis enquanto navegamos, ou os lances frenéticos no e-bay, além do que geralmente curtimos no youtube.

A ambientação, montagem e direção são um show a parte. Graficamente o filme é impecável, colorido e sombrio no momento ideal. A montagem consegue dar um ritmo até empolgante, especialmente nas cenas que tem mais ação, como nas corridas de carro. E a direção de Rich Moore utiliza cortes extremamente inteligentes. Uma câmera focada nos momentos de tristeza e tensão, ou mais horizontal quando o intuito é uma contemplação geral do ambiente, e até uma brincadeira baseada nos jogos virtuais de vestir as princesas, quando a câmera faz um efeito de esmaecer a imagem, e em seguida aparecer a cena em que elas já estão com outra roupa.

A trilha sonora e os efeitos sonoros são muito bem pensados. Os efeitos são projetados para a cena, igual ocorre em toda produção de animação, e a trilha sonora conta com uma música original (digna de toda princesa da Disney), além de fazer menção as trilhas originais de todos os personagens retratados. Então temos os temas de Vingadores, Star Wars, e de cada uma das princesas. 

Com muita eficiência, WiFi Ralph auxilia a quebrar vários paradigmas e preconceitos. Como a falácia de que mulheres dirigem mal. Tanto Vanellope quanto Shank (voz da maravilhosa Gal Gadot), líder do game online Corrida do Caos, são motoristas natas, que fazem o serviço melhor do que os homens, inclusive. O protagonismo feminino no mundo dos negócios aparece através de Yesss, que comanda o BuzzzTube. O longa ainda dialoga sobre as terríveis consequências de homens que ignoram suas próprias inseguranças. E principalmente, traz à tona o quão terrível, angustiante e nocivo são os discursos de ódio nos comentários da internet, com a frase célebre "As pessoas mostram o seu pior através daí, regra número um ao usar a internet: Nunca leia os comentários"! Precisa ser mais claro que isso?

No mais, Wifi Ralph: Quebrando a internet possui um roteiro simples, mas que cumpre seu papel em juntar tantos universos num só, é um passeio nostálgico às nossas  memórias afetivas dos desenhos infantis, ao mesmo tempo em que tem elementos extremamente atuais e necessários para serem discutidos. Feito para todas as idades, é o programa ideal dessas férias.