Incrivel! É a palavra que define o filme Loving, Vincent (no original). Poucos filmes demonstram uma declaração de amor por parte dos diretores a um artista como em Com amor Van Gogh. A admiração da diretora Dakota Kobiela pelo pintor é explícita da forma mais ímpar possível. Toda a produção do longa foi feita a partir de milhares de quadros pintados a mão a base de tinta óleo, tal qual pintara o artista.

O roteiro é baseado nos acontecimentos e repercussões um ano após a morte de Vincent. Em 1891 Armandi Roulin (Douglas Booth) viaja até a cidade francesa de Arles, o local onde morrera o pintor, para entregar uma carta ao seu irmão Theo Van Gogh que nunca chegara ao seu destino. Lá, ele inicia uma espécie de investigação junto as pessoas que conheceram o falecido, afim de saber se ele realmente se matou. Uma trama simples, mas muito bem feita. Nós estamos na mesma posição que Armandi, e assim como ele vamos descobrindo aos poucos como tudo aconteceu. Ora duvidamos, ora questionamos, ora acreditamos nas pessoas que o rapaz encontra no caminho, mas sempre estamos em sintonia com suas conclusões. Dessa forma, a trama nos prende, e realmente queremos entender quem foi Van Gogh, e como foi sua vida e morte.

125 pintores participaram da criação do longa que inaugurou uma nova técnica para as animações. 65 mil planos pintados a mão compuseram o filme. Sua produção demorou sete longos anos, já que para um segundo do filme era necessário 12 quadros em média, todos pintados a mão, um após outro. Todo esse trabalho conferiu uma montagem espetacular. A experiência de ver as telas animadas é simplesmente incrível, e enriquece ainda mais a história que está sendo contada. A trilha sonora é belíssima, e casa muito bem com toda a expressão dos personagens dentro daquele contexto narrativo. Vale lembrar que quadros do próprio Van gogh foram usados para compor o longa e homenagear ainda mais o artista.

Eu adorei o filme! Acredito que a história de Van Gogh foi brilhantemente contada, da forma mais sensível e exaltando o pintor. Além da lição que recebemos no fim do filme, os gênios nunca são reconhecidos quando estão vivos. Nessa hora, devemos pensar que só damos valor as coisas quando as perdemos. A mensagem do longa é passada com maestria, e não ficaria surpresa se o casal Hugh Welchman e Dakota Kobiela levassem a estatueta dourada para casa. Eles merecem!

*O filme já está disponível na Netflix. Vai lá!