Quando foi anunciado que teríamos um filme sobre a história do grande personagem de Toy Story, Buzz Lightyear, todo mundo ficou mega curioso de como essa narrativa ia se desenvolver. Até porque andar a sombra de uma grande franquia sempre tem seus desafios, mas não é uma novidade no mundo das animações (temos os Minions derivados de Meu Malvado Favorito e os pinguins do filme Madagascar). E aí surge a primeira “decepção” (não colocarei de forma demérita) do filme: o fato de que ali não é a história do Buzz, mas sim o motivo dele ter se tornado um brinquedo.

Sim, porque o Buzz era um personagem de um filme que se tornou uma febre entre as crianças, também virando um brinquedo posteriormente. Logo no início do filme somos avisados que esse também foi um filme que Andy assistiu e que se tornou seu filme favorito.

Mas mesmo com esse fato, o filme não perde muito. E eu digo isso da premissa cinematográfica da coisa. A obra é um primor da animação, com todos os fatores que são necessários para um bom filme infantil (e adulto) acontecer de forma interessante. E o mais legal é acompanhar todas as referências que a narrativa traz, passando por grandes clássicos da ficção científica como Star Wars.

Todo o cenário do espaço, com personagens encantadores e carismáticos nos leva para o mundo dos patrulheiros espaciais e todos os desafios aos quais eles são obrigados a passar, sem esquecer nem por um segundo do drama seguro e forte que as animações da Pixar costumam trazer, e aqui cito a relação bela do personagem de Buzz com a Comandante Hawthorne.

Apesar do início frenético, a trama é simples, mas certeira quando traz premissas como viagens no tempo e missões difíceis de serem executadas junto com toda a tecnologia de ponta que um dia sonhamos em administrar. Também faz muito bem quando apresenta que o herói não é perfeito e comete erros que podem ter consequências muito graves e toda a sua busca pela redenção.

Ainda assim ele consegue abarcar muitos clichês, que pode não ter agradado a muitos. Mesmo com as tomadas de decisões do que iria se suceder parecerem bastantes óbvias, o trabalho executado cumpre seu papel: mostrar o protagonismo de Buzz e servirem de apoio para sua história, com bons alívios cômicos como o gato Sox. (E aqui deixo minha profunda indignação de não usarem o personagem em Toy Story, já que é difícil entender porque o Andy não iria querer um boneco do Sox, um dos personagens mais legais).

Sim, existem faltas para tramas mais profundas, como podiam explorar mais da mitologia dos patrulheiros, suas funções, de onde surgiram e o que de fato contribuem para sua sociedade, porém são plots que na magia da animação voltada principalmente para o público infantil simplesmente não faz falta. Para mim o único grande problema do filme é não incluir os ETs verdes de Toy Story que eram fãs do Buzz.

A construção das imagens é bem detalhista, beirando até próximo ao live action algo que não é comum dentro da Pixar, junto com uma poderosa trilha sonora feita para o espaço cósmico. O poder da escuridão também é bem visto aqui, sendo trabalhado essencialmente nas cenas de ação.

O filme pode não ser o mais original do estúdio, mas com certeza ficará marcado na história da animação. Esse poderia ser só mais um apelo comercial do estúdio, mas busca e apresenta algo mais além, principalmente porque a história comporta isso. E quem sabe não abarca mais um Oscar pra Pixar heim?