O Mundo Perdido: Jurassic Park é a continuação direta do sucesso que aconteceu em 1993, Jurassic Park. Steven Spielberg retorna trazendo uma história que segue os mesmos preceitos já conhecidos do público, porém, com personagens novos e ameaças que transcendem a “ilha jurássica”. O filme também é baseado em um livro de mesmo nome de Michael Crichton. O longa agora mistura a ameaça humana interferindo na vida “cotidiana” dos dinossauros em uma nova ilha, como também, os dinossauros vivendo baseado em seu puro extinto de animal selvagem. Se antes, mesmo com cercas, não havia o que segurasse essas criaturas, agora temos elas em um ambiente livre e mais numerosos.

“Ohh... Uau... É assim que começa, depois só tem correria e gritaria”, Iam Malcom.

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John Hammond (Richard Attenborough) convoca mais uma vez o matemático Ian Malcom (Jeff Goldblum) após 4 anos desde o incidente no Parque dos Dinossauros. Desta vez, Hammond revela que existe uma segunda ilha (o sítio B) e a INGEN (empresa que é detentora das pesquisas envolvendo dinossauros) planeja invadir e retirar os animais que vivem livremente no local. Um zoológico construído em San Diego é o novo polo de atrações do Jurassic Park, ou seja, a INGEN quer tirar os dinossauros da ilha e leva-los para o continente. Pensando em ter o último registro de seus animais em um habitat natural, Hammond monta uma equipe de observação para que colha informações sobre os animais. Além de Ian Malcom temos: Dra. Sarah Harding (Julianne Moore), Nick Van Owen (Vince Vaughn) e Eddie Carr (Richard Schiff).

“Se quer deixar seu nome, ótimo! Mas pare de deixa-los nas lápides de outras pessoas”.

O problema de construir franquias é que muitos fãs querem acompanhar os mesmos personagens em suas devidas sequências. Aqui, o retorno fica por conta apenas de Ian Malcom que apesar de ser relevante na trama anterior não se destaca tanto para ter o seu ‘filme solo’. Mas com a ajuda de Sara (sua namorada), eles conseguem carregar boa parte do filme nas costas e entregar cenas de ação, acrobacias e interação com os dinossauros. Os outros personagens, como Nick e Eddie, não tem tanta relevância e são pontualmente ajudantes na construção da trama. Outro personagem que acompanha os protagonistas é a filha de Ian Malcom, Kelly Malcolm (Vanessa Lee Chester), que é a cota infantil do filme e não tem cenas de destaque ou relevância. Na verdade, sua participação apenas serve para colaborar com o 'aprofundamento' da vida pessoal de Malcom, que poderia ser descartada e transformada em uma citação ou algo parecido.

Este filme também tem como característica trabalhar a tensão e o perigo da presença dos dinossauros. Isso se montra nos 5 primeiros minutos de filme quando vemos a filha de um casal sendo atacada por pequenos dinossauros. Para complementar este tom, temos cores mais quentes e escuras bem puxadas para o azul, além de muitas cenas anoite. Já a trilha sonora constrói um aspecto mais ‘aventuresco’, ou até mesmo quase sem a presença de música, apenas os sons dos bichos, o que particularmente, torna a cena mais tensa e assustadora.

A trama da INGEN e seus caçadores ‘sequestrando’ os dinossauros traz uma mensagem de crueldade do ser humano perante os animais. Mas, ela fica maçante e desinteressante ao ponto que se percebe que a ganância é a única justificativa para suas ações e, novamente, o motivo da sua queda. São vilões rasos e pouco trabalhados, apesar de terem muitas cenas para serem desenvolvidos. A INGEN é algo que perdura ao longo de toda a franquia. 

"Você tem que morrer para aprender?", Ian Malcom.

Assim como seu antecessor, Jurassic Park II é cheio de cenas icônicas e muito bem feitas. Temos o retorno da mistura de animatrônicos e efeitos 3D, que para a época (1997), continuam de uma excelente qualidade. Nessa aventura temos um filhote de Tiranossauro Rex que interage com os protagonistas e que é o responsável por mostrar o grande poder de pais dinossauros furiosos. Também, a destruição de todo o acampamento da equipe de Malcom pelos dinossauros, o trailer suspenso em um penhasco, o vidro se quebrando aos poucos deixando Sara a beira de um precipício, o carro de Eddie sendo destruído pelos Tiranossauros, o ataque em conjunto dos Velociraptors em um matagal, o Tiranossauro passando a língua em Sara ou destruindo a barraca em que ela e Kelly dormiam entre outros momentos que deixam o filme sensacional.

Aqui temos um novo ambiente sendo explorado, a cidade. O Tiranossauro é levado ao continente e causa um caos em San Diego. Ele está apenas em busca de seu filhote que também foi levado e, com isso, conclui a tese que Sara quer confirmar desde o início do filme: Tiranossauros tem instinto paternal. Porém, a ilha continua sendo o foco central e cenário principal de todo o filme.

Por fim, Jurassic Park II: O Mundo Perdido é uma sequência que se molda aos parâmetros de seu antecessor tentando acrescentar mais a 'mitologia dino'. Os protagonistas Ian e Sara são responsáveis por segurar bem a trama e trazer maior sentido a todo o enredo. Temos mais cenas envolvendo os animais, inclusive cenas mais violentas e sangrentas que o primeiro. Sem esquecer também de elogiar os dinossauros que continuam ameaçadores e sanguinários. O roteiro tenta inovar em alguns pontos mas falha em não trabalhar bem seus vilões e deixar outros personagens de lado. O fim do filme é bastante corrido e nem tanto atrativo, mesmo que o dinossauro esteja no meio da cidade grande.

"É imperativo que trabalhamos junto ao departamento de preservação biológica da costa rica para estabelecer um conjunto de regras para a preservação e isolamento daquela ilha. Estas criaturas necessitam de nossa ausência para sobreviver e, se conseguirmos nos afastar e confiar na natureza a vida encontrará um jeito", John Hammond.