Após sua primeira aparição em Invocação do Mal, Annabelle sem dúvidas se tornou a boneca mais famosa e temida da história do cinema. Protagonizou seus próprios filmes, derivados da franquia de James Wan, e por eles recebeu bilheteria e uma certa aclamação por parte da crítica. Volta agora em 2019 com sua terceira proposta que segue numa tendência mais divertida e menos pretenciosa. Só para adiantar... péssimas escolhas!

Em primeiro lugar, acho válido dizer que essa terceira parte é a menos interessante de todo o cânone da franquia a qual está inserido. Na verdade, sendo bem sincera, foi o filme mais frustrante, chato, enfadonho e ruim que já assisti.

O roteiro é visivelmente inexperiente, pois entrega uma narrativa episódica, piegas e burra. Sim, essa última palavra define bem a principal característica dessa história. Porque poderíamos dizer que Gary Dauberman apenas não quis se arriscar num projeto audacioso e tentou ser mais comedido em como contaria essa história.

Mas, a realidade é que ele preferiu emburrecer toda a riqueza que poderia ter sido extraída das personagens, e do próprio símbolo que é a boneca, por pura covardia. Pois, não há nada de diferente em Annabelle 3, tudo já foi feito antes, de uma forma bem melhor. Até mesmo nos próprios filmes dessa personagem.

As piadinhas e ceninhas de romance que ele tenta mesclar com a trama não entra direito. A motivação da personagem que liberta a boneca é boa, mas abordada tão superficialmente que a única vontade que você tem é começar a torcer pela Annabelle. O que mais me incomodou no roteiro foram as saídas de sempre. Tentativas de aterrorizar genéricas- que a propósito nem me assustaram-, atmosfera de terror genérica, com um gelo seco de dar dó, diálogos mais rasos do que poça d'água no asfalto, e personagens aleatórios jogados pra tentar fazer a trama andar. 

A única sacada inteligente de alguma maneira foi se livrar do casal de médiuns imediatamente. Pois, é a filha quem tem que lidar com o problema. E caso eles estivessem presentes, todo esse horror teria sido contido de uma forma mais rápida.

Também é Gary Dauberman quem assina a direção. Nisso, ele se sai bem melhor. Utiliza planos sequência interessantes, e movimenta a câmera na vertical para dar mais "postura" a seus fantasmas, uma certa grandiosidade, o que no fim meio que aterroriza um pouco devido a imponência estabelecida pelo diretor.  

O que me deixa curiosa é que como roteirista ele é inexperiente mas já desempenhou outros trabalhos dentro deste gênero mesmo. No entanto, o ápice do seu filme foi a direção, cuja função ele é estreante. 

Sobre os personagens, podemos dizer que são vazios, sem expressão e quase não cativam. O grande problema é a superficialidade que o roteiro os trata, muito mais do que a atuação em si de cada um. Talvez essa percepção fosse diferente se a trama exigisse um pouco mais de coerência do que gritos deles. Faltou maturidade na execução dos diálogos e na execução das cenas em que finalmente estavam todos juntos ao invés de estar cada um na sua, separados.

Sem falar nos fantasmas e monstros que claramente são uma jogada de marketing para definir um novo derivado da franquia. Me pareceu que tínhamos um cardápio de criaturas malignas, e nossa função seria ir para as redes sociais e começar a discutir. O que mais se saísse bem nessa "filtragem" seria anunciado como próximo agente do caos. É a cara da Warner fazer isso!

Este é um filme que não se encaixa na sua proposta de gênero. É uma comédia, com pitada de romance e um pouco de suspense... só não é terror! A maneira frouxa e superficial que é construída a narrativa é extremamente frustrante. O filme tenta ser tudo e não é nada.

Ele é dispensável. É o típico filme shopping center, onde você vai, senta quase 2h e em seguida vai pra casa sem que aquilo chocasse sua vida de alguma maneira. Uma pena, já que o segundo filme da boneca tinha sido tão elogiado pela crítica. É um desperdício de dinheiro, tempo e paciência. Não recomendo! Agora está por sua conta em risco.