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Assista ao trailer: NASCE UMA ESTRELA | Trailer (2018) Legendado HD
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Tornar-se atual significa muito mais do que tentar se adequar as tendências, e na verdade, se trata de saber se conectar de forma humana e sensível com o público. A delicadeza para se tratar um tema parece ser o caminho mais difícil e principalmente por isso, real, de se apresentar um bela obra.

A Star is Born, traduzido aqui no Brasil para Nasce uma estrela é um filme estadunidense de drama e música, que traz pela primeira vez Bradley Cooper como diretor e roteirista, além de estrelar o filme ao lado de Lady Gaga.

Lady Gaga foi completamente desconstruída para viver a garçonete e cantora, Ally.

A escolha da atriz para o papel, parece ter sido projetada a partir do momento que Cooper tomou a frente do projeto. Isso fica bem claro, em toda a estética que o filme foi produzido. Como todos sabemos essa já é a quarta versão de uma história que já teve Barbra Streisand no papel principal.

Ainda que um dos recursos para reconhecer a importância que Nasce uma estrela tem para os cinemas seja lembrar as antigas versões, a obra de 2018 é um grande ensinamento sobre como tornar um produto atual e sensível. A forma como todos os aspectos foram construídos revela que o filme possui uma personalidade própria em toda a sua constituição e isso fica bem claro e cru, em Ally, a personagem vivida por Lady Gaga;

Confesso que tinha um pouco de medo de acabar não curtindo a interpretação, justamente por esse ser um papel tão próximo e metalinguístico ao que é a verdadeira Gaga. Porém, ao mesmo tempo não me surpreendi quando ficou fácil de assimilar, o quanto a personagem que carrega o filme foi desenhada a partir de detalhes que construíram uma personalidade forte e que se encaixou perfeitamente com a atriz que a interpretou.

A química entre Bradley Cooper e Lady Gaga permitiu uma conexão ainda mais forte com o público.

Foi informado que Lady Gaga exigiu gravar ao vivo todos os momentos em que aparece cantando no filme, e isso significa um compromisso como atriz que não era exigido mas que terminou tão significativo e vai fazer essa produção ser lembrada não só pela sua roupagem incrível, mas principalmente pelas suas boas atuações.

Não só a interpretação foi o grande triunfo dessa vez, como também tudo o que foi construído na história e na conexão entre os dois personagens. Jackson Maine parece uma maneira de Bradley Cooper exorcizar tudo o que ele pode para tentar representar um ser humano que está sem rumo e que parece encontrar uma resposta em um rompante.

A forma como os dois destinos se entrelaçam é interessante e dá espaço para que ao invés do romance ser o ponto principal, as personalidades de cada um sejam exaltadas, mesmo que uma história de vida esteja evoluindo e a outra decaindo. É esse contraponto que ajuda a alimentar a história e faz o espectador entender que o final, talvez não seja feliz para alguém.

Pode ser que o momento de choro não chegue para alguém que tenha gostado do filme e está tudo bem. A forma como essa história foi construída, apesar de ter uma tragédia como grande desfecho, não dá a essa, o poder de tornar esse filme dependente do afeto aos seus amados protagonistas.

O amor entre os dois e como tudo isso é construído é sim um dos grandes pontos que fazem essa história chamar sempre tanta atenção, mas não podemos jamais deixar de lado a importância que a possibilidade de materialização daquilo que tanto se sonha, possui. A emoção gerada no espectador também está ligada aos sonhos e como a busca pela realização é tão importante para a evolução pessoal.

A relação entre os personagens é o destaque mas não obscurece as atuações de cada um, ambos brilham.

Com tantos significados, a atuação de Bradley Cooper complementa a de Lady Gaga com um roteiro que celebra a dureza e a evolução dos tempos de hoje, envoltos da bela performance de Sam Elliot e de um ótimo momento de Dave Chappelle.

A Star Is Born pode não te fazer chorar, mas vai permitir a reflexão, fazendo com que esse seja um daqueles filmes que a gente leva para fora do cinema, não para discutir com os amigos, mas para dentro de nossos corações, onde moram os nossos mais profundos sonhos e as mais dolorosas decepções.