Paulo, Apóstolo de Cristo é um filme tipicamente catequético com o objetivo de mostrar a história de personagens importantes na Bíblia e na história cristã. Com esse sentimento fui à sala de cinema e à essa premissa o filme cumpriu.

Na trama, apesar do nome se relacionar à Paulo (James Faulkner), outro personagem se torna tão importante quanto ele: o discípulo Lucas (Jim Caviezel), um médico cristão muito amigo de Paulo que doa sua vida à Cristo e as obras dEle, incluindo salvar os cristãos perseguidos pelo Imperador Nero na Roma Antiga.

E se o filme fala de intolerância religiosa, vemos que a escolha em veiculá-lo nesse cenário atual não é acaso e visa abranger muito mais do que o público puramente cristão, mas para abrir os olhos e fazer um apelo para os que tantos sofrem mundo afora perseguidos e sem liberdade de propagar o que acreditam.

Para contar a história de Paulo, é introduzido Lucas e ele é fundamental no processo, pois Paulo está velho, doente e preso. Lucas, então, usa da sua pouca influência para adentrar à prisão para cuidar de Paulo e obter conselhos para salvar o povo cristão refugiado em um acampamento tentando se salvar das barbaridades de Nero. Lucas tem a ideia de escrever a história de Paulo para que ela não se perca no tempo e assim eles possam fazer com que mais pessoas permaneçam firmes na fé, mesmo que o mundo esteja sendo queimado fora dos portões do acampamento.

Daí os acontecimentos se desenrolam unindo o presente com o passado de Paulo por meio de flashbacks, o que as vezes pode parecer meio confuso para quem não conhece a história.

Lucas ainda tem um importante papel quando a filha do prefeito da prisão (Olivier Martinez) não consegue se recuperar de uma doença grave, a deixando à beira da morte. Claro que o prefeito não era cristão e claro que Lucas, médico e intercessor, ia salvar a menina. É necessário nesse tipo de narrativa uma prova clara da bondade e presença de Deus. E sim, acredito que o milagre aconteceu mesmo, como acontece todos os dias e a gente nem se dá conta.

As atuações são boas, os efeitos em slow motion também não irritam e são minimamente bem feitos, a trilha é um show à parte conduzindo para cada cena, bem como a fotografia perfeita para cada ambiente, fazendo um jogo de luz autêntico e real.

Um filme feito com poucos recursos e com uma finalidade tão bem traçada não tem como errar. Pode não ter agradado o público geral, acostumado com blockbusters e grandes espetacularizações, pode não ter tido até mesmo publicidade suficiente, mas enquanto houver uma leva de cristãos prontos para consumir conteúdos voltados para eles, narrativas belas e de frases bíblicas irão existir e agradar.