Romances bobos e caricatos normalmente seguem uma fórmula por um motivo. Claramente aquele modelo é o que faz o gênero ter seus amantes e qualquer desvio disso pode trazer uma decepção até para quem tinha as expectativas mais baixas. Outro risco é quando o filme é adaptação de um livro: as comparações vêm e normalmente os fãs literários não costumam aceitar muito bem a obra cinematográfica.

Amor e Gelato reflete sobre isso e resolve não correr tantos riscos. Ele entrega o que o público “precisa”, mas sempre parece que falta algo a mais. É um filme fofo e só. A trama do filme é focada em Lina (Susanna Skaggs), uma recém-formada no colégio que acaba indo passar o verão na Itália após a mãe, que morreu de câncer, pedir a viagem como último desejo em vida. Apesar de só descobrir quando ela já estava doente, a mãe de Lina também passou um tempo na Itália quando tinha a idade dela e confessou ser essa uma viagem que mudou toda a sua vida.

Lina, que sempre foi bastante antissocial e nerd, não se vê animada com a aventura, mas topa por ser um desejo da mãe. Destaco aqui que ela abriu mão de toda a adolescência para cuidar da mãe e perdeu uns bons momentos, entre eles o de se relacionar com garotos. Logicamente esse é um problema rapidamente resolvido quando ela chega à Itália. Já no país, além de se apaixonar pela gastronomia e pelo gelato, a garota ficará dividida entre dois garotos.

O filme possui quase duras horas de duração, mas não mantem um ritmo satisfatório. Às vezes parece que a história roda roda mas não chega a lugar algum, se tornando uma experiência um tanto arrastada. Outro problema é a construção do triangulo amoroso, que não tem um desenvolvimento interessante ou até mesmo explicativo, ficando difícil torcer pelo romance. Sem falar que um deles é mais desenvolvido do que o outro, e como ficamos com a torcida de casais? É simplesmente injusto.

De fato o acerto da produção é justamente na história da mãe de Lina e o fato da garota estar acompanhando os passos da mãe através de um antigo diário. Também a situação envolvendo seu pai e amigos do passado da mãe são muito mais interessantes do que a própria história da protagonista.

Um dos seus interesses amorosos, Alessandro (Saul Nanni), nem chega a ser perto de um personagem interessante. Caricato, sem carisma e enfadonho, sequer dá pra levar a sério o relacionamento dele com Lina e como ela se envolve e se deixa abalar tão profundamente por algo tão raso. Já Lorenzo (Tobia De Angelis) tem muito mais nuances, sendo mais gostoso de acompanhar o personagem que é muito bem interpretado. Chato mesmo só aquela história da namorada que não acrescentou nada à trama. A amiga alívio cômico Addie (Anjelika Washington) é extremamente forçada e sem graça, não funcionando nem como escada para história.

A fotografia do filme também tinha tanto a ser explorado! Afinal, a história se passa na Itália, quantas belas paisagens de Roma poderiam ser muito bem utilizadas? Foi difícil ver o quanto eles perderam, focando em partes muito estereotipadas e sem muita graça. Apesar disso, junto com a trilha sonora, acaba se tornando um trabalho ok, sem tanto brilho ou algo que fique preso na memória.

Sendo assim fica fácil entender o tanto de incoerência que os fãs da história apontaram desde o lançamento do trailer. De fato, essa não é uma narrativa que irá agradar. A falta de carisma, os problemas de ritmo e a pouca caracterização dos personagens são algo que vão pesar no sucesso do longa. No mais, é um bom filme para assistir num dia de domingo chuvoso e só.