Sonhando recorrentemente com a perda da sua família, Peter (Michael Peña) vê seus pesadelos se tornando realidade quando o planeta é invadido por uma força brutal e destrutiva. Ele luta pela vida e para proteger sua família, e acaba por descobrir dentro de si uma força desconhecida capaz de manter todos que ama a salvo.

Extinção é o mais novo filme original da Netflix. O longa traz um roteiro exemplar que beira a perfeição em alguns momentos, contribuindo para um respiro incrivelmente original no que tange todas as narrativas sobre invasão alienígena. Embora a execução da direção não tenha o mesmo requinte, a fragilidade técnica é um contraponto do filme, sendo o ponto negativo da obra. O roteiro, brilhante em algumas partes, traz uma virada inimaginável levando a trama para um alto padrão, e se fecha sem deixar pontas soltas. O fechamento é tão rico, ao mesmo tempo que é simples e direto, que dá margem para outros filmes que explorem esse universo criado, embora não seja totalmente necessário, visto que o filme funciona por si só. 

O filme tem um potencial gigantesco para alçar voos  por terrenos quase inexplorados, mas a direção ruim acaba rompendo com esse salto, e por vezes, o filme cai em um ciclo vicioso do que já vimos antes. Para explicar melhor, vou simplificar em uma analogia simples. Extinção é uma colcha de retalhos com a melhor qualidade no tecido, porém costurado de forma pobre, e o resultado é um produto que sabemos que podia ser muito melhor e que nem era tão dificil assim. A genialidade do roteiro perde o efeito por ter esses momentos brilhantes em momentos inapropriados. É como se para manter o suspense da trama, a própria história se perde no meio do caminho, o que é uma pena. No fim, quando tudo é esclarecido e compreendemos a perspectiva - genial - que o filme aborda, é quando entendemos que não chegamos onde deveríamos.

A direção ruim não chega a prejudicar totalmente o filme, mas seus enquadramentos rasos pouco passam as sensações que deveria ao espectador. Isso acaba prejudicando a atuação de Peña e Lizzy Kaplan, que poderiam ter saído com um trabalho mais emocionante diante de uma fotografia mais arrojada que se espera para um longa dessa capacidade vindo da Netflix. 

Vale ressaltar que o roteiro é de Spencer CohenEric Heisserer, sendo o último responsável pela brilhante A Chegada

Extinção tem uma história muito boa, a reviravolta é um tanto surpreendente e a produção teve uma ideia incrível com toda a conclusão. O filme poderia ser um dos melhores da Netflix se não tivesse deslizado nos elementos citados acima, porém, é recomendável deixar alertado que esses pequenos erros não são totalmente incomodativos; eles podem deixar um cinéfilo exigente e bastante estudado no meio - como eu - um pouco decepcionado, só que, por outro lado, todo o preparo desse longa acaba sendo uma ótima opção para passar o tempo com a família. Além disso, é válido ressaltar que ao longo das cenas somos apresentados de forma indireta à uma filosofia concluída nos últimos minutos de gravação. E é essa filosofia, esse ponto de vista que faz todo o filme valer a pena. Cá entre nós, esse filme poderia ser uma obra prima nas mãos de um bom diretor.