Durante os anos 80, as telas de cinema eram recheadas por grandes clássicos de aventura. Caçadores da Arca Perdida, História sem Fim, Os Gonnies e De Volta Para o Futuro são alguns dos exemplos de grandes obras que influenciam contadores de história até os dias de hoje. 

E foi com base nos clássicos do passado que a Netflix adquiriu o roteiro de um projeto que estava a quase uma década engavetado, e O Projeto Adam finalmente ganhou vida nas telinhas do streaming.

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Ambientado em 2022, o filme acompanha a história a vida do pequeno Adam Reed (Walker Scobell), que entre brigas na escola e uma relação conturbada com sua mãe, acaba se encontrando com seu eu do futuro (Ryan Reynolds), e juntos eles precisam voltar no tempo e reencontrar seu falecido pai para salvar o futuro.

O conceito de O Projeto Adam é muito criativo e instiga a curiosidade do espectador para saber o que podemos assistir nas próximas 1 hora e 46 minutos, e além de nos apresentar a ótima interação da dupla Scobell/Reynolds e um grande elenco de apoio, o longa também conta com a direção do igualmente criativo Shawn Levy. Contudo, é na hora de desenvolver todo esse mix de criatividade que a produção perde suas forças.

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Pela história ter sido escrita na década de 2010, o texto do longa parece não ter sido revisado pelos roteiristas ao longo desses anos na geladeira, tornando-se datado. Principalmente quando falamos das cenas de ação, existem muitas passagens que poderiam subverter as expectativas do longa com novidades se o projeto fosse lançado no passado, mas agora elas acabam se tornando meros clichês que o espectador consegue prever muito antes delas acontecerem (independente dos atos).

Além disso, o arco de motivações que envolve a grande vilã do longa (vivida por Catherine Keener) é extremamente raso, desde o começo da trama até seu desfecho, provando que o roteiro precisava de uma revisada durante todos esses anos parado.

E se a ação e algumas das motivações do longa pecam pela falta de profundidade ou a obviedade, são nos momentos de calmaria, quando dois personagens se reúnem e conversam sobre o tempo e suas relações que o filme consegue tocar o coração de quem está assistindo, gerando momentos emocionantes, e um grande exemplo desse tipo de momento está no diálogo do Adam do futuro (Reynolds) interagindo com sua mãe (Jennifer Garner).

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Os personagens dessa história ganham muito graças ao carisma que seus intérpretes carregam de muito tempo. Alguns personagens parecem ser jogados na trama e apresentam um tempo muito curto de aparição, mas deixam sua marca na memória devido à imagem de quem está interpretando, como o par romântico do protagonista adulto vivido por Zoe Saldana.

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Já os pais de Adam vividos por Jennifer Garner e Mark Ruffalo também entregam o básico do que o texto e a direção pedem, e é junto a eles que temos os momentos de maior emoção do longa (que foram mencionados anteriormente).

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E quando olhamos para a performance da dupla protagonista, Ryan Reynolds entrega o esperado por um projeto em que é protagonista, com um humor ácido e rápido e com uma ótima desenvoltura para a ação, mas ele também entrega muito bem quando o texto e a direção exigem que seu personagem fique mais emocionado na história.

Contudo, é com Walker Scobell que o filme tem seu maior destaque de atuação. Com apenas 12 anos de idade, o jovem ator rouba a cena por completo diante de veteranos de Hollywood, tendo um ótimo equilíbrio entre o humor e o drama (indo além do que o roteiro e a direção parecem sugerir) e também se mostrando como um excelente acrobata para as sequências de ação. O jovem tem bastante potencial na indústria ao longo dos anos.

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Os efeitos visuais e a trilha sonora do projeto podem ser destacados como esquisitos e esquecíveis, respectivamente. Esquisito pelo fato de transformar todo o cenário em algo extremamente artificial, com um excesso de CGI e cenários de plástico que podem tirar os espectadores em certos momentos. E a trilha sonora entrega o básico que a história pede, mas não consegue engrandecer nenhum momento chave do longa.

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A direção de Shawn Levi não revoluciona com a ação que ele havia destacado em entrevistas, mas ela se mantém ágil e consegue emular muito das aventuras que outras obras do passado, dando o tom nostálgico na medida certa no humor e no drama.

O Projeto Adam é um filme que, apesar dos tropeços no roteiro, entrega uma obra que tem o coração no lugar certo, sabendo muito bem aonde quer ir e tendo um elenco e uma direção que se entregam para trazer o estilo dos clássicos dos anos 80 para a nova geração.