O tão aguardado segundo filme do mestre das artes místicas, finalmente estreou, para delírio dos fãs e talvez um rancorzinho dos haters de plantão.

Se sabia muito pouco sobre o que aconteceria em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, além de seus personagens já revelados, Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen), America Chavez (Xochitl Gomez) e Feiticeiro Supremo Wong (Benedict Wong), muito se teorizava sobre as participações especiais - expectativa criada após Homem Aranha sem volta para casa.

Devemos admitir que a maioria dos fãs da Marvel, acostumaram-se mal. Sempre roteiros bem faceies, momentos épicos e glamourosos e muitos não se conformaram ainda que uma nova era chegou, e que novidades serão testadas. De fato Multiverso da Loucura chega dando um silenciador em tais fãs.

Doutor Estranho No Multiverso da Loucura coloca o prego final no caixão da ideia de que os diretores não podem colocar seus selos estilísticos distintos no Universo Cinematográfico Marvel. Cineastas como James Gunn, Taika Waititi e Chloe Zhao ofereceram aos seus respectivos filmes do MCU seu estilo, é claro, mas há algo sobre este novo capítulo que parece que está gritando que esses filmes estão se tornando a regra, não a exceção. De cima para baixo, para o bem e para o mal, o Multiverso da Loucura é um filme de Sam Raimi.

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A trama

Por mais espetacular que os efeitos psicodélicos fossem no primeiro Doutor Estranho, que saiu há mais de cinco anos, o roteiro era muito mais do mesmo, a fórmula típica do estúdio, na medida em que contava a história de origem de um homem branco arrogante adquirindo suas habilidades e, em seguida, derrotando um vilão bem esquecível. A sequência é uma questão diferente – embora inicialmente pareça familiar o suficiente.

Nessa segunda trama, Stephen está mais velho, mas pensativo sobre aonde suas escolhas o levaram. Sua grande reflexão acontece no casamento de Christine Palmer (Rachel McAdams), e percebendo que se ele não tivesse sido tão pomposo, ela poderia ter se casado com ele, a pergunta de ele era feliz chegou para terminar de cravar a duvida em usa mente.

Alias esse é um ponto a se destacar, esse filme é sobre amor e sobre a busca da felicidade, embora os caminhos tomados ate lá sejam bastante duvidosos.

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O Toque de Sam Raimi

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura parece um projeto Raimi até o centro.  Quando ele fez sua trilogia do Homem-Aranha estrelada por Tobey Maguire, sua adoração pelos quadrinhos de super-heróis de Stan Lee e Steve Ditko brilhou, e esse amor nerd brilha mais do que nunca aqui.

As impressões digitais do cineasta  são evidentes em alguns sustos e imagens macabras. Ele também foi o diretor da trilogia The Evil Dead e Drag Me to Hell, é claro, e ele não se conteve com sustos de comédia de terror cartunista.

O filme acaba como uma aventura surreal com zumbis de coração terno, um minotauro de pele verde, um manto feito das almas dos condenados, e um duelo travado com notas musicais. Raimi não tem um novo filme desde Oz, o Grande e Poderoso, em 2013, então talvez ele tenha colocado todas as ideias mais loucas que teve na última década.

Sim, ainda é um blockbuster da Marvel que cumpre os requisitos de um blockbuster da Marvel, e que espera que seus espectadores tenham um conhecimento de todos os blockbusters da Marvel que foram antes dele.

Mas também é tão alegremente estranho quanto qualquer filme cult independente – e não há como Raimi ter feito algo parecido sem que a Marvel realmente confiasse e desse aval. Algumas pessoas vão descartar o filme como um absurdo, e eles poderiam ter um ponto. Mas Doutor Estranho no Multiverso da Loucura é uma enorme quantidade de diversão.

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Elenco impecável

Um dos maiores acerto de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura é graças às performances. Não há um ator ruim no grupo, mas Elizabeth Olsen está maravilhosa como Wanda Maximoff, aliás ela da um show mesclando as atuações de uma Feiticeira Escarlate determinada, poderosa e sem medo de ir atrás do que quer, e de um Wanda, que está mentalmente e emocionalmente quebrada, que tudo o quer é ter seus filhos de volta.

Enquanto isso, Xochitl Gomez fez um trabalho admirável trazendo America Chavez para o MCU e nos deixou esperando ver mais de sua personagem no futuro, a novata no meio de já veteranos da telona, nos deixa encantado com uma performance, meiga, cativante e brilhante.

Rachel McAdams e Benedict Wong apareceram muito mais para fazer do que no filme anterior Doutor Estranho, trazendo mais significados aos seus personagens. E claro, Benedict Cumberbatch foi ótimo como sempre.

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Questionamentos Interessantes

A premissa de ate que ponto o herói tem que ir para ser considerado vilão retém bastante material a se pensar, e é por isso que esse filme é complexo. Ninguém é só herói ou sou vilão, pois as regras que regem o bem e o mal, muitas vezes são manipuladas ao bel prazer de quem as usam.

Será realmente que os fins justificam os meios, ou isso é mera desculpa para que alguns inflijam as regras para tomar decisões ais quais acham melhor?

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Veredito

Embora a Fase 4 certamente não tenha sido tímida em assumir riscos e jogar com estilos e gêneros até agora, o Multiverso da Loucura representa a distração mais extrema da Marvel do molde de algumas maneiras-chave. É emocionante pensar que o MCU pode estar ficando menos precioso com seus brinquedos e permitindo que mais diretores comecem a puxar as costuras, para tecer algo ainda maior e melhor.

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura provavelmente não ganhará novos fãs para o MCU, e pode até desligar alguns , pois é definitivamente uma saída mais dura, mais violenta e macabra do que vimos da Marvel até agora e de certa forma trás uma indicação esperançosa do que está por vir no futuro.