Ah, o racismo, tão perturbador e ao mesmo tempo tão presente em nosso cotidiano. Nossa sociedade, uma maioria, ainda não digere e não consegue compreender de fato como surgiu e como ele é refinado até os dias atuais. Um país quebrado e que nunca teve forma em seu âmago a falta de poder, respeito com a vida e, consequentemente, desenvolveu suas riquezas a disso. Hoje, como diz um personagem de Grace  Passo  em Repúblicao Brasil nunca existiu . Quando ela interpretando a classe pobre fala isso a ela da classe média, o sinal é claro que o país unido e de um povo — feliz e samba único balcão pela mídia — só existe na imaginação de alguns. A realidade é diferente, e é esse gráfico e linguagem queMedida Provisória engaja o público a viajar para o Brasil do futuro que continua com as feridas do passado tão abertas.

O longa conta com incríveis participações, inclusive dessa figura: nosso Emicida.

Lázaro Ramos em sua traz um sci-fi moderno e com debates a partir do seguinte conceito: por mais de séculos, o Brasil "prosperou" para uma oligarquia estrangeira com o diferente direção legal e religiosa de tirar o direito de vida de quase 5 milhões de pessoas que tinham família, história e cultura própria; e o Governo parece ter suporte final —, após várias décadas, que o deve ao próprio povo que o Brasil deve suportar. Apesar disso não se absteve de sua postura elitista e então ensaia, e logo em seguida engata, um golpe contra a população brasileira e…bom, o resto é história — que por sinal é muito bem contada. O longa, que é uma adaptação da peça de Aldri Anunciação chamada de Namíbia, Não!, tem um roteiro que torna mais digerível como críticas até menos para quem não é engajado na causa, com aspectos hollywoodianos que englobam um formato mainstream e apelando para o teor severo de violência escrachada e nudez gratuita presente vulgarmente no cinema brasileiro. E filmada2019, escrita antes, a obra para tornar-se tão humanamente anos em anos primordiais, a obra para tornar-se tão humana em anos de primordiais que não há para os governos tornar-se tão humanos em anos de primordialmente – assim, são tantos os contextos tornando-se tão humanos de limites, sendo assim, são tantos os contextos sendo tão humanos em limites. longa que essa ideia de exportação em massa não parece ser tão impossível assim de acontecer.


A história se sustenta nela de uma forma que a visão do povo preto para com o que está acontecendo é tão única e necessária que tudo ali flui bem. Lázaro domina o curso e coloca nas mãos talentosas de Seu Jorge, Taís Araújo e Alfred Enoch que apesar de encaparem seus personagens com aspectos caricatos, o humano e principalmente, brasileiro, está ali. Esse corpo que se dá na obra realmente traz algo novo pois oferece uma visão de uma parte do Brasil sem o grau de vitimismo e distúrbios morais que se tem em algumas obras brasileiras na historia até então — e que se tornaram parte do imaginário brasileiro quando se fala em cinema nacional. A beleza do Brasil parece sempre estar esganada de forma intencional pela violência que nos esculpiram, como nação, nesses mais de 500 anos de história. Todavia, aqui em Medida Provisória, a esperança e o brasileirês se unificam e demonstram o lado satisfatório de agora saber pelo o quê e contra quem estamos a lutar diariamente e incansavelmente como povo. 


Além da maestria do roteiro, Lázaro Ramos tem o louvor de construir características brilhantes desse futurismo brasileiro. Todas as saídas encontradas parecem fazer sentido junto à direção de arte, criando um verdadeiro clima, excedendo o limite apenas do discurso, que nos faz estar mais perto do Brasil de amanhã. Uma cena a qual Alfred como Antônio grita em sua sacada após uma grande perda, vemos a fotografia impar que transmuta sentimentos únicos que precisam — precisam! — ser vividos na tela do cinema.  A intensidade é dada em cenas curtas, que no papel poderiam parecer pequenas e mais do mesmo, porém no cenário brilhante construído e navegando nas atuações fortes — dou destaque especial a Seu Jorge— Lázaro cria um dos melhores longos deste século em território nacional. Um grande passo para uma nova era que já vinha sendo edificada do cinema brasileiro — até com curtas como o de Grace, longa como M-8 de Jeferson De , ou séries como Cidade Invisível — com suas características próprias mas sem estar isoladas do mainstream, Como legado a estratégia de sucesso na Coreia. Assim vamos seguindo os pés porém desatolando as mãos e dele. 

preciso de mais filmes de Lázaro, que talento!