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Assista ao trailer: Nosso Último Verão | Trailer oficial [HD] | Netflix
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Que a Netflix já virou especialista em produções para o público teen não é novidade para ninguém. A cada mês um novo filme com a temática entra em cartaz e nos faz suspirar de amores ou se perguntar como ainda continuamos com esse ciclo vicioso de comédias românticas com o mesmo roteiro.

O fato é que a queridinha da vez é o romance Nosso Último Verão que traz um panorama da vida de vários jovens recém-saídos da escola que aproveitam as últimas férias antes de embarcar cada um para um canto em suas respectivas faculdades. Até aí tudo bem, já cansamos de ver a realidade pós-colégio de adolescentes americanos, mas de alguma forma esse novo filme traz uma narrativa ainda não tanto apresentada.

Sim, porque na maioria dos filmes ou os personagens ainda estão no colégio ou já estão entrando na faculdade. O período entre os dois de fato é pouco comentado em filmes do gênero. Apesar dessa “inovação”, o roteiro, no entanto traz mais do mesmo.

Em quase nenhum momento me impacta as histórias apresentadas. Temos Erin (Halston Sage), a garota perfeita que apesar de odiar seu trabalho consegue as melhores oportunidades; Griffin (KJ Arpa), o bonitão que quer cursar música, mas decide por administração para agradar o pai; Phoebe (Maia Mitchell), a que foge dos padrões e quer ser cineasta; Alec (Jacob Latimore), o menino que está perdido entre as garotas; Foster (Wolfgang Novogratz), o cara que tenta a todo custo ficar com várias meninas durante o verão; Audrey (Sosie Bacon), a menina que não consegue entrar na faculdade dos sonhos; Mason (Norman Johnson Jr), o cara que até agora to tentando entender o papel dele no filme; e a dupla Chad (Jacob McCarthy) e Reece (Mario Revolori), os esquisitos.

Com tantas histórias dentro do filme, eu esperava que pelo menos elas se encruzilhassem. No entanto, cada um tem seu grupinho e tirando as cenas do dia do feriado que aparentemente eles estão juntos, cada um segue seu rumo sem nem saber da existência dos outros.

Exclusões a parte, é necessário abordar cada grupo de maneira separada. Começamos por Erin que no começo do filme namorava Alec, mas por irem estudar em faculdades diferentes e distantes um dos outros, resolvem terminar. Alex conhece Paige (Gage Golighly), uma sem noção e ignorante taxada como burra (desnecessário, era melhor fazer ela vilãzinha) e começa um lance entre os dois. Nisso Erin parte para outra e acaba conhecendo Ricky (Tyler Posey) durante um jogo de beisebol. Romântico como todo o filme, Ricky, que é jogador de beisebol, acaba caindo em cima de Erin enquanto tentava pegar uma bola. Essa mesma bola também é o convite para um encontro entre os dois.

Enquanto Alec somente existia e tentava terminar o namoro com Paige por sentir falta de Erin, a loira se envolve cada vez mais com Ricky. O que achávamos ser o casal perfeito acaba quando o jogador se revela um mau caráter enrolador. O fim da história do trio eu deixo para que vocês assistam o final e tirem suas próprias conclusões. Só acho que a Erin podia agir melhor do que ela agiu com os dois. Superioridade não mata mosca morta.

O romance que deveria ser o principal do filme não tem carga emocional o suficiente para segurar o embalo. A história de Griffin e Phoebe é até bonitinha com reencontro do passado, a tentativa de não se envolver e blá blá blá, mas a introdução de um romance entre os pais deles foi total furada forçada para o rompimento bem como para ser desculpa para a rebeldia de Griffin e cursar música. Roteiristas, existiam outras formas de causar tudo isso.

Apesar da atuação ser até legalzinha, KJ Arpa é mais um que será taxado sempre como o galã músico e nada além disso (like Noah Centineo e Camila Mendes), a história é tem pouco fôlego e gente se vê torcendo para que haja logo uma tensão entre os dois.

Por fim trago as histórias que mais me surpreenderam positivamente no filme, e que realmente trazem uma narrativa que faça algum sentido em nossa realidade. Primeiro com Chad e Reece, os dois esquisitos excluídos da escola, quando do nada eles entram em um bar para lanchar antes de ir para um ensaio de casamento. Naturalmente os dois estavam de ternos e logo foram confundidos como executivos bem sucedidos. Os dois finalmente foram aceitos e enxergados pela sociedade e pelas mulheres. O fim foi meio sem noção com as mulheres bem mais velhas que eles descobrindo que eles só tinham 18 anos e ficando mesmo assim. Apesar disso, a história de aceitação e não deixar que ninguém diga que você é esquisito e sem qualidades é a que fica.

A segunda história é a de Audrey que sonhava em entrar na universidade, mas que não conseguiu a admissão e estava na lista de espera da sua segunda opção, que ela nem gostava. A moça então resolve arrumar um emprego enquanto decidia a sua vida e termina indo ser assistente pessoal de uma socialite que só pensa em transformar a filha em estrela. A menina, no entanto, dá um show de lições para Audrey que termina tomando uma decisão.

O diálogo de Audrey e amiga Erin é o que a maioria de nós vê na realidade: Audrey não foi fazer faculdade e escolheu ser professora de inglês em um projeto sem fronteiras. Erin não entendeu o posicionamento da amiga que disse “você teve outras oportunidades para seguir esse caminho. Não desmereça a minha carreira de sucesso só porque ela não é igual a sua”. E é exatamente isso, tem gente que não nasceu para grandes postos, faculdades e carreiras importantes, e tudo bem. Não é por isso que seu trabalho não será de sucesso. Todas as áreas são necessárias.

E junto com o plot twist mais aleatório de todos, com Foster, O Garanhão se revelando virgem, notamos que na maioria das vezes nós sustentamos máscaras e histórias que não condizem com a realidade só para nos encaixarmos. Talvez tenha sido essa mensagem que o filme de alguma forma tentou nos expressar.