Quando Homem de Ferro foi lançado em 2008, nós jamais poderíamos imaginar que a partir dali um universo de filmes extraordinários- alguns nem tanto- iriam enriquecer a cultura pop e transformar a forma como é feito, vendido e apreciado o cinema. Foram longos dez anos, mas toda a espera valeu a pena, porque sem dúvidas, Vingadores: Guerra Infinita é o melhor filme do UCM (Universo Cinematográfico da Marvel).

É um filme incrível. Cheio de batalhas, cenas de ação super inspiradas e bem coreografadas, além de uma excelente dinâmica entre os personagens. No geral, o longa conta com quase todo o elenco do UCM- com exceção de Gavião Arqueiro, Homem Formiga e a Vespa, estes que terão seu próprio filme ainda esse ano.

Esse universo, expandido através das histórias em quadrinhos de Stan Lee, teve seu arco fechado com muito êxito, graças a um trabalho minuncioso de roteiro, que colocou um vilão como protagonista e agente do início ao fim.

A história é muito redonda. Ela tem literalmente um começo, meio e fim que faz sentido. Poucos filmes atualmente conseguem ser tão concisos. E é graças ao roteiro de Stephen McFeely e Christopher Markus que nós conseguimos entender todo o senso de urgência que o filme pede. Ora, o centro da trama é um titã, cuja ideologia faz com que este cometa barbáries contra criaturas que tem menos força e poder que ele, mas que ainda sim acredita só estar ajudando e quer ser considerado um salvador. E por mais louco que tudo isso possa ser, dentro da proposta do roteiro ele funciona, e acontece, de modo que nossa atenção é constantemente captada. Esse é o tipo de filme que você não quer parar de assistir.

O roteiro aponta numa direção e nós seguimos, de modo que quando há uma certa reviravolta começamos a questionar o motivo daquele evento anterior, ao mesmo tempo em que conseguimos acompanhar a ideia da trama ficando abertos a tudo que está sendo indicado, até que ele nos surpreende com alguma referência incrível a filmes aclamados pela cultura pop, ou a aparição de um certo antagonista de quando a Marvel ainda estava engatiando com seu universo no cinema.

Os diálogos são inspirados, e as piadas comedidas, na verdade, esse é um dos filmes que tem menos piadas, elas só servem mesmo pra tirar todo o clima tenso que a situação exige. E todo esse misto de emoção, surpresa e apreenção é o que faz com que nos apaixonemos pelo que está sendo contado, e desencadeia os gritos de alegria e entusiasmo, além de muitas lágrimas. Chorei muito assistindo esse filme, foi uma experiência extraordinária.

Em Guerra Civil, os irmãos Anthony e Joe Russo já haviam mostrado que sabem como ninguém fazer funcionar a junção de heróis. Em Guerra Infinita isso não só ficou claro como é o grande trunfo do filme. Sinceramente, é incrível a sensação de ver todos os seus heróis de infância reunidos em torno de uma só causa, e lutando bravamente lado a lado pelo bem maior. Todos os personagens simplesmente funcionam. Cada arco já foi muito bem construido nos filmes anteriores, principalmente os do Capitão América e do Homem de Ferro.

Agora, a única preocupação da direção e montagem foi fazer eles lutarem juntos mas cada um por um motivo específico. Enquanto Tony Stark, Os Guardiões da Galáxia e Homem-aranha foram defender a joia do tempo que estava com o Doutor Estranho, em Wakanda, Capitão América, Viúva Negra, Máquina de Combate, Hulk, Falcão e a Feiticeira Escarlate, se juntam aos súditos do Pantera Negra para defender a joia da mente que estava com Visão.

As cenas possuem várias locações, e uma boa parte da ação não acontece na Terra, mas em planetas galáxia a fora. Achei muito inteligente os núcleos que foram criados, e a maneira como os diretores conseguiram explorar o potencial de cada personagem dentro de suas limitações e abrilhantando suas virtudes. Além de dar um ritmo único para um filme que tem mais de duas horas e meia. Eu quase não senti o tempo passar, mérito da direção e montagem.

Sobre os personagens, só posso dizer que não tinha como dar errado. São todos os atores brilhantes que nós amamos, só que mais juntos do que nunca. De maneira geral, como tem muita gente, cada um é mostrado em tempo determinado, isso meio que distribui o tempo deles em tela como praticamente igual. Lógico que uns aparecem mais que outros, mas todos têm um papel importante, e definitivamente ninguém fica sobrando.

Para mim Thor se destaca dentre os demais porque se mostrou não só importante mas decisivo em muitos momentos, além de colocar pra fora todo poder que só um verdadeiro deus asgardiano teria. Mas confesso que esperava muito mais do Visão.

Em Vingadores: Era de Ultron, ele se mostrou o mais poderoso entre os demais, foi colocado numa situação superior ao próprio Thor (que é um deus). Já nesse filme ele se mostra um verdadeiro "João ninguém", é fraco, extremamente dependente dos outros, e distoa totalmente do que já tinha sido apresentado para nós.

Os Guardiões da Galáxia, especialmente o Senhor das Estrelas, são o alívio cômico do filme, e estão muito bem. Stark e Estranho conseguem manter os egos de lado para planejar uma boa abordagem na tentativa de salvar a joia do tempo, e Steve Rogers continua sendo o capitão (no seu modo literal de agir).

Sobre Thanos, digo com convicção que ele é o melhor vilão da Marvel. É impiedoso, faz o que for necessário para atingir seus objetivos, não está preocupado com as consequências de seus atos, nem o que pode lhe custar toda essa ância de poder.

Foi um personagem muito bem construido desde o primeiro filme dos Vingadores, e foi um grande acerto ter colocado sua história/drama/ideologia/vida como o centro dessa história. Acredito que a Marvel conseguiu o objetivo de colocá-lo como o Darth Vader da atualidade- mesmo eu preferindo o símbolo do lado negro da força muito mais. No entanto, ele pode ser comparado ao sith mais amado da galáxia. Segurem as lágrimas, porque muitos soldados deram baixa nesse filme, e é impossível não sofrer.

Já a trilha sonora e os efeitos visuais são um show a parte. É incrível como Alan Silvestre conseguiu criar uma trilha que tem vida própria e ao mesmo tempo é tão Vingadores. A linha melódica é linda, e é completa, algo que permeia de forma sutil as cenas que precisam desse tom, ao mesmo tempo que preenche os momentos de apelo de forma tão majestosa. É uma trilha inspiradora, tão épica quanto o próprio filme.

E finalmente a Marvel acertou nesses efeitos. Confesso que estava com o pé atrás, mas quando o filme começou, nossa, fiquei pasma com a qualidade dos efeitos, especialmente o CGI de Thanos, que mostra cada detalhe do seu rosto. Foi um grande acerto, isso jamais poderia ter sido um erro nesse filme, já que a Marvel teve dez anos pra aprender a fazer uma coisa decente.

No mais, Vingadores: Guerra Infinita é um filme sombrio, além de ser inspirador, dramático, cômico na medida certa, é urgente, tem um vilão maravilhoso, tem um roteiro bem redondinho e uma direção que merece palmas de pé, além de uma trilha arrebatadora, e efeitos que condizem com a grandiosodade do filme.

Morre pessoas que a gente nem imaginava, e também gente que a gente nem gostava, vale a pena cada segundo e se prepare para soltar muitas lágrimas. A Marvel concluiu mais uma fase com tudo que você nunca viu em um filme de herói, e certamente estamos ansiosos para derramar mais lágrimas e gritar ano que vem. Que venha Vingadores 4.