À medida em que crescemos, passamos a questionar o nosso lugar no mundo e a sair em busca de descobrir quem realmente somos, qual o nosso propósito. No cinema, principalmente no mundo das animações, há milhares de produções que contam esse tipo de jornada, mas sempre há espaço para mais uma.

A Sabiá Sabiazinha (Robin Robin, no original) é um curta-metragem britânico de animação em stop-motion que chegou à Netflix em novembro de 2021, fazendo parte dos lançamentos de Natal da plataforma. Escrito e dirigido por Dan Ojari e Michael Please, e produzido pelo estúdio Aardman Animation (A Fuga das Galinhas e Shaun, O Carneiro), o curta é um dos indicados na categoria de Melhor Animação em Curta Metragem do Oscar 2022.

A história começa quando, numa noite de chuva, um ovo de sabiá cai do ninho e rola até encontrar uma família de ratos. O ovinho choca e o Pai Rato decide ficar com a sabiazinha que nasce. A Sabiá cresce com a família de ratos, tentando se portar como um rato, participando dos furtos de migalhas, mas frustrando as tentativas por não ser furtiva como o restante da família. Após mais um furto mal sucedido, a Sabiá sai sozinha, decidida a realizar um roubo para compensar a família de ratos. No caminho, ela encontra Pega, um pássaro que fala da estrela mágica de Natal e sobre os pedidos que se realizam quando feitos à ela. 

A Sabiá Sabiazinha (Robin Robin). Foto: Netflix/Reprodução.

O filme consegue utilizar o seu tempo para construir uma narrativa com início, meio e fim, sem deixar a sensação de que faltou abordar algo. Fala sobre desejos, sonhos, pertencimento, autodescoberta e o conceito de família, funcionando como metáfora para a busca de si mesmo e da importância de se reconhecer e se aceitar, representado pela Sabiá, que se orgulha tanto de ter crescido numa família de ratos a ponto de desejar ser um “rato de verdade”, enquanto esquece de quem realmente é e de suas qualidades. Nesse ponto, A Sabiá Sabiazinha nos faz lembrar de outras histórias, como O Patinho Feio e até mesmo Pinóquio, quando a protagonista deseja se tornar um rato e chega a fazer esse pedido, embora ele não se concretize.

O curta, muito bonito visualmente, traz personagens e alguns elementos em feltro, além de contar com elementos reais na ambientação, como garrafas e potes de vidro, o que traz delicadeza e maior identificação para quem assiste. O desenvolvimento da narrativa é lúdico e ao mesmo tempo didático, trazendo músicas entre os diálogos e até mesmo situações presentes no mundo animal, como a presença de predador ou o Pega se reconhecendo num reflexo, ação característica dessa espécie de ave e que é muito divertido de notar quando assistimos à produções protagonizadas por animais. 

A Sabiá Sabiazinha (Robin Robin). Foto: Netflix/Reprodução.

Equilibrando bem aventura e comédia, o curta traz uma história bem infantil, ainda que fofa, conta com personagens bastante carismáticos e cumpre bem o seu papel de mostrar uma jornada em busca da autodescoberta e autoaceitação. Realizado pelo estúdio Aardman, responsável por A Fuga das Galinhas e Shaun, O Carneiro, que também já foram indicados ao Oscar, A Sabiá Sabiazinha é cativante em seu gênero, e mesmo a academia gostando de filmes em stop-motion, o curta irá brigar com títulos mais profundos pela estatueta de Melhor Curta Animado no Oscar deste ano.