O gênero da comédia romântica possui uma diversidade de temáticas e formas que são trabalhadas. Uns mais clichês, outros com uma pegada mais moderna e tentando se diferenciar de uma infinidade de outros filmes, mas não é atoa que o gênero tem uma base de fãs tão forte.

Cidade Perdida chega nesse ponto em específico: quer ser muita coisa, mas se apresenta pouco. O filme todo é uma tentativa de humor trash com uma pitada de romance, em uma mistura que quer muito se equiparar à Jumanji, mas sem tanto frescor. E olha que o longa tem um elenco de grande peso!

Este é um filme bobo, ponto. Mas logicamente isso não é um problema em si, já que até os filmes bobos possuem seus fãs e méritos. Acho que o grande incômodo é que o filme bebe em muitas fontes e no final fica um grande “nada”. A premissa trabalha a história da romancista Loretta Sage vivida por Sandra Bullock que acaba indo parar em uma aventura no meio da selva com o modelo de capa do seu último livro Adam (Channing Tatum).

O filme como todo segue rotas malucas, com plots como sequestros e romances incompatíveis, e até tenta uma pitada de sentimentalismo, porém sem tanto sucesso. A narrativa nada mais é do que duas pessoas que aparentemente não tem nada em comum e acabam se apaixonando após passarem tanto tempo juntos tentando sobreviver na mata e fugir de um vilão sem pé nem cabeça.

Mas ainda assim esse é um dos poucos filmes do gênero (principalmente levando em consideração os filmes americanos desse tipo) que conseguem verdadeiramente transmitir humor. Risadas sendo ecoadas dentro do cinema puderam ser ouvidas e verdadeiramente compreendidas, pois as piadas são muito bem construídas nesse ponto. Acredito ainda que um dos pontos acertados foi justamente a inversão dos papeis onde o personagem masculino é satirizado o tempo inteiro.

Apesar disso, o roteiro segue uma cartilha batida de outros longas e consegue ser até mesmo um pouco decepcionante, mesmo sem expectativas criadas. A sensação é que já vimos a história sendo contada por algum dos infinitos filmes de Indiana Jones, mesclando a própria selva com a busca por tesouros de civilizações antigas.

Assim, toda a pressão recai nos ombros dos grandes atores escalados para a obra, que não decepcionam nem um pouco. No entanto os seus aproveitamentos sim podem ser questionados, já que temos a presença do ilustre Brad Pitt que acaba passando poucos minutos em tela. O vilão construído para Daniel Radcliffe também é decepcionante perto do potencial que o ator tem. Interessante é ver que todos esses atores abraçaram a temática pastelão com unhas e dentes e se entregaram ao projeto.

Ainda assim o filme tem seus bons momentos, apesar de eu sentir falta deles explorarem mais toda a questão do luto que a personagem principal está enfrentando no começo, mas também entendendo que nem de longe esse seria o foco do filme. E é uma pena que a partir da saída de Pitt de cena, as piadas começam a perder sua força, dando espaço para um drama completamente superficial.

Dessa forma o filme vai ser tonando o mesmo genérico tantas vezes já visto, sem muitas diferenças para outras produções. O final da obra tende a filosofar demais, fugindo daquela premissa de humor bobo e pastelão que tinha sido adotada, mas sem o peso necessário para ter um drama digno de comédias românticas. Além disso, a falta de uma boa trilha sonora também não ajuda.

A fotografia é outro bom acerto, apesar de pouco explorar a temática da civilização antiga escondida, tendo pouco foco em tumbas bem feitas ou hieróglifos bem trabalhos. Há logo de cara uma repetição de ambientes que nada de especial trazem, principalmente quando comparados a outras produções.

No fim o filme que se propunha a ser diferente no início se perde e termina sendo “mais do mesmo”, sem muitos atrativos para que possa ser lembrado com honra no futuro. Podemos então afirmar com todas as letras que, sim, um bom elenco pode salvar até mesmo um filme medíocre. Para finalizar é bom deixar claro que o longa termina se saindo muito melhor como comédia do que como ação, mais uma clara resposta que não se deve abarcar tudo numa única obra.