O anuncio do lançamento de Eternos, causou forte expectativas, tanto entre os fãs como entre os não fãs do MCU. Podemos dizer que isso, em parte, se deve ao elenco super estrelado com: Gemma Chan, Richard Madden, Lauren Ridloff, Brian Tyree Henry, Lia McHugh, Don Lee, Barry Keoghan, Salma Hayak, Kit Harington e Angelina Jolie. Outra parte se deve ao grande nome por trás da Direção, a ganhadora do Oscar, Chloe Zhao.

Com todo esse investimento, uma coisa era certa: a Marvel tinha grandes planos para essa nova equipe, e assim o fez.

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Quem são os eternos?

Os Eternos foram criados por Jack Kirby e fizeram sua primeira aparição em The Eternals #1 em 1976. Eles são uma espécie de super-humanos criados pelos Celestiais, seres cósmicos extremamente poderosos.

Os Eternos estão na Terra há 7 mil anos, com a missão de defender a humanidade, e mesmo sendo muito poderosos, só poderiam interferir nas ações dos humanos se o assunto envolvesse os Deviantes. Seres que assim como os Eternos, foram criados pelos Celestiais, mas é considerado um projeto fracassado e isso faz todo sentido no decorrer da história.


A Trama

A história de Eternos é totalmente diferente de tudo que a Marvel já promoveu nos cinemas, não vemos nesse filme um ritmo frenético e alucinante como em os Vingadores, ou comedia a todo tempo, muito pelo contrário.

A trama gira em torno dos 10 Eternos, Ajax, Ikaris Sersi, Thena, Kingo, Gilgamesh, Druid, Phastos, Sprite e Makkari e sua luta, a priori, de manter a humanidade a salva do Deviantes. Porém, com o desenrolar da trama vemos que tem muito pano nessa manga.

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Sem pressa

Eternos resolve contar sua história com uma narrativa não-linear, tendo vários flashbacks, explicando como e quando eles chegaram aqui, expondo os aspectos onde eles auxiliavam para a evolução da humanidade de forma lenta e bem explicativa. De fato, isso é necessário para agregar empatia e conhecimento ao público, visto que é uma equipe nova e relativamente desconhecida.

E nesse ritmo somos apresentados a fatores que antecedem nossa história, mas também a fatores que estão na história. Os flashbacks vãos afunilando desde da era mesopotâmica até um passado não muito distante de seis dias atrás.

Apesar de muitos estarem reclamando desse time do filme, os amantes da filmografia de Chloe Zhao estão extremamente confortáveis, pois essa é uma marca registrada da diretora.

Devemos falar de uma das personagens não reais desse filme, a diretora Choé Zhao. Nascida em Pequim, na China, ela é diretora, roteirista e produtora conhecida por seu trabalho em filmes independentes americanos e por ter toda essa gama de conhecimento que ela fez questão de impor em Eternos.

Os Eternos é sua primeira grande produção, além dela ser a primeira mulher a dirigir sozinha um filme do MCU (Capitã Marvel é mais um filme da dupla inseparável Anna Boden e Ryan Fleck).

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Roteiro

Muitos fãs e críticos estavam na expectativa por Eternos querendo saber se o filme entraria na "formula Marvel", título esse que, ao meu ver, é usado erroneamente. Vai dizer que a maioria dos filmes são uma fórmula? Ou, por exemplo, Zack Snyder não utiliza de suas famosas ideias como uma fórmula de identidade própria? O que acontece no caso da Marvel é que sua fórmula deu certo e reformulou o gênero de heróis em seus 10 anos de utilização, sendo até mesmo copiado pela sua "rival". Devemos dizer que 10 anos é muito tempo, uma mudança é mais que necessária e é isso que estamos vendo.

A diretora Chloé Zhao aplica sua marca estética distinta dentro dessa proposta. O resultado é um blockbuster de beleza suave incomum. Cumprindo os requisitos visuais de um espetáculo divino de ficção científica, Zhao, desacelera e desfruta de momentos de naturalismo e quietude, desde um pôr do sol babilônico, à melancolia de deuses atravessando um desfiladeiro, até as planícies tempestivas do meio-oeste americano. O visual cósmico do longa também impressiona, como o confronto quase que poético com os celestiais.

A história traz uma trama complexa, cheia de questionamentos e complicações. Imagina saber que o mocinho não é inocente e que ele não se importa em sujar suas mãos? Ou que os vilões na verdade são, até certo ponto, vítimas? Esse amadurecimento vem sendo ou tentando ser trabalhando nessa nova fase da Marvel, vemos sua iniciação com as series (WandaVision, Falcão e Soldado Invernal, Loki) e agora se estendendo a seus filmes.

Pontos Positivos

Não tem como não creditar o elenco maravilho dentro dessa trama. Mesmo Sersi (Gemma Chan) e Ikaris (Richard Madden) serem consideradas os protagonistas, os demais atores ainda possuem cada um seu momento de brilhar entre uma cena longa de monólogo e outra. Todos dispõem de arcos próprios e bastante identidade.

Destaque para o carisma de Kingo (Kumail Nanjiani) que funciona como alívio cômico da vez, Gilgamesh (Ma Dong-seok) é extremamente carismático e nos cativa a partir de um elo especial que tem com um Eterno específico. Devo elogiar a ótima e satisfatória energia de Lauren Ridloff, como Mikkari, Druig (Barry Keoghan) que tem uma presença magnética e umas duas demonstrações inventivas de suas habilidades, mas que também pouco influi no roteiro, alias Makkari e Druig são um melhor casal que os protagonistas.

Brian Tyree Henry, como Phastos, esse último, aliás, protagoniza a primeira, e deveras tardia, cena de beijo entre dois homens (com o ator Haaz Sleiman) em um filme/série da Marvel. O momento é de arrepiar e carrega consigo parte da enorme carga de representatividade que o filme possui ao dar voz e espaço para heróis negros, latinos, indianos e, tudo isso, sob o olhar sensível de uma diretora chinesa.

Agora, não posso deixar de elogiar Angelina Jolie, a atriz é naturalmente um deslumbre de atuação. Suas cenas, quer seja lutando fisicamente ou psicologicamente contra seus demônios são um show à parte, mesmo como coadjuvante ela rouba a cena para ela só em pisar no ambiente.

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Pontos Negativos

A trama tem alguns pontos negativos, como por exemplo a participação da Ajax (Salma Hayek) que foi muito mal aproveitada. Apesar de ser uma peça fundamental para um dos plots twists, sua personagem não rendeu realmente o que os fãs esperavam.

Outros personagens muito mal aproveitado foram os Deviantes. vendidos como os grandes vilões dos filmes e cheios de maldades que na realidade não fora bem retratado. Apesar de entender que o foco da trama era outro, utilizá-los de forma mais adequada não cairia mal.

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Considerações finais

Ao romper a barreira da mesmice e sendo destemido em, de fato, seguir fundo com a representatividade e inclusão que tanto é prometida no estúdio, Eternos entrega um ambicioso épico de super-heróis visualmente deslumbrante e faminto por subverter a “fórmula Marvel” em algo mais ousado, adulto e que, pela primeira vez, questiona e reflete sobre o que faz de nós humanos.

Por fim, preciso dizer que não há motivos para uma crítica tão árdua e pesada, já que Eternos por si só se consagra como um filme canônico da produtora. A crítica, de certa forma, cobrou mais de Zhoé por ter ganhado o último Oscar de direção, isso é fato. Eles criaram uma expectativa tão grande que se frustraram quando suas expectativas não foram alcançadas. Se vale um conselho: nunca vá assistir um filme com uma idealização sua, afinal não é você quem está roteirizando ou dirigindo o filme.

Eternos cumpre o que promete, mostrando a todos a nova forma da Marvel: seremos presenteados com filmes mais maduros e complexos.