A primeira adaptação cinematográfica de Mortal Kombat chegou em 1995. Embora seja guardado com carinho na memória dos fãs que cresceram nessa época, o filme possui vários problemas. A violência reduzida e coreografias de lutas precárias acabam levando essa obra para um lado mais galhofa. Uma nova versão era a chance de corrigir esses erros. 

É possível notar que os realizadores desse novo reboot tentaram trazer a atmosfera dos jogos. Dessa vez, os fãs não pode reclamar da violência apresentada no longa, já que o que não falta é sangue e membros sendo despedaçados. As lutas estão melhores e faz o público acreditar que os oponentes querem realmente se matar. Cada um dos protagonistas têm a chance de usar os seus clássicos "Fatalities" e bordões. Sub-Zero (Joe Taslim) e Scorpion (Hiroyuki Sanada) são responsáveis pelas melhores cenas do filme.

Os efeitos, em sua maioria, estão bons. O design de produção conseguiu criar figurinos bastante fiéis, desde visuais mais simples, como o de Sonya Blade (Jessica McNamee), até os mais mirabolantes.

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Uma pena que toda a mitologia de Mortal Kombat é deixada em segundo plano para dar lugar ao drama familiar fraco do novo protagonista. De acordo com os produtores, Cole Young (Lewis Tan) foi criado para trazer um público que não conhece a franquia. Contudo, o tiro sai pela culatra quando o filme decide introduzir "Fan Services" que só fãs dos games vão conseguir identificar. Cole se mostra bastante inútil no inicio do segundo ato. O personagem mal tem falas e sempre parece um intruso na história. O longa funcionaria melhor dando o protagonismo para Sonya Blade ou Jax (Mehcad Brooks), que possuem carisma e dramas muito melhores.

Outras decisões narrativas são bastante questionáveis. Por algum motivo, o torneio principal é esquecido e o filme gira em torno de uma trama genérica de vilões querendo invadir a terra. Um dos roteiristas é mesmo de Mulher-Maravilha 1984. Talvez isso explique o porquê do longa ter ideias mal explicadas e conceitos que vão sendo ignorados no decorrer da história.

Por mais que se prove bastante ameaçador, Sub-Zero é rebaixado ao cargo de mero capanga. A rivalidade entre o vilão e Scorpion poderia ter sido melhor desenvolvida. Raiden (Tadanobu Asano) aparece somente quando o roteiro precisa de seus poderes. Ludi Lin tá perdido e leva o papel de Liu Kang muito a sério. Chega até ser ridículo todo momento em que o ator abre a boca.

Em meio a tanto desperdício, Kano é quem mais se destaca. Josh Lawson está confortável no personagem e rouba a cena toda vez que aparece. Kung Lao (Max Huang) tinha potencial, mas foi pouco utilizado.

Por mais que Pokémon: Detetive PikachuSonic: O Filme tenham feito sucesso, Hollywood ainda precisa de uma adaptação que seja mais ousada e criativa. Infelizmente, Mortal Kombat não é essa adaptação. Ao chegar no final, fica claro que os realizadores estão mais preocupados com o futuro do que com o presente.

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