A continuação de um dos queridinhos da Netflix chegou para aquecer uma sexta monótona de quarentena (ou dos trouxas que ainda estão nela). A Barraca do Beijo 2 não teve time melhor para sua estreia, passando boa parte do dia como um dos assuntos mais comentados do Twitter.

Eu confesso que era uma das ansiosas para conferir o filme, que me ganhou pelo trailer. O longa foi uma boa continuação e conseguiu seguir um ritmo interessante como o do primeiro.

Apesar de começar um tanto rápido demais, aliás várias partes do filme adotaram esse modelo, é bem empolgante. Fiquei dividida entre gostar do método e odiar, então acho que é bem do gosto particular de cada um. Foram cenas fofas, que se fossem mostradas com mais detalhes ia dar mais valor ao trabalho em executá-las. No entanto, a jogada de começar nesse ritmo frenético poupou tempo de recapitulagens ou continuar de onde parou. A história andou e seguimos com ela.

Aqui nós voltamos com o relacionamento de Elle (Joey King) e Noah (Jacob Elordi), que agora vivem um namoro à distância desde que o bad boy foi para Harvard. Eu achei muito fofinho todos o nhenhens do começo deles, mas depois foi ficando cada vez mais desencontrado e problemático. Um adendo para a química maravilhosa dos atores, que agora são ex-namorados, mas que fizeram um casal maravilhoso. Quem não sabe da história nem imaginaria.

Vejam, Noah se transformou em um personagem interessante no primeiro filme e tanto poderiam investir nele, seus problemas com raiva e até mesmo sua dificuldade em fazer amigos e se adaptar à faculdade. Mas não, deixaram o cara de mero coadjuvante com atitudes inseguras que não combinam com ele. O relacionamento com a nova amiga Chloe (Maisie Richardson-Sellers) e pivô do todo o desentendimento dele com Elle também foi muito mal trabalhado, tanto que até a cena do aeroporto eu tinha a impressão que a menina era apaixonada por ele e tinha feito tudo de propósito. Deu nem pra simpatizar com a cara dela.

Elle também vive dilemas que pouco se justificam e agora a menina tá em uma onda que virou quase uma mentirosa compulsória, na qual ela não consegue tomar uma decisão sequer sem esconder algum fato importante de alguém.

Mas no geral gostei bastante da introdução do novo personagem Marco (Taylor Zakhar Perez), que veio para fazer um triangulo amoroso (cof cof Para Todos os Garotos que Já Amei) e fez com que Elle pudesse ser o mais ela mesma possível. Em todas as cenas com ele ela não mentia e conseguia ser o mais honesta com seus sentimentos. Talvez por isso a relação deles dois mexeu tanto com ela.

O que ficou legal é que claramente vamos ter uma continuação, com um Marco determinado a conquistar Elle e ela tendo que escolher para qual universidade vai. E ainda temos mais um problema, já que o Jacob Elordi deu uma entrevista dando a entender que não voltaria a interpretar papéis como o de Noah. Abacaxi grande para os escritores!

O elenco continua simpático e conquistador como um todo, eu amo as caras e bocas dos atores, e a fotografia ainda mais brilhante e interessante. Não tem como não se entusiasmar com tantas cores em tela e gente bonita atuando de uma maneira leve.

Porém para mim o grande acerto dessa continuação foi o destaque que deram ao personagem do Lee (Joel Courtney). Eu lamentei muito ele ter tido pouca storyline no primeiro filme, mas neste novo pudemos ver mais tempo dele em tela sozinho e um grande desenvolvimento de sua relação com Rachel (Meganne Young). O menino é fofo, tem sentimentos e ganha o coração de todos os telespectadores. Gostei muito de ver.

Essa foi uma tentativa de amadurecimento dos personagens e de seus problemas. Não diria que obteve sucesso, mas também não foi um desastre total. Dá para passar pano quando lembramos que ainda estamos no âmbito do colegial e o drama teen ainda se faz necessário. O sucesso que o longa recebe é exatamente por esse motivo, então não temos como rotular ele como um outro gênero ao compará-los com clássicos.

Por fim, achei que essa foi uma satisfatória sequência, sem grandes desastres e invenções. Apesar de produzir uma fórmula já pronta, os clichês tem seus fãs e nem tão cedo vão sair de moda. E o mais irônico é que a barraca do beijo, que era a ideia central de toda a trama, nesse segundo filme ficou de escanteio, mas não fez tanta falta. Teve menos beijo (e menos sapinho) rolando, mas com certeza o romance superou!

P.S.: Achei o máximo o pequeno plot que deram ao casal Ollie e Miles e a cena deles ficando juntos na barraca. Representatividade, mesmo que em pequenas doses. Espero ver mais em um possível terceiro filme.