Os 7 de Chicago é mais uma das obras da Netflix que estão concorrendo ao Oscar 2021 na categoria de Melhor Filme. Também o filme concorre nas categorias Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Canção Original, Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Fotografia.

Os 7 de Chicago é um filme dirigido por Aaron Sorkin (A Rede Social) que traz em seu enredo o julgamento que aconteceu em 1969 após um protesto pacífico em Chicago um ano anterior, contra a guerra do Vietnã, se tornasse um confronto direto com a polícia. Esse julgamento aconteceu após 7 pessoas serem acusadas de conspiração pelo Governo Federal dos Estados Unidos.

A história tem bastante personagens e cada um com suas características distintas, por isso, o diretor faz questão de mostra-los em seus ambientes específicos, separadamente, para logo em seguida uni-los. Em cada cena, seja pelas cores ou ambientação, todos tem características próprias. Renner Davis e Tom Hayden (Líderes da SDS) aparecem em uma universidade apresentando imagens da guerra, mostrando a bagagem histórica que eles possuem. Já Jerry Rubin e destaque para Sacha Baron como Abbie Hoffman (Líderes do Yippies) – indicado a Melhor Ator Coadjuvante - aparecem em ambientes mais escuros, cheios de fumaça, relacionando-os com as próprias características Hippies. David Dellinger, típico pai americano, pacifista, aparece em ambiente claro, cores vibrantes, clima mais agradável e por fim Bobby Seale (Líder dos Panteras Negras), cores fortes e quentes e um ambiente tumultuado.

A maior parte do filme acompanhamos o longo julgamento, notificado pela legenda que parece na tela informando os dias. O tom de comédia em algumas situações é inevitável, seja por pequenas piadas, as muitas interrupções de Bobby Seale ou pelas expressões do Juiz Julius Hoffman (Frank Langella). Essas cenas descontraídas servem, por um lado, tirar um pouco da monotonia do filme, assim como, mostrar um pouco de incapacidade do juiz – como é citado ao final do longa. O visual dos anos 60/70 é muito bonito, apesar deles ficarem restritos quase que a apenas a ‘flash-backs’. Dentro do recinto a maioria dos personagens estão de ternos o que não realça tanto a época em que viviam.

Claro que não poderia faltas as críticas sociais, temas bastante recorrentes em filmes indicados ao Oscar. Neste, temos claras visões acerca do racismo – uma cena extremamente perturbadora e cruel de assistir, mas que não deixa de ser a realidade. Também, trata de violência policial – tema muito atual – polarização e patriotismo. Durante o filme também há um show de stand-up de Abbie Hoffman que colabora para mostrar a visão política daquele julgamento. O uso da trilha sonora é muito boa nas cenas, deixando o destaque para “Hear My Voice- Celeste” – concorrendo a Melhor Canção Original – que traz em seus versos a alma do que trata realmente todo o filme. O roteiro também é algo que não desagrada. A história passa a ser contada da melhor maneira, não contendo muitos diálogos que fogem da narrativa, mas que cumprem um papel importante na trama.

Apesar de ser baseado em um acontecimento real, o filme Os 7 de Chicago traz uma visão ótima acerca do que aconteceu nos anos deste longo julgamento. O trabalho que o diretor Aaron Sorkin de conseguir trabalhar a maior parte do filme em um único ambiente é um ponto a se enaltecer. A utilização de imagens reais com as fictícias também são usadas para dar essa quebra nas cenas e trazer movimentação, assim como, ‘flash-backs’ e cenas fora do recinto. São técnicas bastante usadas em filmes com julgamento. Os ângulos escolhidos por ele são bem abertos, o que abrangem os grandes cenários e a visão inteira do júri. A sensação do telespectador é de realmente estar assistindo a um julgamento longo junto com os personagens, mas que pode ter a visão mais panorâmica da situação.

Estando em 6 categorias do Oscar 2021, Os 7 de Chicago é um forte concorrente a essas outras 5 categorias que não incluem Melhor Filme. Trazendo uma bagagem histórica e modernizando-a, o filme cumpre o que estava propondo e chega ao fim de maneira que agrada ao público que não conhecia está história.