O filme acompanha Eddie Brock (Tom Hardy) um jornalista investigativo que, ao ser escalado para entrevistar Carlton Drake (Riz Ahmed), o criador da Fundação Vida, descobre que ele tem realizado experimentos científicos em humanos. Brock decide denunciar esta situação durante a entrevista, o que faz com que seja demitido e sua namorada, Anne Weying, termine com ele.  Após seis meses e ainda desempregado, o repórter vê a oportunidade de voltar à Fundação Vida para investigar o que está acontecendo por lá, mas acaba ele mesmo se tornando uma vítima dos experimentos quando o simbionte Venom invade seu corpo.

Só para deixar claro, Venom, assim como Solo - Uma história Star Wars, é um daqueles filmes que não pedimos. A Sony, em sua tentativa contínua de sugar até a última gota do sucesso do homem-aranha, agora de volta ao lar, persiste no erro de acreditar que explorar a galeria de vilões do aranha, sem o aranha pode dar certo. O pior de tudo é que a ideia em si é até interessante; e de repente, a ausência do herói pode nem ser tão sentida assim. No entanto, estamos falando da Sony, meus amigos, e não podemos esperar grandes coisas. 

Mas justiça seja feita. Venom é um filme sincero. Ele entrega exatamente aquilo que prometeu no trailer. Porém, essa sinceridade não o livra da culpa de ser ruim. Ou seja, mais uma vez o simbionte foi desperdiçado nos cinemas. Mais uma vez se perdeu a oportunidade de trazer o vilão como um grande antagonista em um filme que tinha potencial. 

No início, prometeu-se que Venom seria um filme denso, pesado, para adultos, com pitadas de terror e suspense, e o que nos foi dado, assim como no último trailer, foi um filme que tenta ser uma comédia, mas que nem isso consegue ser. Os diálogos toscos, situações bestas e personagens rasos nos fazem questionar a Sony e essa sua vontade de explorar esses vilões sem saber o que fazer com eles. 

O filme até começa bem. A montagem e o roteiro têm um ritmo ágil e fluido e se dispõe a apresentar sem rodeios o protagonista. Começa então o primeiro problema. Eddie Brock não é um personagem carismático e todo mundo sabe que ele não pode levar um filme ou uma história qualquer nas costas. Mas claro, a Sony ignorou esse fato. Com o avançar do filme, a mesma montagem e roteiro que pareciam ser promissores, evidenciam todos os demais erros da produção. Os personagens são motivados por exageros e idiotices sem o menor sentido, além das coincidências que parecem ligar todos os acontecimentos. O filme esquece de ser verossímil, e apostando em situações improváveis afasta até mesmo o espectador mais empolgado. 

O que surpreende no filme é que ao contrário do que pensávamos, Tom Hardy entrega bem o personagem e carrega nas costas as fragilidades do longa, e pasmem: A montagem exclui toda a questão da dualidade que Eddie Brock carrega ao dividir espaço com Venom. Ou seja: Os erros estão em todos os setores. Ainda conseguimos sentir os conflitos internos de Eddie, mas dá pra perceber que tinha algo mais ali, e que era muito bom.

O que dizer do vilão? Bem... É o clichê do clichê com mais um pouco de clichê. Drake é o clássico vilão exageradamente maniqueísta que foi construído da forma mais rasa possível. Desde o primeiro momento em que aparece, ele se mostra como o empresário rico que só tem um objetivo na vida. Suas motivações são pobres, sem alma, e o roteiro mesmo as esquece ao longo do caminho. Além disso, Drake serve para explicar a cada 5 minutos o que está acontecendo. Então não se preocupe, você não vai se perder no caminho da história. 

Venom carrega pontos positivos. O visual conceitual do simbionte está fiel aos quadrinhos, apesar do CGI ser fraco. É fácil perceber, visto que todas as cenas são noturnas, o que deixa o orçamento mais barato, já que não precisa se preocupar tanto com detalhes. As cenas de ação são legais mas não passa disso. É muito encenado e a gente não se conecta bem com elas. 

Mas bem, todo mundo sabia que não dava para ter um filme bom do Venom sem a presença de Peter Parker na trama. Afinal, até mesmo o visual do simbionte na Terra é baseado no Homem-Aranha. Vamos aguardar o que nos espera nesse futuro que a Sony planeja com seus vilões do Aranha sem o Aranha.

Pra finalizar, vilões do Homem-Aranha sem Homem Aranha é golpe.