Filmes eróticos tiveram grande apelo dentro dos audiovisuais por conquistarem um grande público, seja movido pela curiosidade ou aqueles amantes do gênero. Justamente por brincar com o imaginário sexual, o público se identifica por desejar viver experiências que não são compartilhadas livremente por conta de tabus.

Pensando nisso, e em um nicho extremamente voltado para mulheres acima dos 40 anos, muitas produções idealizam um modelo de relacionamento cheio de fogo e paixão que despertem naquele público um desejo, por muitas vezes não vivenciado em suas vidas reais.

Não atoa um grande auê surgiu em torno da trilogia de 50 Tons de Cinza, com um homem bonitão e sarado e uma virginal moça que tem sua vida transformada pelo dinheiro e pelo sexo. Muita luxúria e luxo em cena, com corpos perfeitos sendo exibidos a bel prazer.

E é nessa pegada que muitos outros longas vêm sendo desenvolvidos, como é o caso do tão polêmico 365 DNI, um filme polonês inspirado no livro de Blanka Lipinska. No longa, Massimo (Michele Morrone) é um homem rico e poderoso que tem uma visão de uma mulher em um momento crítico de sua vida e resolve que irá encontrá-la a qualquer custo. Essa mulher é Laura (Anna-Maria Siekluca), uma polonesa que vive uma relação frustrada, que sai de férias para Sicília em comemoração do seu aniversário.

Lá, Massimo encontra Laura e a sequestra, mantendo-a em cativeiro em uma enorme mansão e dando 365 dias para que ela se apaixone por ele. Primeiro que eu não entendi essa dos 365 dias, faz um total de zero sentido, até porque foi algo que ele só disse e pronto, fim da história. Se em 50 Tons pelo menos existia um contrato, aqui foram só ameaças. Segundo ponto é que a maneira que o cara encontra de chegar até Laura é SEQUESTRANDO a mulher. Assim, não dá nem para tentar entender ou defender.

Se não bastasse todo esse começo problemático, Massimo é um cara completamente agressivo e perturbado, não aceitando ser contrariado e passando muitos minutos em cena com as mãos no pescoço de Laura ou a empurrando violentamente contra alguma superfície.

O filme todo é um covil de romantização para relacionamentos abusivos e objetificação da mulher. Em um momento como o que vivemos, com o avanço de pautas femininas e a luta contra a violência de mulheres, é um verdadeiro desserviço ver um longa endossar comportamentos tão absurdos e inconvenientes.

Os problemas não ficam tão somente no tema abordado, tendo um roteiro pobre, beirando a réplica de outros filmes (fica impossível não ver as referências a 50 Tons) e com uma história que se perde a todo momento. O final é um show de horrores e completamente sem noção.

Até mesmo as cenas de sexo, o grande atrativo usado para “conquistar” o público, são extremamente apelativas, quase que um pornô explicito. Sei que esse foi o objetivo da direção, mas convenhamos que foi extremamente mal elaborado e de mal gosto.

Toda montagem do filme sofre com cenas mal distribuídas, como se fossem somente colocadas lado a lado e torcendo para que ficassem boas ou fizessem sentido. Coisa que claramente não aconteceu. Nada tem continuidade e ou tem apelo fotográfico, sendo salvo somente por belas locações.

As atuações são tão deprimentes, que todo o esforço dos atores em transmitir um certo sentimento tangiam para o lado oposto, trazendo um ar cafona e risível as falas, trejeitos e carões.

Cenas como a do avião, em que ele imobiliza Laura e põe a mão dentro de sua calça, sem a sua permissão e depois tira para “a fazer sofrer” ou diálogos como o que ele diz “não ser o monstro que ela pensa que ele é” e pede para ela “ensinar ele a ser mais gentil”, nada mais cumprem um efeito de vergonha alheia no telespectador e uma vontade enorme de invadir a tela e dar uns tapas naquele homem. Não é um monstro, mas sequestra mulheres e a mantem em cativeiro? Sei.

A direção peca em demasiadas cenas áreas e takes duvidosos nos protagonistas, tentando dar um ar de mistério ou sedução, que falha miseravelmente.

365 dias se resume assim a um filme de um elenco belíssimo, mas sem um pingo de talento para atuação, com cenas apelativas e um roteiro que valida crimes e um problema sério como a Síndrome de Estocolmo. Caminha para ser o pior filme do ano, com poucos concorrentes em seu encalço

Pena mesmo é que o filme vem ganhando atenção pelas polêmicas e por existir uma continuidade nos livros, podendo vir a ganhar uma sequência. Porém podemos ficar com o alento de uma crítica com 0% de aprovação e um apelo de uma continuação caminhando pela mesma porcentagem.