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Assista ao trailer: O Date Perfeito | Trailer oficial [HD] | Netflix
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Filmes adolescentes tem sempre um quê de “eu já vi essa história antes” que é impossível de fugir. Esse tipo de romance é pautado sempre pelos finais felizes entre o casal principal, o que é o caso de Date Perfeito, mas seria ainda mais interessante se o tema pautado no filme fosse amizade.

Sim, porque mesmo sendo um romance o filme fala muito mais sobre amizade e cumplicidade do que de fato sobre atrações românticas. Mas o que esperar de um filme com Noah Centineo não é mesmo? O novo galã é o símbolo do namorado perfeito que mesmo aprontando faz com que a mocinha esqueça tudo e corra para seus braços. Não vejo a hora do ator ser mais utilizado para outros papéis.

De qualquer forma Date Perfeito vem com um roteiro previsível, mas um tanto interessante. Eu gostei da ideia principal, apesar de absurda se você parar para pensar que um pai pagou para um garoto sair com sua filha, principalmente pelo o que se sucedeu depois do encontro com o tal aplicativo.

Eu achei que poderia ser mais trabalhado a parte dele ser um suplente e achei a ideia fantástica de se trabalhar pelo fato do tanto de meninas se submetem a achar um cara ideal e dos sonhos para acompanhar em algum tipo de evento. Brooks (Noah Centineo) nada mais é que um personagem em cada história e isso nos leva a pensar o quão deprimente é a nossa sociedade impositória.

Loucura ou não, a ideia do aplicativo e em como ele o utiliza para entrar na faculdade é o que dá o rumo para toda a história. E, por mínimo que seja, eu gostei.

O que me incomodou profundamente foi a rapidez no desenvolvimento da história. Ainda nos primeiros 30 minutos de filme basicamente tudo já tinha acontecido: a proposta, o encontro, a paixão por Shelby (Camila Mendes) e a criação do app. Talvez se fosse menos robótico a gente pudesse se identificar mais.  

O ponto alto do filme, como já falei, é a amizade. O roteiro tem bons diálogos entre Brooks e Celia (Laura Marano), principalmente a conversa que eles têm na festa de Shelby, que para mim foi tão natural e espontânea que valeu por todo o filme. Ali eu pude enxergar que eles não deveriam ser um casal: eles tinham uma química muito melhor como amigos do que forçar um relacionamento.

Outra questão que é um tanto incômoda é a estereotipação dos personagens. Celia é uma garota rica, mas rebelde, que é contra todas as “imposições” da mãe como se arrumar ou usar saltos. Brooks é o velho menino perfeito que faz merda, mas conquista a todos com um sorriso. Ele tem um melhor amigo gay, Murph (Odiseas Georgiadis), que em romances adolescentes já virou um grande clichê. Além de Shelby ser aquela garota rica sem noção da realidade a sua volta.

Inclusive Camila Mendes já tem uma carinha de riquinha metida e chata e Shelby se parece incrivelmente com Veronica de Riverdale, e por muitas vezes não consegui separar as personagens, o que é muito ruim para um ator. Dificilmente Camila e Noah conseguirão fugir dos personagens recorrentes que vem fazendo, sempre com as mesmas personalidades.

Brooks inclusive trata o pai muito mal durante boa parte do filme e aparentemente sem motivo algum. A relação entre os dois foi muito mal trabalhada para que pudéssemos no mínimo compreender as atitudes do mocinho.

No fim, o filme possui uma trilha sonora característica do gênero, trabalho de câmera muito bom e um cast perfeito para o tipo de produto que promete entregar. Nada novo sob o sol.

Talvez Date Perfeito tenha uma história que poderia ser mais bem trabalhada, vide a melhor cena do filme quando Brooks é requisitado para dar uma volta com uma senhorinha que o dá uma lição de vida, mas pouco é aproveitado para fugir do mesmo padrão de sempre.

Encerra assim como mais um filme de romance adolescente, com mais mocinhos bonitos, protagonistas rebeldes e desencontros entre os pares românticos. Boa pedida para um fim de tarde tedioso e só.