Cruella é um dos live-action mais esperado desse ano, quer seja pela curiosidade do público para entender um pouco sobre a icônica vilã dos 101 dálmatas, ou pela polêmica da dona Disney está dando um filme para uma personagem que prega os maus tratos animais.

Vale ressaltar que o longa trata da história da vilã muito antes dela ser a Cruella De vil, a infância e juventude, bem como sua jornada para ser uma referência de moda.

Cruella que nos leva de volta ao passado, década de 70, em Londres, onde acompanhamos a larápia Estella (Emma Stone), que faz suas jogadas em parceria com o duo Jasper (Joel Fry) e Horace (Paul Walter Hauser). Esperta, criativa e determinada a brilhar com seus designs, espera a chance de mostrar o seu valor, que chega quando cruza o caminho da Baronesa von Hellman (Emma Thompson), uma lenda da moda. Mas, a relação de ambas entra em curso de choque com revelações que farão a jovem Estella surtar e abraçar seu lado mais perverso, criando o alter ego Cruella de Vil.

Cruella e Dálmatas

Não tem como falar da vilã sem citar os Dálmatas, e obviamente eles estão presentes em seu passado. Nos é revelado um grande trauma que em sua infância que justifica bastante sua a versão ao afeto da raça.

O “casaco de pele” com a pelagem dos Dálmatas é ate aplicado nesse filme, e juro que por um momento, quando ela aparece vestida com um belíssimo casaco de pelagem preto e branca você fala: “meu deus ela matou os cachorros”!

A verdade sobre o final dessa trama, não poderia ser contada aqui, o interessante é que todos assistam, mas vale ressaltar que muito mais, que um bendito casaco de pele, a Disney toca em algo, mas profundo saúde mental e transtornos psicólogos

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Amadurecimento da história  

É interessante ver a Disney trabalhar com temática maiores do que o simples preto e branco, bem ou mal. Sabemos bem a realidade toma nuances muito de difíceis de ser catalogada com essas duas opções.

De certa forma, vemos muito da fonte e Joker (2019), para o amadurecimento de tais histórias, trabalhar o vilão explicando suas histórias sem os transformá-los em heróis, ou se dar uma justificativa para suas ações, apenas contando suas histórias, as conclusões ficam a cargo de quem assiste e interpreta tal realidade.

Assim se passa com Cruella, em nenhum momento ela é apresentada como mocinha ou como heroína. Ao contrário ele mesma de chama de má e um pouco maluca.

A dualidade das personalidades de Estella e Cruella é um ótimo ponto para fazer o espectador entender melhor os traços de sua personalidade, bem como sua genialidade, fazendo com que o publico reconheça e diferencie ambas ao decorrer da trama.

Moda além da roupa

 As referências de estilo da vilã da Disney foram ambientadas na capital inglesa na década de 1970, em meio à revolução do punk rock, o filme traz a história da personagem através de looks icônicos. O filme revela a fúria por trás da jovem de cabelos branco e preto.

E é através da moda que Estella se torna Cruella. Criando suas próprias peças, que assim como capas de super-heróis são capazes de conceder poderes, os vestidos transformam a jovem em vilã. Enquanto Baronesa possui um estilo clássico da alta costura, com referências a Dior, Balenciaga e Givenchy, Cruella representa o movimento punk, com maquiagens carregadas, e peças que relembram grandes nomes da moda como Steven McQueen e Versace.

Para a construção dos personagens, foram confeccionados mais de 200 figurinos. Emma Stone veste 47 peças, enquanto Emma Thompson, e os parceiros de crime de Cruella têm 30 trocas de roupa cada um.

Alguns destaques das peças, que acabam chamando a atenção mais do que a narrativa, são um vestido de Cruella feito com 393 metros de organza e mais de 5.000 pétalas de flores (costuradas à mão). Vestindo a peça, Cruella sobe em cima de um carro e consegue cobri-lo com a saia.

As referências a outros estilistas se fazem sutilmente. Com 12 metros de cauda, outro vestido é composto de jornais e retalhos de vestidos de coleções passadas da Baronesa. À primeira vista, partes do vestido usado por Cruella na caçamba de um caminhão de lixo, relembram a icônica peça criada por Elsa Schiaparelli em 1935. A estilista italiana criou uma estampa a partir de recortes de jornais que a elogiavam. Já a versão da Disney, remete a um upcycling afrontoso à Baronesa, visto que mesmo com retalhos e materiais descartáveis, a vilã consegue se destacar com suas criações.

É realmente vistoso assistir os duelos de poder através de criações de vestidos e outras peças. Ver a genialidade de Cruella nos relembra que a moda também é uma forma de se expressar, de protesto, de imposição. A moda nada mais é do que uma forma de comunicação visual artística.

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Trilha sonora

Outro ponto sensacional da trama é sua trilha sonora, que conta com musicas de The Doors e Supertramp, a Nina Simone, Rolling Stones, Queen e The Clash – contando ainda com as faixas originais de Nicholas Britell e a canção-tema de Florence + The Machine.

É o casamento perfeito de ambientação, trama, figurino e música, nos transportando diretamente para o era da revolução punk dos anos 70.

Emma vs Emma

No centro da genialidade da obra estão as atrizes Emma Stone e Emma Thompson, ambas tornando seus papeis memoráveis e entregando um show no quesito atuação.

A atriz mais veterana, apenas exercita uma personagem, mas faz de modo tão saboroso, capaz de imbuir com sutil humor, sem perder a personalidade maléfica. Muitas vezes nos deixando surpresa com as suas atitudes.

Já, a jovem atriz imprimiu algo mais cheio para o espectador, Emma Stone se encontra ainda mais charmosa, e percebe-se que a atriz está bem à vontade no papel, realmente solta, se divertindo. E, quando foi exigido algo mais dramático dela, também entregou. Basta assistir o monólogo da vilã Disney, de frente para uma fonte em uma praça londrina. Os grandes olhos de Emma Stone dizem tudo o que precisa ser entendido ali.

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Considerações finais

Cruella passou a ser um dos melhores live-action da Disney, trazendo uma história intrigante sem perder a essência central de um personagem já tão conhecida de marcante. Além de mostrar um novo ponto de amadurecimento, uma trama que atua em um campo que ultrapassa o rotulo do “Bem e Mal” e nos guia a pensar nos fatores que á por trás.

Vale ressaltar que a obra também é um deleite para os amantes da moda e da alta costura. O filme já está no catálogo da Disney+ como valor de 69,90 e também em algumas salas de cinemas ao redor do país.