Comoção é algo que sempre buscamos quando paramos para escolher um filme para assistir. Os sentimentos estão presentes em todas as produções, pois visam atingir um público de maneiras únicas. Um drama então, busca mexer com as emoções do público e em Milagre na Cela 7 isso está mais presente do que nunca.

Com sensibilidade aflorada, o longa estreou no ano passado, mas vem fazendo sucesso na última semana no catálogo da Netflix, estando em seu top 10. Sua história traz a narrativa de Memo (Aras Bulut Iynemli), um jovem que possui uma deficiência mental, e sua filha Ova (Nisa Sofiya Aksongur). De uma vida simples dividida com a avó Fatma (Celie Toyon Uysal) para uma história conturbada, Memo termina sendo acusado injustamente de um crime que deixa a vida da família de ponta cabeça.

E como não se emocionar ao ver o sofrimento que Memo é imposto a passar e em como ele termina levando de uma maneira leve, ao qual sua deficiência o leva a vida, e conquistando colegas de prisão que não o compreendiam.

O filme é uma lição de bondade e afeto, e de como o amor leva a superar as dificuldades que nos são impostas, tocando o coração de todos os personagens e o nosso.

Memo é uma figura que retrata a união, a compaixão, o entendimento e o mais importante: o olhar humano. Quantas vezes nós ignoramos os Memos da vida, preferirmos nos afastar a ver a pessoa que ali habita e que merece nosso respeito?

Enquanto todos duvidavam que Memo fosse inocente, os presos, aqueles que sempre julgamos como a escória por seus crimes cometidos, são quem acreditam na história confusa que aquele rapaz contava.

Além da trajetória triste e comovente de Memo e Ova, temos ainda uma pincelada nas histórias de outros presos, que nos deixam com o coração na mão igualzinho.

Em seu tempo em tela, o filme ainda trabalha muito com a religião, no caso o islamismo, no pecado, no céu e no inferno, e em como nós seres humanos merecemos ou não estar nesses lugares. E apesar do tema intenso, o filme é preciso em mostrar que nossas ações não são nada sem as intenções, e que a redenção está mais perto do que imaginamos.

De um roteiro primoroso, a direção do filme fez um trabalho incrível com as tomadas das cenas, com destaque para a fotografia e os enfoques nas expressões dos personagens, aos quais são interpretados divinamente, principalmente pelo ator principal, Aras Bulut Iynemli, com uma atuação digna de Oscar, e de Nisa Sofiya Aksongur que interpreta sua filha. A trilha sonora completa o combo, com melodias perfeitas combinando com cada cena e embalando nossas lágrimas. 

Triste, mas necessário, para quem não assistiu se prepare para as lágrimas, pois é inevitável que elas escapem enquanto vemos um amor purinho ali, se desmanchando e se fortalecendo bem na nossa frente. E no fim, quando achamos que já chorou tudo o que tinha para chorar, um combo de cenas arrebatadoras nos destroem.

Sensível, impactante e impossível de nos deixar envolver, uma aula de valorização dos nossos, independentes dos seus defeitos e virtudes, para que possamos confiar mais um nos outros e entender que uma ressocialização é necessária e prudente em uma sociedade tão desestabilizada como a nossa. No fim, acreditar que existam pessoas boas no mundo é reconfortante.