Véspera de feriado parece ser o momento perfeito para lançamentos de filmes amorzinhos, além disso, a Netflix sabe aproveitar bem o contexto pandemia para colocar em seu catálogo filmes que facilmente passariam despercebidos em uma rotina comum, onde o tempo que temos para assistir filmes exigem uma escolha mais acertada.

De qualquer forma, Ricos de Amor é mais uma comédia românica clichê, aquele filme típico de fim de tarde de domingo. E como tal, carrega todos os seus preconceitos e acertos, mesmo tendo muitas dúvidas em seu encalço. Primeiro por ser pré julgado por ser nacional. Segundo porque o trailer lançado pela plataforma, junto com a sinopse decepcionante, traz um ar desinteressante a cerca da história.

Por outro lado, o bonito cartaz e os nomes dos atores principais me levaram a dar uma chance ao longa, que foi até surpreendente.  O filme é bem gostosinho de assistir, leve e pertinente em alguns momentos.

Não muito difícil de ser produzido, o filme traz o clichê do menino rico mulherengo que se apaixona e se transforma em uma nova pessoa. Nesse caso são Teto (Danilo Mesquita) e Paula (Giovanna Lancellotti). Herdeiro de um império do tomate, Teto resolve mentir que era filho do caseiro da fazenda onde mora para poder se aproximar de Paula.

A jovem médica é resistente ao rapaz, mas acaba se envolvendo em uma paixão cheia de mentira. Normal em 90% das comédias românticas. Nesse momento o filme parece que ser bobo demais, com piadas ruins e sem graças, mas no decorrer da história a coisa muda e situações hilárias começam a surgir.

Além do humor, o filme consegue trazer um pouco da realidade brasileira de desigualdade, dinâmicas de poder dentro do trabalho e até mesmo assédio. Logico que é tudo caricato demais, as vezes até um pouco leviano, mas aplaudo o conceito do filme de trazer a história da jovem Monique (Lellê), demitida da empresa do pai de Teto, e a perseguição que Paula sofre com o médico Victor (Caio Paduam).

Junto a toda essa história também sobra espaço para contar os dilemas de Igor (Jaffar Bambirra), que completa o time de personagens que são até bem construídos.

A sensação é de que o enredo é tão comum, que parece que já assistimos a história, porém ele não tira o mérito para uma produção muito bem feita e pensada, com uma fotografia e direção interessante e uma trilha sonora de prestígio assinada pelo DJ Alok.

O filme, no geral, é bem desenvolvido e contém cenas que realmente vemos a história evoluir, sem as coisas sendo jogadas na nossa cara sem mais nem menos. Não se torna assim um filme longo nem cansativo de assistir. O romance é fofo na medida certa e as cenas divididas entre os atores são as melhores.

O que fica claro é que o filme é uma grata surpresa para quem não espera grandes histórias. É um filme ótimo que infelizmente foi muito gongado pela própria Netflix por um trabalho muito do mal feito no pré estreia.

Munido de boas atuações e uma história legal, Ricos de Amor é um clichê que vale a pena assistir.