Já faz um tempo que a Netflix gasta dinheiro à toa em uns filmes bem meia boca. Foi com esse pensamento que ja fui descrente ao filme de suspense no espaço. É certo também que a Netflix entendeu que o povo gosta de suspense, e que também gosta de terror. Então que tal juntar os dois? voilà! temos a fórmula que a produtora vem repetindo dia após dia em buscar de engajamento em sua plataforma. Do top 10 mais assistidos da plataforma, pelo menos uns 3 a 4 lugares são ocupados por produções de ficção científica.

Passageiro Acidental, só pelo nome, que já me parecia péssimo, aparentava ser mais uma experiência medíocre de Sci-Fi oferecida pela Netflix. Para começo de conversa, vamos ao nome original que faz muito mais sentido e se torna mais harmônico com a trama. Stowaway, com a tradução livre para Cladestino, é um filme dirigido pelo brasileiro (olha ai, representando) Joe Penna produzido pela XYZ Films, distribuído pela Netflix que estreiou em 22 de abril de 2021.

A obra retrata a equipe comandada pela capitã Marina (Toni Collete — a mesma de Hereditário, daí você já tira o desastre que vai ter no filme), que junto ao seu biólogo David ( Daniel Das Kim) e a médica da missão Dra. Zoe vão passar por maus bocados quando descobrem que acidentalmente há outro passageiro na nave da missão. No primeiro momento, tudo parece minimamente ok, até que percebem seus recursos estão escassos. A partir daí, o trio precisa tomar decisões mais duras para a sobrevivência deles e da missão a Marte.

A vida fora do espaço

O que os filmes no espaço nos mostram é que até fora da Terra não deixamos nem de ser o que somos nem de ser, mesmo que minimamente, humanos. Diferente de Gravidade (2014) ou de Ad Astra (2019) que buscam questionar a vida e a humanidade, em Passageiro Clandestino o drama gira em torno de personagens mais realistas e de suas escolhas em grupo. Definitivamente o que uma equipe poderia fazer dentro das situações em que são colocados os integrantes da nave deve ser parecido com o que há de real, visto que a tecnologia do filme não está muito distante das que temos atualmente.

Os dilemas que parecemos ter ultrapassados na antiguidade são trazidos à tona. Parece justamente isso: um embate. Estão no espaço, armados com toda a tecnologia possível, mas mesmo assim dilemas antigos ligados à sobrevivência são recuperados e postos na mesa. De modo sensível e sem preguiça, o roteiro do filme nos traz essas questões para dentro daquele cenário de uma maneira quase única. A experiência se torna claustrofóbica na medida que as coisa vão piorando e vamos nos dando conta que decisões precisam ser tomadas.

Não há nada novo por aqui quando se fala de fotografia, cor e som. Não se engane, não se trata de algo ruim. Só é manjado e comum na maioria das obras do gênero por aí. Agora, sobre o VFX, é notório dizer que, apesar do esforço em criar atmosferas escuras, dá para se notar o baixo orçamento ao desenvolver essa parte da obra. Na prática, o brilhantismo está na direção do brasileiro e nas atuações, principalmente da Anna Kendrick e da simpatia do personagem de Shamier Anderson

Passageiro Acidental é um filme simples em quase todas as sua medidas. Traz questionamentos sem muitas complexidades mas funciona em sua medida. Cria sentimentos genuínos de apreço humano, angustia, medo, duvidas e alguns outros que sentimos no nosso dia a dia em situações menos megalomaníacas como uma viagem a Marte. Resumindo: sabe o ponto de inflexão? aquele momento da sua vida que uma decisão pode literalmente mudar o rumo de muita coisa; pronto, Stowaway é sobre os sentimentos que esse momentos nos rodeia só que no espaço.