Homens instigados à fadiga 

Um fracasso de bilheteria com a arrecadação de 101 milhões de dólares, em 1999 nascia de David Fincher, após a conclusão de The Game, o (hoje) aclamado Clube da Luta. A hoje popular obra, que se constitui nos mais diversos fins da cultura pop, ganhando seus gostos e desgostos, começou com o pé esquerdo à época. Podia-se situar esse fracasso à algumas situações, como o problemático Alien 3, ou o contexto de fim de século do período. Contudo, o que mais se aponta como conclusivo para o seu  fiasco foi sua trama um tanto quando difícil de ser vendida.

Ela (a trama) é complexa de ser entendida até para quem assiste ao meio do filme, imagine para o público que aguardaria, com esse titulo, uma historia no mínimo de blockbusters.  O que digo é que, em nenhuma forma possível, o livro homônimo seria tão melhor adaptado se não com Fincher no comando. Por vezes, na versão literária, o andar parece lento. Já na versão de cinema, a velocidade da trama se torna necessária e envolvente de se acompanhar devido as suas habilidades de recorte de roteiro com cena sob cena.

Para que a trama ande nos conformes, Norton dá um show. Simples assim: ele é o Clube da Luta. No sentido figurado, quando ele e Tyler — ou seja, ele e ele mesmo — cria de forma espontânea as brigas de rua de forma sistemática. À primeira vista o personagem de Norton parece um doente mental com sérios problemas depressivos e de insônia. Logo, ao cumprir a existência do Clube, fica obvio que não se trata de um doente mas, sim, de uma doença se alastrando pelas matrizes da sociedade.

Mais que um vírus do capitalismo, o grupo de doentes mentais e não mais físicos como os que o personagem visitara durante as noites da semana, são um reflexo direto de uma sociedade que joga homens aos ares de um sistema que não cuida e só exige. Digo “homens”pois o Clube foi criado para eles, já que os problemas de um gênero não são os mesmos do outro. Viver para ter cansa o personagem de Norton, e o viver para ser interno é significado como Tyler — um homem que vive o agora, um homem que vive o intenso, um homem que é homem.

E é disso que se trata o entorno de Clube da Luta: homens frustrados com o sistema declinante criado por eles para (unicamente) eles mesmos — a frustração de só pensar em si e mesmo errar. Depois de destruir a integridade humana que tentava sobreviver, sobra a eles a anarquia. A destruição do mal criado.

Com isso em mente que, além do apreço técnico de Fincher em dirigir com ótima fotografia e montagem, a obra traz em si o intuito em demonstrar as fraquezas do homem pós-moderno e sua frente capitalista criada. Viver nesse mundo cria um exército sem líder e separados que, nas noites, juntos, compõem o Clube da Luta.  O que é viver em um emprego que você não gosta, fazendo o que não gosta, vivendo o que não queria, na espera de algo vir a mudar? Tyler questiona isso e te leva não apenas sentir a adrenalina novamente com troca de socos em um sótão de bar, como também a diluir o sistema que aparenta drenar suas ambições e aspirações.

Ainda estamos a compôr integrantes do Clube c