Star Wars é uma das sagas mais importantes do cinema que durante anos trouxe uma legião de fãs com seus filmes por contar uma grande história para o púbico, e após alguns altos e baixos em sua trajetória, o grande arco dessa saga chega ao fim de uma forma totalmente desagradável e triste de se criticar.

No começo foi difícil dividir a visão de crítico e fã em relação a esse filme, mas com o tempo tudo foi entrando nos eixo quando os dois pontos de vista entraram em acordo e compreenderam que A Ascensão Skywalker é uma produção que propõe ser uma incrível aventura repleta momentos de tensão e emoção junto a um desfecho apoteótico para a saga, mas que, durante a trama, enxergamos que o filme parece não se importar em contar uma boa história e ousar com suas ideias e acaba desagradando com decisões de roteiro que tendem a ser uma tentativa frustrada de justificar decisões ocorridas em Os Últimos Jedi , pois o episódio anterior deixou muitos fãs frustrados em relação aos caminhos tomados pelo diretor e roteirista Rian Johnson (e falo com tranquilidade que o episódio 8 dessa nova trilogia é o melhor até então).

Durante 141 minutos, o longa se tornou uma bagunça tão grande que mesmo com alguns pontos positivos (que serão ditos mais a frente), tem muito mais erros do que acertos na produção.

O maior dos erros que podemos listar é o roteiro do longa, que pode ser descrito como fraco e repleto de desculpas esfarrapadas pra justificar os eventos decididos  no filme anterior, cheio de diálogos expositivos, um humor desnecessário e situações desagradáveis e previsíveis em diversos momentos do filme.

Chris Terrio J.J. Abrams (junto aos demais produtores da Disney e Lucas Films) parecem ter se reunido para desmerecer grande parte dos elementos criados por Rian Johnson, e com isso eles repetem de maneira errada a fórmula que utilizaram muito bem em o Despertar da Força, incluindo fan services na medida para fazer a história andar, e mesmo gostando de um bom fan service em filmes (como no caso do episódio 7 e em outras franquias cinematográficas), as escolhas presentes nessa trama desapontam mais que agradam, pois parece que eles esqueceram do valor de uma boa história contada e deu alguns passos pra trás com a trajetória dessa nova geração de heróis, pois essa passagem de legado já foi vista em 2015 no episódio 7, e a evolução dos personagens surgiu no episódio 8 com uma história repleta de surpresas, e dessa vez eles decidiram optar por uma nova e forçada passagem de bastão, querendo agradar os fãs que ficaram frustrados e frustrando uma nova leva de fãs da franquia.

J.J. Abrams parecia estar ligado no automático para dirigir esse filme, pois parece que por mais que seja descrito como uma aventura, o episódio 9 tem um ritmo bastante desengonçado de uma corrida contra o tempo, e infelizmente vemos que Abrams estava sob muita pressão do estúdio para encerrar a grande saga de 42 anos após a saída de Colin Trevorrow e todo o lance com Rian Johnson (não vou parar de impor minha indignação a essa péssima passada de pano que querem passar no filme anterior). É triste ver um diretor tão bom como ele numa situação constrangedora como essa.

Em compensação a esses erros, o elenco do filme é um ponto meio positivo do filme, pois muitos deles entregam performances incríveis mesmo com péssimos momentos do roteiro. Daisy Ridley Adam Driver se destacam e entregam um grande trabalho em todas as suas cenas, e mesmo com a trágica história de fanfic, é admissível que ambos os atores tem uma boa química em cena, assim como a atriz tem uma boa interação com Oscar Isaac John Boyega, que não tem um arco para se desenvolver igual no filme anterior, mas conseguem tapar buracos na trama. E mesmo com todo esse bom jogo de atuações, a trama é RECHEADA de vários personagens desnecessários e jogados na história que poderiam render bons momentos narrativos, como os stormtroopers desertores e a trajetória de Lando Calrissian (Billy Dee Williams), mas parece que eles decidiram descartar essas possibilidades para desenvolver o PÉSSIMO retorno do Imperador Palpatine (Ian McDiarmid), que foi um desperdício de personagem e motivação, e sua conexão com Rey foi uma das ideias mais aleatórias e ruins de toda a nova trilogia. E com os retornos de outros atores da franquia, as participações de Mark Hammil, Carrie Fisher e Harrison Ford são bonitas na trama,e elas chegam a tirar um sorriso no rosto, mas são pequenos casos que se salvam aí. Outros aspectos como efeitos visuais, cenas de ação e trilha sonora merecem ser apreciados pela dedicação e pela empolgação, mas ao mesmo tempo, esse apelo não salva tudo do filme.

No geral, Star Wars: A Ascensão Skywalker é um desfecho de franquia com potencial desperdiçado, que tem boas ideias e momentos que divertem de maneira pontual, mas que se prejudica bastante pela falta de coragem no roteiro e com a ideia indiscreta de corrigir para agradar o público.