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Assista ao trailer: Black Mirror: Bandersnatch | Trailer Oficial | Netflix [HD]
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Prepare-se para embarcar em um novo gênero e experiência fresquinho. Esqueça tudo que você acha que sabe sobre Black Mirror. Nesta manhã, 28, a Netflix liberou o tão esperado Black Mirror: Bandersnatch, que não é apenas um filme com experiência aumentada, é algo mais profundo, medonho e que pode ser o início de um novo gênero.

O longa tem como personagem principal, o jovem Stephen, vivido por Fionn Whitehead, um programador de jogos para computador que vive no ano de 1984, e ponto, é apenas isso que você precisa saber antes de embarcar na experiência, já que tudo começa a ficar de cabeça para baixo assim que ele/você põe o pé na empresa em que decide vender seu jogo adaptado de um romance fantasioso.

A atmosfera temporal é impecável, dentro do conceito e premissa apresentada, seja por figurinos, maquiagem e localização física pela Inglaterra dos anos 80. Porém não para apenas nesses elementos, já que o filme faz referências à jogos e músicas da época, que estão presentes de forma quase que inevitável. E que por falar em música, a síntese sonora faz a ambientação ser particular de seu tempo, usando instrumentos e sons neon dos anos 80 em semi-transição para os anos 90.

E por se tratar de um tipo de spin-off da série original de mesmo nome, permite que tudo esteja ligado, então você verá algumas referências à episódios que não estão apenas jogados como easter eggs, e sim como elementos da trama. Porém não só da série que o longa se alimenta, já que há uma cena icônica inspirada em MATRIX de 1999, onde Neo tem o dever de escolher entre a sabedoria ou a ignorância. No entanto, você que deve escolher sabiamente, já que dependendo da sua escolha, se finais alternativos são liberados ou não.


O que dizer dos personagens? Alguns com apenas segundos de cena já nos cativam, criando simpatia e apreço pelos mesmos. Mas a cereja do bolo é realmente o Stephen, que não faz menos que sua obrigação de conseguir dar o melhor em suas dezenas de camadas e ele faz isso com cem por cento de louvor, assim que é o nosso reflexo na trama, conseguindo ser profundo quando necessita, e 'amigável' quando o alívio é requisitado. Assim como os personagens mais secundários, que são de extrema importância  para a história correr; Como seu pai, que consegue interpretar várias versões de si próprio, mas ainda mantendo a essência de ser o pai que cometeu um erro no passado e que ainda sente as consequências dessa ação em seu filho. 

Ação que a obra começa te dando escolhas fáceis, sem o mínimo de dificuldade e peso, exatamente para você começar a se acostumar com a ideia de ser um semideus e ter o controle da situação, para logo depois de algumas escolhas você perceber que há um poder da sua parte, e isso começa a desbalancear muito na trama e em você, à ponto de se perguntar o que realmente é real, se está realmente entrando em contato com as entidades do filme, e se realmente deveria estar ali. 


As escolhas flipam entre o existencial e psicológico, algumas estando apenas no plano regular, onde tudo realmente acontece de forma mais casual, e outras ultrapassam totalmente o imaginário dos personagem, fazendo até com que haja um final totalmente cômico para nós, mas que se pararmos para avaliar, nos mostra que nossa essência é ser cruel, inevitavelmente vendo graça em ver humanos em guerra, e o pior, por nossas escolhas. Isso torna a experiência  diferente de todos as obras de audiovisual lançadas com intuito de ser entretenimento de tv/cinema, ainda mais por uma plataforma de streaming. Causando um impacto à primeira vista, que pode ser bom, mas depois começa a se tornar assustador.

Mas nem só de pontos fortes Bandersnatch é feito, sendo um dos declínios do longa o fato de em alguns momentos ser necessário voltar e perceber que teremos que ouvir os mesmos diálogos, que ainda pequenos se repetidos mais de duas vezes se tornam  pouco frustrantes, além de alguns momentos as escolhas parecerem um pouco obvias de mais, e perdendo um pouco da criatividade.

Entretanto, o conceito e a audácia de lançar uma obra como essa em uma época pós MATRIX é realmente impressionante, a direção de David Slade é inteligente e precisa, e se sai muito bem em ligar toda a história de forma coesa, mesmo sendo um pouco confuso se faltar atenção, além de fazer jus à série, pelo fato de Black Mirror ser considerada uma crítica social tanto quanto Matrix foi, e é ainda hoje. Apesar da última temporada não ter agradado tanto os fãs como as antepassadas, Black Mirror: Bandersnatch consegue se redimir, mostrando que independente do formato, seja longa ou curta, continua sendo o impacto tecnológico que a sociedade não quer, mas que precisa.