Um bairro de Nova York é uma adaptação de uma peça teatral da Broadway que acompanha seus três protagonistas em buscas de seus próprios sonhos. O filme por completo retrata disto, sonhos! Ele traz uma mensagem de mudanças na vida e de conquistas pessoais e suas próprias realizações. Quem guia a história é Usnavi (Anthony Ramos) dono de uma mercearia em Washington, Nova York.

O primeiro ato do filme é fantástico, ele consegue nos apresentar os personagens, que veremos ao longo do filme, como também, o estilo musical, as danças e o tipo de diálogo cantado que veremos ao longo de toda a trama. Isso é algo muito bem trabalhado, e acima de tudo trabalhoso, principalmente para a equipe que construiu o roteiro. Mas Um bairro de Nova York consegue fazer isso muito bem deixando o mais natural possível.

O filme também é cheio de cores, tipicamente destacando a alegria latina desde o momento em que eles acordam até a hora de dormir. Ao longo da trama, e após o clímax, essa tonalidade muda e fica mais fria. Nota-se muito bem a mudança nas cores de amarelos vibrantes para um azul mais frio. Uma reviravolta dramática muito surpreendente carrega um grande peso para as atitudes dos protagonistas após o acontecimento, mas também, prepara-os para o “final feliz”.

Apesar do filme falar de sonhos, temos personagens que querem regredir neste sentido como Nina Rosario (Leslie Grace) que faz esse contraponto de não estar apta a mudanças e deixar seu incrível bairro em NY. Inclusive, ela participa de uma cena fantástica no Salão de Beleza de Daniela (Daphne Rubin-Veja) e Carla (Stephanie Beatriz). Cena está que lembra muito os filmes de Queen Latifah em Um Salão do Barulho.

O longa traz uma grande mensagem do preconceito existente contra os Latinos e leva o assunto de uma forma a fazer os telespectadores se incomodarem, mesmo que o tema não seja trazido de forma agressiva e contemplado em todas as tramas.

Os números musicais são incríveis, com uma grande quantidade de dançarinos em cena desde o primeiro espetáculo. Uma vibe bem Piscinão de Ramos (em uma das cenas na piscina comunitária), músicas bem latinas (com muita lambada e batidas) e, o mais importante, atores e dançarinos que entregam muito na atuação e na dança. As vozes também são muito bem trabalhadas. Cada um deles parece ter um tom em específico para cantar que diferencia um do outro. Usnavi tem um estilo mais puxado para o Hip hop, já Vanessa (Melissa Barrera) tem uma voz mais clássica e calma, assim como, Nina.

Mas, mesmo com esse espetáculo todo, as músicas não são memoráveis e os números de dança também não. Eles são fantásticos, muito bem coreografados, mas se limitam apenas ao filme e não é algo que o público vai conseguir lembrar após o filme. A liberdade que eles têm de usar diversos ângulos para os números chamam mais a atenção, como por exemplo, Nina e Benny (Corey Hawkins) dançando na lateral de um prédio.

Um Bairro de Nova York poderia muito bem se chamar Um Bairro do Brasil. Ele tem uma essncia muito latina em que todos nós nos identificamos. Os costumes, a felicidade, a musicalidade, tudo desse filme é muito bem construído da forma mais feliz e colorida possível. É um musical moderno e traz de volta a essência de filmes bons com música, fora do eixo Disney, deixando o legado de La La Land e O Rei do Show totalmente satisfeito com o seu sucessor.