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Um bom suspense só precisa fazer uma coisa, ser bom no suspense.

Por mais que pareça uma afirmação óbvia, é o que sempre achei quando assisti filmes do gênero. Levava tanto em conta esse pensamento que muitas vezes cheguei a ignorar péssimas atuações só porque a história era bem construída, ou, mais uma vez, o suspense era bom Oi Obssessiva de 2008.

Em Anon somos apresentados a uma simples história de detetive amargurado, dessa vez vivido por Clive Owen. O Filme se passa em um futuro, em que não existe mais crimes na sociedade porque tudo é vigiado através de um mecanismo que ao que parece, está implantado no próprio ser humano. Algo como aquele episódio “Toda a sua história” da primeira temporada de Black Mirror.

Toda a construção desse futuro, foi algo que realmente me chamou atenção nesse filme com uma forma de crítica a questão da poluição visual e falta de privacidade. Como o sistema funciona dentro das cabeças, seríamos sujeitos a todo tipo de informação e publicidade, sem nenhum pudor ou segurança. Para todo lugar que o detetive olha, existe alguma informação.

Em uma das cenas, temos a visão de vários prédios no centro da cidade, quando entramos no ponto de vista do personagem de Clive Owen Que de tão chato não decorei o nome todos os prédios são inundados de anúncios projetados em suas fachadas.

Ou seja, ao que parece o design de um futuro frio, com tudo cinza, na verdade é palco para uma poluição visual ainda mais nociva ao ser humano, pois agora não tem como fugir. O Excesso de informações está dentro da sua cabeça.

O Conceito de Hacker, agora no futuro, é um termo que define pessoas responsáveis por mudar o banco de dados que fica guardado por cada um e isso obviamente seria errado nessa sociedade. É interessante como essa temática é trabalhada, ao que parece, o filme faz uma crítica a toda essa questão de espionagem que surgiu com os mecanismos de busca na internet nos últimos anos.

Toda aquela questão de que quando o google pergunta “Você vai pra onde?” não é só porque ele tá sendo bonzinho... Além disso, o paradoxo das pessoas quererem tanto compartilhar suas vidas ao mesmo tempo quando tentam esconder detalhes indesejados que poderiam destruir uma imagem falsamente construída na internet.

O personagem de Amanda Seyfried faz exatamente isso, apaga e reconstrói momentos que as pessoas não gostariam que as outras tivessem conhecimento.

Se você notou, lá no começo da review eu falei que esse era um filme de suspense... Pois então. O Gênero é apresentado com tão pouca emoção e de maneira tão genérica que todo o contexto e ambientação da trama ficaram bem mais interessantes do que a história em si.

Clive Owen como um detetive, fica o filme inteiro olhando para o nada em volta de uma mesa com outros policiais que também ficam apáticos tentando solucionar crimes que estão sendo cometidos por um assassino hacker misterioso que parece ser incorporado pelo “Unknown”, um desconhecido, alguém que não estaria cadastrado no sistema de vigilância que agora rege a sociedade.

Lembrando que esse sistema faz todo mundo ser identificável bastando uma troca de olhares.

E é isso gente, o resto da história é óbvia. Tá na cara que o detetive vai ter uma queda pela Hacker obscura e que o real assassino não é ela e sim alguém que vai chocar o público, o que não acontece, pois a revelação é jogada na nossa cara durante os primeiros momentos do filme.

O que o filme tem de bom de fato, são os efeitos de tela. Todo o sistema de informações é apresentado de uma forma limpa com letras brancas que surgem na tela exatamente como os personagens vêem.

O Filme não é de todo ruim, mas com todo o bom contexto em que se passa poderia ser muito mais bem trabalhado. A Sensação que passa é de vazio. Uma premissa promissora que foi desenvolvida junto a uma história que todo mundo já conhece. Com o final dá pra sentir uma possível continuação, não que alguma coisa fique sem resposta, até porque tudo é óbvio demais, mesmo sendo um filme de suspense.