Após aguardarmos séculos pelo seu lançamento, ocasionado por adiamento, pandemia e afins, Mulher Maravilha 1984 veio a tona, e que puxada de tapete, meus amigos... 

Sem muitas expectativas altas, a DC nos entrega o já esperado fiasco. Mergulhado no ambiente retrô dos anos 80, o filme possui um enredo pobre que foca muito mais na estética do que na protagonista. Com uma narrativa clichê de filmes da sessão da tarde, trazendo um objeto que dá poder, vilões previsíveis, bandidos estabanados, estereótipos americanos exagerados e gritantes, a obra perde muito a essência da heroína, me fazendo lembrar de Homem Aranha De volta ao lar, quando o herói ficou sem fazer nada esperando  a ligação do Stark enquanto era só o "amigo da vizinhança" agindo de forma fraca indo atrás de ladrão de bicicleta.

Forçado, forjado e preguiçoso, o filme apresenta mais dois elementos do poder da matadora de deuses, mas de uma forma tão avulsa que chega a ser irritante. O desenvolvimento arrastado e resoluções com mínima força projetada nos deixa um ar de QUEE?? PRECISAVA DISSO???. Outro ponto desnecessário e impertinente é manter o estereótipo da vilã nerd, "feia" e desajeitada, que só quer se notada, e basta tirar um prendedor de cabeço e trocar a calça que se torna a mulher mais sexy e confiante da cidade. Kristen Wiig entrega muito no papel da personagem, mas a personagem não é nada relevante e coerente.

Com a premissa inexistente da junção dos dois vilões, a Mulher Leopardo simplesmente se torna inimiga de Diana pelo fato dela querer dar um fim no caos mundial (que por sinal parece ser posto somente na cidade).

"Chocha, capenga, manca, anêmica, frágil e inconsistente" estas seriam as palavras de Renata Vasconcellos para este filme. Chato, arrastado, com inúmeros furos de roteiro, contradições e resoluções injustificáveis, o filme passa uma ideia desleixada, e perguntas do tipo "Diana não ligou pra vida que tirou em troca de ter o Steve reencarnado?" "Por que ficou desconfiada do Max Lord assim que o conheceu?" Isso tudo foi perda de roteiro ou queriam que nós subtendêssemos? 

"Mas é de todo mal?" você me pergunta, não, o filme possui ondulações, que oscila com cenas legais de ação, lados interessantes a conhecer, como Alistair filho de Max, a estética nostálgica e um pós crédito com um easter egg maroto.

Aparentando um compilado de ideias não revisadas, o roteiro jogado ao vento nos passa a moral da história, um pouco infantil, de que trapacear nos trás consequências e usar o outro para ganhar algo em troca nos envenena por dentro. Agora me responde... o você deseja? o meu desejo era ter assistido 2 horas e 35 minutos de algo melhor, o filme do Pelé quem sabe!?