A nova sessão teen da Netflix chega para nos deixar apaixonados, leves e confiantes que um mundo melhor é sim possível. O longa Feel The Beat aposta na inclusão e uma versão bem fofa dos famosos campeonatos de dança dos Estados Unidos.

O filme tem um enredo clichê, onde a personagem principal April (Sofia Carson) é uma determinada dançarina que sonha em estrelar espetáculos na Broadway. Só que ela se envolve em uma polêmica com uma renomada produtora de musicais e termina perdendo uma grande oportunidade. Por isso ela resolve voltar até a sua cidade natal em Wisconsin.

A partir disso vemos a história andar como já estamos acostumados a ver: a cidade é aquela típica cidade pequena do interior dos Estados Unidos onde todo mundo se conhece e onde ela deixou para trás um ex-namorado. O drama todo envolvendo eles é que April terminou com Nick (Wolfgang Novogratz) por meio de mensagem de texto após largar a cidade e ir até Nova York.

Toda a história deles é bem pesadinha, pois a mãe de April a abandonou quando era criança e a mãe de Nick morreu, mas muito pouco além disso é retratado, afinal é um longa feliz e alegre, tendo a classificação livre.

Apesar do longa aparentar ser somente uma desculpa para eles dois se reencontrarem e voltarem a namorar, a história migra para um rumo mais interessante e bonito de se ver: o dela se descobrindo como professora.

Ao chegar na cidade, April reencontra uma antiga professora de dança, que propõe a ela que conheça as crianças do estúdio para que ela contasse a sua experiência e servisse de inspiração. E lá ela tem a oportunidade de se apresentar para um importante produtor da Broadway.

Assim o filme se desenvolve, com April sendo uma tremenda cretina e mal educada, tratando as crianças bem mal, mas depois se apegando e criando uma relação fofa com eles.

Porém o mais legal do filme é que ele é altamente inclusivo. No elenco das crianças temos uma menina surda, uma negra, um menino que dança balé, uma japonesa e todas elas se diferem entre si, seja fugindo do padrão de beleza para meninas que dançam balé ou da maneira de se vestir.

A mensagem no final é muito importante para uma auto aceitação e superação de seus limites, além de como às vezes focamos somente nas imperfeições e nas críticas não só com nós mesmos, mas também com os outros.

Somado a tudo isso, o elenco é extremamente cativante e simpático, temos a participação ativas dos pais, principalmente do treinador de futebol que incentiva o filho a dançar com as meninas e ajuda nos ensaios, inclusive arriscando uns passinhos. Muito bom ver homens em tela que cuidam dos filhos sozinhos e não tem masculinidade frágil.

As atuações funcionam muito bem, a trilha sonora é perfeita e encaixa com a temática juvenil, com grandes sucessos do pop e a fotografia é bem bonita nos momentos precisos, principalmente na apresentação de April com as crianças no campeonato nacional. Para mim só ficou faltando um pouquinho mais de cenas entre ela e a irmã de Nick, Sarah (Eva Hauge), com quem ela mantem uma relação bem profunda de irmã mais velha, o que termina por muitas vezes a desapontando. Faltou mostrar mais dessa relação para podermos sentir a dor de Sarah quando April a abandonava ou não correspondia as suas expectativas.

De qualquer forma o filme é uma grande aposta para uma tarde divertida em família, sendo leve e preciso nos momentos certos. Um filme gostosinho de ver que com certeza vale a pena, apesar de se encaixar totalmente nos moldes dos clichês de sessão da tarde. Mas é aquela né, quem disse que esses filmes são necessariamente ruins? O que importa é que fica o sentimento bom depois de assistir.

P.S.: Quem mais se apaixonou pelo garotinho? Tem o maior charme e carisma, quero levar para casa.