A crítica dará uma pincelada por alguns pontos do filme sem entregar spoilers. 

É impossível começar a falar do filme e passar por cima das atuações e relações dos personagens. O elenco enxuto ajuda na dinâmica entre Carol Danvers e Fury, que juntos parecem estar há séculos atuando um ao lado do outro, e entregam uma dupla meio improvável que era muito comum nos filmes dos anos 90, onde dois "tiras" tinham que trabalhar juntos e viviam se zombando e curtindo. 

Carol é uma mulher forte, no entanto, assim como todo mundo, ela comete erros, ela cai. Cada queda significa que é preciso mais força para se levantar, e ela tem todo esse potencial dentro de si, e sabe disso.

A resiliência é uma de suas características mais fortes, e molda as suas ações e decisões. Diferente do que vemos em outros heróis, Danvers representa o avanço do Marvel Studios rumo a diversidade, e agora, em uma jornada feminina, acerta em cheio o objetivo de encontrar uma identidade forte e imponente que não deve nada a ninguém. 

A jornada da heroína é contada de uma forma muito objetiva, mantendo a leveza para tratar de todas as relações. O fato dela não saber sua origem; de enxergar apenas um lado da guerra (Kree-Skrull); de pensar que o mundo é apenas preto ou branco; colaboram para que a história se encaixe suavemente e de forma redonda, deixando poucas pontas soltas. 

O tom é muito bem estabelecido e visa o equilíbrio entre o drama e o humor que é espontâneo e não fica nada forçado como em alguns momentos de outros filmes da Marvel. Parece que temos em Capitã Marvel a essência mais genuína da visão cômica que a Editora sempre quis ter. Uma junção perfeita entre Homem de Ferro (2008) e Guardiões da Galáxia (2014).

Carol é debochada, mas diferente de Tony Stark e Stephen Strange, não beira a arrogância, e o paralelo com Guardiões está na forma como o humor faz tanta parte do personagem que não fica parecendo uma piada aleatória só para fazer alguém rir - ou não, deixando o filme mais leve. O humor do novo filme do estúdio é honesto e purista, e talvez por isso, funcione tanto.

Samuel L. Jackson está mais impecável do que nunca como o agente mais "top" do mundo. É muito legal ver um Fury que não é tão marcado por traumas. Ele é até ingênuo, como se ainda acreditasse na humanidade e no bem que ela pode fazer. Além de não ter o sentimento de medo constante que paira sobre a Terra desde os eventos de 2012. 

Além disso, é curioso notar as pistas que o filme dá para aqueles mais atentos a história geral da Marvel, que inclui as séries. Isso está mais evidente quando temos a relação de Fury com Coulson, e como já sabemos o futuro daquela parceria, fica muito mais adorável notar como eles eram antes de tudo. Coulson, inclusive, é um novato na S.H.I.E.L.D e aquece o nosso coração quando aparece. 

Outro grande acerto da Marvel é com certeza a escalação de Brie Larson para o papel. A atriz que já ganhou até um Oscar entrega tudo o que era prometido, e quem diz que sua atuação deixa a desejar, tem um teor machista em sua fala. Sim, infelizmente é difícil para a grande maioria aceitar que uma heroína é mais forte do que todos os heróis até então. Não apenas por isso o filme se torna ainda mais relevante, pois carrega sim, um discurso feminista, e está mais do que certo em fazer isso, mas não balança o tempo inteiro a bandeira. É um filme sobre uma mulher, e não é preciso provar para ninguém do que ela é capaz. Inclusive uma das falas mais incríveis de Carol Danvers no filme é "Eu não preciso provar nada para você".  

Ainda falando sobre acertos, foi muito inteligente a forma como o filme se localiza nos anos 90. Ele não fica o tempo inteiro explicando em que momento está, deixando como um elemento a mais que enriquece a narrativa, mas que não é como uma muleta para o filme existir, ou andar. 

Capitã Marvel funciona e apresenta uma nova face da Marvel. Um filme diferente em sua essência que cumpre com louvor o seu papel de apresentar a heroína mais forte do MCU. A má vontade de alguns para enxergar sua importância pode até afetar uma minoria cega, mas tal qual Pantera Negra e Mulher-Maravilha, o filme da Capitã tem tudo para entrar na história e ser um marco. 

O filme é engraçado,  sentimental,  bonito, tem uma trilha sonora maravilhosa, tem atuações ótimas e de quebra ainda da ganchos para Ultimato! 

A capitã Marvel é inspiradora! 

obs: A Marvel demorou 20 filmes para fazer Capitã Marvel e tem gente falando que o estúdio está forçando a barra. Façam-me o favor...