James Gunn conseguiu trazer a esperança para os fãs do DCEU e, com certeza, encheu os olhos dos executivos das Warner Bros. com um filme totalmente fantástico e que não tem medo de perder seus personagens. O Esquadrão Suicida faz jus ao que realmente é proposto pela lógica do filme e nos entrega personagens mais suicidas que nunca.

Nesta nova aventura temos novamente Amanda Waller (Viola Davis) reunindo uma equipe de vilões para cumprir uma missão em troca de liberdade. Desta vez vamos acompanhar o Sanguinário (Idris Elba), Pacificador (John Cena), Caça Ratos 2 (Daniela Melchior), Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Coronel Rick Flag (Joel Kinnaman), Tubarão Rei (Sylvester Stallone), Homem Bolinhas (David Dastmalchian), Sábio (Michael Rooker), O Cara Desacoplado (Nathan Fillion), Doninha (Sean Gunn), Blackguard (Pete Davidson), Mongal (Mayling Ng), Sol Soria (Alice Braga) e Dardo (Flula Borg).

Sua missão é acabar com um prédio em Corto Maltês e destruir as provas de que os Estados Unidos estariam envolvidos com o “Projeto Estrela do Mar”, liderado pelo Pensador (Peter Capaldi).

Neste filme não temos um enredo bagunçado e fora de contexto, ele é o que se propõe do começo ao fim. Isso acontece dos pequenos detalhes (como a competição do Pacificador e Sanguinário), até um ponto mais macro (o governo tirano e o vilão Starro). Além disso, apesar de Idris Elba ter bastante destaque nos trailers, ao assistir o filme vemos que também outro personagem tem algo além de uma participação. Caça Ratos 2 é uma personagem que surpreendeu muito, sua história foi muito bem desenvolvida ao longo do filme e, criou-se nela uma atenção muito grande. Junto com Sanguinário, eles tomam as rédeas e conduzem a história.

Com essa grande quantidade de personagens fica fácil pensar o quão difícil foi de organiza-los de uma forma que todos fossem aproveitados de alguma maneira. Isso acontece aqui, mesmo aqueles que tem mínima fala, ou pequena cena, se destacam da sua maneira mas não dão tempo de serem reconhecidos verdadeiramente pelo público e se tornam esquecíveis (principalmente a primeira leva de mortos).

Com a carta verde para matar quem ele quisesse, James Gunn não mediu esforços e logo começa seu longa destruindo metade de seu elenco considerado “principal”. O que vemos não são duas equipes em missões diferentes, mas sim um banquete de distração enquanto os protagonistas principais realmente se adentram na missão. Quando o diretor dizia: “Não se apegue a ninguém”, ele falava sério! Em vários momentos o sentimento era de “perdemos mais um”, ou também vinha o questionamento se alguém sobreviveria. (Claro que alguns já se tinha uma breve noção de que nada aconteceria com eles como Arlequina, Sanguinário e [SPOILER]).

O tom deste filme está fantástico. As cores estão vibrantes e coloridas mas de um jeito que complementa com o visual do filme. Ele não tem picos de momentos sombrios misturados com piadas desajustadas, ao contrário, ele é equilibrado e na “pitada certa”. O humor também está na medida, até mesmo Amanda Waller (viola Davis) e suas reações a certos momentos tiram uma gargalhada do público. Também, o Tubarão Rei, junto com a Doninha, trazem a fofura da inocência e a bizarrice dos seres antropomórficos, respectivamente.

A trilha sonora nunca decepciona. Desde seu antecessor, vimos que as músicas são escolhidas a dedo e colocadas no momento certo para trazer a sensação certa. Os efeitos visuais estão impecáveis em cada cena de ação. Destaque para as de Arlequina fugindo da mansão com todas aquelas flores e confetes em momentos totalmente violentos. Isso lembra seu filme antecessor, Aves de Rapina, que utilizada, durante suas cenas de violência, as mesmas consequências.

Alguns efeitos gráficos também são usados para simbolizarem capítulos e aparecem misturados junto ao ambiente. Um jogo usado para que o telespectador consiga acompanhar a narrativa do que está se passando, já que, James Gunn utilizou o meio de passado e presente para contar a história. Efeitos esses que subestimam um pouco a capacidade do telespectador mas não atrapalham em nada, inclusive, pode até situar os cinéfilos na hora da conversa sobre as cenas.

Algumas vezes essa quebra do momento temporal, e o retorno para o passado, realmente “quebram’ o ritmo da trama que está em seu ápice e retorna para estaca zero. Assim, o telespectador desacelera e começa novamente a respirar para que depois as cenas se encontrem novamente. Mas, também, não é algo que atrapalhe nem mexa na experiência causada a todo o momento do filme.

Sem dúvidas, esse é um dos melhores filmes de heróis de 2021. James Gunn conseguiu trazer a essência de uma Força Tarefa X dos anos 80 (de onde tirou sua inspiração). O filme é cheio de explosões, sangue, diversão, músicas vibrantes, personagens fantásticos e muita ação. Se alguém tinha dúvida se o ingresso do cinema valeria a pena, agora está comprovado. O Esquadrão Suicida é uma visão de um diretor que sabia o que estava fazendo e, colaborando com ele, uma grande história e um elenco de peso.

(TEM CENA PÓS CRÉDITOS)