Um casamento numa ilha deserta. Vários convidados. Um assassinato brutal. Mas quem é a vítima? E quem mata?

   O recurso do "quem matou", se bem utilizado, gera um gancho infalível. É tudo que um fã de mistério pode pedir: locais isolados, uma comemoração, assassinatos e vários suspeitos. Em "A Lista de Convidados", de Lucy Foley, todos esses elementos convergem em uma trama misteriosa, narrada por cinco pessoas: a noiva, sua irmã, o padrinho, a dama de honra e a cerimonialista.

   A protagonista, uma ricaça determinada a ter o casamento perfeito, recebe um alerta macabro dias antes da cerimônia. Em contrapartida, sua irmã, a madrinha, parece esconder segredos cortantes. Já o padrinho, um homem que sempre viveu às sombras do noivo, está a ponto de surtar. A dama de honra, por sua vez, suspeita das verdadeiras intenções da noiva. E a cerimonialista? Está sempre atenta aos cochichos dos convidados, às fofocas que escapam.

   A narração fragmentada, aqui, gera um desconforto interessante no leitor. Além de desconfiarmos de absolutamente todos, também percebemos o quanto os personagens não se conhecem tão bem assim. Enquanto a noiva jura que sua irmã jamais tomaria tal atitude, logo a caçula nos surpreende, quebrando nossas expectativas. Sendo assim, todos os personagens possuem sua originalidade e nuances bem trabalhadas, numa escrita que foge do rebuscado e permanece fluida durante as 304 páginas. 

   A ambientação, aqui, também merece destaque - ainda que descrita de maneira simples. A ilha, praticamente inabitável, foi escolhida a dedo por Jules (a noiva) como palco de seu casamento, tentando lançar o exótico como tendência - visto que ela, dona de uma revista e o noivo, astro de um programa de aventuras na televisão, possuem sua cota de influência. No entanto, a escolha não poderia ter sido pior, e a sensação de perigo eminente permeia a mente o tempo inteiro. Afinal, desde o princípio, os perigos da ilha ficam nítidos (o pantano devorador, o passado macabro, os penhascos, a maré, o isolamento). O palco perfeito para um crime.

   Mas, infelizmente, nem tão perfeito assim... Além dos cinco pontos de vista, temos também a narrativa do AGORA (momento exato do crime). Além de serem capítulos desconexos da narrativa, eles não ofertam nada ao leitor. A intenção era mesmo gerar uma tensão crescente, fica claro, mas o resultado são capítulos curtíssimos que em nada agregam ao leitor e à narrativa. Não oferecem respostas e tampouco geram mais dúvidas.

   Por outro lado, tem-se também um tempo imenso destinado à ambientação. Somente no último terço do livro é que começamos a montar o quebra-cabeças (interessantíssimo, por sinal). Ainda assim, a narrativa segue fluida, devido aos personagens distintos e relativamente cativantes. Para quem procurava um novo romance de mistério, acabou de encontrar uma boa alternativa!