Há exatos 20 anos, Smallville era exibido pela primeira vez na televisão. A série que contava a história de Clark Kent antes de se tornar o Superman ficou no ar entre 2001-2011, totalizando 10 temporadas e 217 episódios. No Brasil, o programa fez sucesso ao ser transmitido nas tardes do SBT. O canal a cabo Warner Channel também era encarregado da transmissão.   

Para comemorar o aniversário, decidimos fazer uma crítica especial e contar pequenas curiosidades sobre a obra.

A televisão sempre foi um terreno fértil para os heróis da DC Comics. A editora domina a TV com várias séries e animações de sucesso. A HBO Max promete a chegada de mais projetos ligados aos personagens da DC. Smallville foi um dos responsáveis por começar essa jornada dos heróis na televisão e teve influência na criação do Arrowverse, iniciado em 2012 com Arrow.

Originalmente, a ideia era produzir uma série que retratasse a vida de Bruce Wayne, um bilionário que assume a identidade de Batman após a morte dos pais. Nessa mesma época a Warner Bros. decidiu desenvolver um filme para o Homem-Morcego e temeu que as duas produções pudessem competir entre si. Então, o estúdio não autorizou o uso do personagem e sua história, mas a ideia de fazer um programa de origem para um super-herói parecia boa. A partir disso, a produtora decidiu criar uma série que mostrava o Superman como um adolescente.

O episódio piloto teve uma média de 8,4 milhões de telespectadores. O objetivo da primeira temporada era mostrar Clark Kent (Tom Welling) nos tempos atuais, enquanto tentava entrar em acordo com sua origem alienígena e lidar com problemas típicos de um adolescente. As histórias incluíam um inimigo da semana, que ganhavam seus poderes a partir de uma exposição à Kryptonita. Lex Luthor (Michael Rosenbaum) é apresentado como amigo do protagonista, mas aos poucos vai se tornando o vilão que conhecemos.   

A segunda e terceira temporada se concentraram em arcos que exploravam a descoberta de Clark sobre sua herança Kryptoniana e o passado da família Luthor. O quarto ano introduz Lois Lane (Erica Durance) e gira em torno das três pedras do conhecimento, que mais tarde formam a Fortaleza da Solidão.

Como dito anteriormente, Smallville ficou no ar por 10 anos e é claro que a série não conseguiu manter a mesma qualidade que teve no início. A partir da quinta temporada, os roteiros perderam o rumo e se tornaram uma grande viagem que parecia não acabar. Os realizadores começaram a inventar tramas que fugiam do foco principal, como Clark Kent enfrentando vilões (Apocalypse e Darkseid) que só encontraria quando já fosse de fato o Superman. O herói chegou até mesmo a lutar contra vampiros. Ficou a impressão que os roteiristas eram muito fãs de Buffy, a Caça-Vampiros.

O protagonista vestindo o uniforme clássico do Homem de Aço era o momento mais aguardado pelos fãs. Infelizmente, tivemos que esperar até o último episódio para isso acontecer e nos contentar com vários closes na cara do ator Tom Welling, que nunca chegou a colocar o traje de fato.

A melhor coisa de acompanhar foi a jornada de amadurecimento do jovem Kal-El. Nesses vários anos, o personagem fez muitas alianças e passou por momentos difíceis. Lana Lang (Kristin Kreuk) partiu seu coração, que mais tarde foi substituído por Lois Lane. Seu pai, Jonathan Kent (John Schneider), morreu e o fez entender o real significado de responsabilidade. A série gostava de trazer atores conhecidos de antigas produções da DC Comics. Dentre as participações especiais, o maior destaque vai para Christopher Reeve, que interpretou o Dr. Virgil Swann em dois episódios ao todo. Outros heróis conhecidos da DC também apareceram no programa, como Arqueiro Verde (Justin Hartley) e Aquaman (Alan Ritchson). Na nona temporada, existe um arco concentrado na Sociedade da Justiça.    

Smallville tem seus méritos por ter aberto as portas para os heróis na TV, mas cometeu o erro de esticar uma história que poderia ter sido contada em pouco tempo. Entre altos e baixos, o programa conseguiu mostrar como Clark Kent se tornou o maior herói de todos os tempos. A obra influenciou tanto as produções da DC no canal CW que Welling e Durance reprisaram os seus respectivos papéis no crossover Crise nas Infinitas Terra.