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Assista ao trailer: Os Inocentes| Trailer 1 - O Começo [HD] | Netflix
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Misturar mistério e romance a uma trama adolescente não é coisa de hoje, mas parece que a mistura vem dando certo nas produções da Netflix – principalmente quando trata-se dos dois primeiros elementos. O Olhar adolescente aparece dessa vez com o que parece uma tentativa de tentar fazer o espectador se familiarizar um pouco mais com o que está sendo apresentado, desde a própria história, até a adequação aos próprios personagens.

Já na primeira cena, a série passa uma impressão de complexidade, uma concepção que acaba no primeiro episódio. Isso não significa que o mistério apresentado é ruim, porém, da forma como foi apresentado, parecia ser bem mais promissor e cheio de significados do que realmente terminou sendo ao menos até esse final de temporada.

Muitas séries com um enredo que promete muito, passam por isso o tempo todo; apresenta-se um enigma e ao longo da produção, devido a uma série de questões decorrentes do possível sucesso, os roteiristas começam a estender uma história que não foi projetada inicialmente para ser tão extensa e assim, todo o mistério dá lugar a uma novela sem fim. Em Os Inocentes, a impressão que se passa é que isso já aconteceu.

Toda a história possui sim um bom entrelace entre os núcleos no sentido de apresentação do mistério e resolução até o fim da temporada, porém, essas próprias tramas criadas são previsíveis e isso não é compensado com a ótima fotografia, os efeitos e a edição das cenas. As atuações também não deixam a desejar, Guy Pierce consegue cumprir um papel interessante e Sam Hazeldine apresenta um dos personagens mais relacionáveis da história como o pai da protagonista.

O casal que foi pensado para carregar o enredo e apresentar a série para o público adolescente, talvez não seja o ponto forte. Eles não chegam a ser ruins, no entanto a química entre os dois – que parece ter um potencial forte - acaba sendo ofuscada por erros de roteiro que fazem ambos parecerem ingênuos demais, mesmo para dois jovens que fogem de casa com o intuito de serem independentes e viverem juntos. Isso fica bem claro quando notamos as atitudes de June McDaniel (Sorcha Groundsell) e a forma como ela se diz o tempo todo, tão consciente de sua realidade e acaba tomando decisões não tão inteligentes assim.

Deu pra ver que todo o enredo foi pensado com esforço e possui sim a sua lógica que consegue ter um encaixe no final da temporada, ao menos na resolução do mistério principal. O problema é que esse, é facilmente resolvido pelo espectador na metade dos episódios. Outra coisa é a profundidade do que é apresentado. A série poderia ter ganho muito mais significado se focasse sua temática de transfiguração de uma maneira mais conectada com o que estamos vivendo hoje no mundo, deu a impressão que poderia haver ali todo um potencial para explorar uma trama que falasse sobre como os sentimentos humanos e as relações interpessoais não estão completamente conectados a parte externa do nosso corpo. Porém a série nega todo esse subtexto em potencial, para alimentar um incógnita que não se sustenta.

 Esse é aquele mistério a la "Lucy” – aquele filme do Luc Besson que parece ser bem inteligente mas no fim das contas é muito mais simples do que parecia ainda que não exatamente estúpido – chega a ser interessante mas não o suficiente para causar um grande impacto.

Na série, temos uma trama que talvez se leve a sério demais, perdendo um pouco de originalidade e até personalidade em seu conjunto. Toda a relação entre dois personagens que em teoria não se fazem bem por uma “força da natureza” chegou a me fazer pensar em Crepúsculo (2008), ainda que essa primeira produção da franquia de filmes, seja uma exceção como um filme que possui sim um potencial e um subtexto mais interessante, do ponto de vista de sensações geradas, do que o novo original da Netflix.

Os Inocentes, apesar de parecer óbvia, em alguns momentos monótona demais e não aproveitar-se de forma suficiente de seu enredo promissor - é uma boa pedida para quem gosta de maratonar uma história com mistério e romance - misturados a uma trama que deixa perguntas mas que resolve enigmas até o fim da temporada.