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Assista ao trailer: 3% - Temporada 2 | Trailer Oficial | Netflix
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3% é uma série brasileira que traz um mundo distópico que não estamos acostumados a ver nas produções nacionais. Ficção científica parece ter sido sempre um tabu no país, já que não vemos muitas sobre o tema. As que se arriscam a produzir recebem uma enxurrada de críticas e esse foi o caso de 3%.

E não vou chegar aqui e dizer que a série está toda bonitinha e bater palma porque é uma produção nacional, mas também não vou meter o pau como vi por aí afora. E vou ser bem sincera: quando as produções crescem a gente precisa reconhecer. Aprendam a ter um pouquinho mais de nacionalismo.

Mas vamos a 3%. A série teve uma primeira temporada mediana, começou a mostrar uma história, mas não tinha orçamento para vôos maiores. Muitos não queriam uma segunda temporada (e se dependesse do público brasileiro não ia ter mesmo), mas o sucesso da série original da Netflix fora das nossas fronteiras despertou um interesse da companhia que renovou a história para mais um ano e agora com mais dinheiro para investir.

E eu gostei muito da melhora que eles conseguiram apresentar, vide os efeitos melhores, tomadas de cima mais bem feitas e figurinos menos grotescos. 3% estava mostrando que podia evoluir e muitos, incluindo eu, estavam comprando a ideia.

A história veio melhor também: se na primeira temporada só assistimos os deslanches do Processo em si e suas provas, na segunda a gente consegue acompanhar toda a preparação para esse evento, com flashbacks do que aconteceu um ano antes e até mesmo antes do primeiro Processo, nos fazendo embarcar nas motivações dos personagens ao longo dos 10 episódios.

As diferenças entre Maralto e Continente continua ainda mais presente e serve de fôlego para o aprofundamento dos personagens. E aqui é que entra a grande vitória de 3%: eles conseguiram dar profundidade a muitos personagens e fazer com que nos importássemos com eles para que continuássemos assistindo, o que anulou boa parte da atuação mais fraca em alguns momentos e os diálogos forçados.

E por falar em atuações, esse sim foi um grande avanço! Fernando (Michel Gomes) e Rafael (Rodolfo Valente) ficaram mais agradáveis e Michele (Bianca Comparato) conseguiu trazer facetas interessantes. Joana (Vaneza Oliveira) para mim foi um misto de decepção e surpresa, muitas vezes eu não gostava de como desenharam a comunicação da personagem, mas ela teve uma importância muito grande dentro da série, principalmente no quesito valores.

A descoberta do trio fundador e das suas motivações deu um gás a mais no final (achei o começo um pouco monótono demais), a reintrodução de um personagem para mim não funcionou mas serviu para trazer a profundidade necessária para a personagem Marcela (Laila Garin), um dos destaques da temporada junto com Glória (Cynthia Senek), que mostrou serviço e uma história legal para ser desenvolvida. 3% ainda consegue colocar representatividade na trama, com a personagem trans Ariel (Marina Matheus), que no final também consegue cumprir o seu papel.

Todas as vertentes políticas e religiosas que a história trouxe também foi bem trabalhada, mesmo com suas limitações. Uma das melhores cenas, na minha opinião, foi a da procissão, onde tivemos bons efeitos, uma trilha sonora maravilhosa e um bom ritmo.

Eu espero que a série cresça e corrija seus erros cada vez mais, pois podemos ver um futuro promissor. Resta esperar que os ganchos para a próxima temporada sejam bem trabalhados e façam bonito. 3% não é uma série perfeita, mas também não deve ser totalmente descartável.