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Assista ao trailer: Atypical - Temporada 2 (2018) Trailer Legendado
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Quando uma dramédia assume ter consciência social em sua essência e sabe misturar isso a uma boa produção, é difícil esperar um fracasso.

Esse é o caso da segunda temporada de Atypical, que mantém os temas que foram muito bem apresentados em seu ano de estreia e consegue inserir tramas que concluem sua missão ao manter a atenção do espectador sem fazê-lo sentir falta da primeira temporada.

Por ser uma série tão singular, mesmo sendo considerada como parte de um gênero extremamente popular atualmente, dá para entender se em sua continuação a história pendesse para temas óbvios. No entanto, o diferencial aqui, não é o fato de simplesmente o tema “Autismo” ser tratado com protagonismo – que por si só já faz a produção alcançar um patamar elevado – mas sim a forma como o roteiro é bem construído e não esbarra em tramas pobres, mesmo que em alguns momentos chegue muito perto de uma fórmula batida que mistura dramas familiares com o colegial.

Na primeira temporada houveram reclamações sobre o fato de Sam (Kier Gilchrist) ser o único personagem dentro do espectro autista com tanto destaque na série. Agora, com o problema de não possuir uma terapeuta – depois dos eventos traumáticos que aconteceram na última temporada - o personagem entra em uma espécie de tratamento conjunto com outras pessoas que também estão dentro do espectro, e foi muito interessante ver como eles relacionam-se entre si e principalmente suas maneiras singulares de enxergar a realidade. Foi interessante ver como Sam tem sua personalidade destacada, em um meio em que ele não age tão diferente dos que estão ao seu redor.

A Trama de Casey (Brigette Lundy-Paine) em sua nova escola - apesar de muito previsível - criando mudanças na personagem que parecem não se encaixarem muito com sua maturidade que claramente é incomum para uma garota de sua idade – é interessante de se acompanhar e dá um tom diferente a história, criando consequências que realmente são importantes para o futuro.

Doug (Michale Rapaport), Elsa (Jennifer Jason Leigh) e a traição, são talvez o que se esperava como o grande mote que permeia grande parte dos dramas desse ano e isso já apresenta seus efeitos no primeiro episódio, com Sam descobrindo tudo. Esse enredo, apesar de ter um final também previsível, não se torna chato e ajuda a complementar a história de como os dois irmãos estão enfrentando suas realidades dentro e fora de casa, agora também, em escolas diferentes.

Talvez o ponto fraco da temporada seja o mal aproveitamento da ótima personagem da incrível Jennifer Jason Leigh. Elsa parece permanecer em um looping eterno de culpa pelo que fez na última temporada e isso, apesar de ser compreensível, acaba tomando um pouco do brilho e do potencial para uma história que poderia ser mais bem trabalhada. A personagem cumpre sua “sentença”, mas não passa a real impressão de aprender com seus erros.

Dentro dessa linha da história, dá a impressão que não tivemos um ponto final, mesmo com Doug tomando algumas atitudes extremas, parece que a palavra no fim de tudo é da própria mãe de Sam e Casey.

A Série mais uma vez prova-se como um grande drama que fala sobre relações humanas e como elas afetam as escolhas durante a vida. Além disso, tivemos um vislumbre de como doenças que afetam a vida social podem transformar realidades, dando um novo sentido a tudo que está em volta. Isso fica em evidência em um dos flashbacks quando ficamos sabendo, por exemplo, que os antigos amigos de Elsa e Doug, os excluíram de seu meio social por causa dos impactos causados por ter um filho autista.

Sendo Atypical, apresentada com tamanha simplicidade e delicadeza de roteiro, seu segundo ano, apesar de divertido, não consegue superar o primeiro, mas conclui a missão de manter o ritmo que ainda torna a série interessante fazendo o espectador reagir, ainda que não tão calorosamente como antes. De fato, há menos lágrimas dessa vez, mas isso não significa que houve um menor efeito de reflexão.