June está de volta. Só que dessa vez ela não conta sozinha os horrores que vive na “comunidade” de Gilead.

The Handmaid’s Tale retorna com um tom mais pesado e separando sua narrativa, o que talvez não tenha sido tão legal assim, mas só talvez.

Como disse, agora a narrativa está um pouco dividida. Não que isso não tenha acontecido na primeira temporada. Agora, temos o ponto de vista de outra personagem muito importante, mas isso irei falar mais a frente. Não vou dividir os episódios na review, irei falar sobre os dois como se fosse uma coisa só.

A cena de abertura pareceu uma espécie de referência macabra aos campos de concentração.

A Cena que abriu a temporada, foi um bait do c* mas ainda assim foi linda de se assistir. June e todas as outras Handmaid’s apavoradas, temendo a morte ou coisa pior porque se estamos falando de Gilead, sabemos que existe ali um mal que a supera.

Entre gritos e súplicas, vemos uma June fria, mas que revela no olhar seu medo, tentando manter a calma. Mesmo sendo uma cena claramente projetada pra nos assustar mesmo sem grandes consequências. O Que vimos até agora na primeira temporada, foi o suficiente pra temer que o pior acontecesse.

Tia Lydia (Ann Dowd) teve seu outro lado mostrado de maneira mais expressiva. Ainda não sei o que achar de suas atitudes, mas já da pra ter uma ideia de que o personagem não é só aquilo que vimos de início – Uma mulher brutal que incorpora toda a ideologia de Gileade e a usa contra outras mulheres – Já havíamos visto esse outro lado, através da relação entre Tia Lydia e Janine (Madeline Brewer). Parecia haver alguma espécie de afeto misturado ao sentimento de culpa. Isso ficou claro no final da última temporada.

Além disso, vimos que a guardiã realmente teve razão, ao dizer pra June sobre sua atitude de rebeldia e como isso iria afetar as outras mulheres. De fato, nesse momento June não foi uma heroína, foi humana e não se rendeu, mas como sabemos, a realidade em que “vive”, agora não abre espaço pra esse tipo de atitude e Tia Lydia foi responsável mais uma vez por mostrar as terríveis consequências.

Com essa estreia, a serie pareceu dar uma grande virada – o que de certa forma, o foi de início, mas no fim resultou em algo que me decepcionou um pouco – June conseguiu “fugir” mas se meteu em um lugar que não levou a nada. Praticamente trancada em uma antiga sede de Jornal, June não teve muitos arcos importantes após sua fuga. Porém sua estadia no lugar, nos rendeu uma cena emocionante que fechou os dois episódios.

O momento se mostra como uma espécie de homenagem através de uma mensagem que a série tanto nos mostra – A importância do respeito a pluralidade e como é terrível quando isso não acontece, mas também vou falar sobre essa cena mais pra frente.

Um outro arco que ficou em paralelo, mas que na minha opinião foi um pouco mais interessante de acompanhar.

As colônias e o retorno de Emily (Alexis Bledel). Na primeira temporada ficamos apenas imaginando como seria a vida naquele lugar. Emily está ainda mais destruída desde a última vez que a vimos, trabalhando forçadamente sob um regime cruel.

A Série acertou muito em nos apresentar sua história, Porque isso não foi mostrado antes?? Ela era uma professora de universidade, casada com outra mulher e com um filho. O Contraste de sua vida com a realidade das colônias se torna gritante. Isso já havia acontecido na primeira temporada, quando víamos o passado de June, mas dessa vez a série fez isso de forma mais direta e relacionando perfeitamente o contraste de situações da antiga vida de Emily com o presente.

Algo que me fez lembrar de Orange Is the new black. Acredito que talvez a série vá seguir por esse caminho ao introduzir mais personagens na narrativa principal.

Mesmo que esse retorno não tenha sido tão esclarecedor, foi corajoso e generoso com o público. Deu pra notar que melhoraram ainda mais a fotografia, que já era incrível. O plano de câmera se tornou ainda mais épico e isso continuou enriquecendo as cenas, já se tornando característica de The Handmaid’s Tale.

O que acho importante dizer, é que, mesmo com as tentativas de manter a grandiosidade dramática da série, com todos os planos aéreos e a fotografia incrível. O Drama mais importante esteve nos pequenos momentos e nas atuações que mantiveram o nível, com destaque óbvio pra Elisabeth Moss e continuando a surpreender, Alexis Bledel.

O Roteiro foi uma parte importante pra favorecer as atuações. Já na sua segunda temporada a série conhece sua natureza e parece saber tirar o melhor de suas parcelas. O subtexto do arco de June se mantendo escondida, foi introduzido tão timidamente pra nos apresentar uma das mais belas cenas da série até agora.

No geral, a temporada voltou impactante e ao mesmo tempo tranquila. Com o fim do livro (A Série foi baseada na obra de Margareth Atwood de 1984) coincidindo com o final da primeira temporada, realmente não sabemos o que esperar.